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Este blog foi criado num Domingo chuvoso daí www.domingoamigo.blogspot.com/!

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30.1.12

Legado: o que deixar para as futuras gerações?

Nos tempos gloriosos da Grécia antiga, época de batalhas ferozes e grandes lutas pelo poder, o homem, entre tantas filosofias, buscava eternalizar os seus feitos através do próprio nome. Nesse período, as vitórias estavam respaldadas no legado, no que cada um deixaria para posteridade. Por isso que até hoje muitas ideias, pensamentos e comportamentos desse povo são copiados, difundidos e vistos como modelo de inteligência, honradez e sabedoria. Esta gama de qualidades que, na atualidade, infelizmente tem se perdido. O homem de hoje, individualista e vitima do dragão do consumismo, não desfruta dessa mesma ideologia. Presos aos padrões ditados pela sociedade moderna, ele pouco tem se preocupado com o futuro das próximas gerações, destruindo paulatinamente sua própria espécie, seu habitat, e lamentavelmente o seu caráter.

A sociedade atual está semeando um futuro sem consciência ambiental, do qual a natureza não é vista como protagonista. O meu ambiente é a maior prova desse desrespeito à vida, no sentido amplo da palavra. Mesmo com as declarações feitas por especialistas da área, a humanidade não se conscientizou de que o equilíbrio entre homem e natureza é essencial para a manutenção da vida na terra. Enquanto essa conscientização não é despertada, a poluição cresce a cada dia, as florestas continuam sendo devastadas, a lista dos animais em extinção, ou perto dela, cresce no mesmo ritmo e a mãe natureza, impiedosamente devolve todo esse descaso em forma de chuvas, vendavais, tsunamis, enchentes, calor ou frio excessivo. O discurso de sustentabilidade, sozinho, não vai resolver essa problemática, se antes disso a humanidade não encarar, com maturidade, a culpa pelos danos causados e tentar solucioná-los enquanto ainda há tempo.

A educação também passa por esse processo destrutivo. A sociedade vai deixar por muitas gerações pessoas alienadas, que leem pouco e por isso pensam na mesma medida, e quando pensam. Muitos jovens vão se tornar adultos semialfabetizados, incapazes de raciocinar criticamente sobre a realidade circundante, consequentemente sem a mínima chance de mudar o quadro de desigualdade que fomenta tantos problemas sociais, dentre eles a violência, sua parceira inseparável. Em muitos países, como o Brasil, esse quadro toma dimensões catastróficas. Muitas melhorias foram evidentemente realizadas, como ampliação de escolas, contratação de novos profissionais e muitas crianças, que antes não tinham acesso ao processo educacional, podem contar hoje com a difusão das instituições e de projetos nesse sentido, mesmo em partes bem longínquas do país. No entanto, falta qualidade nesse ensino. Os professores não são bem remunerados, os alunos, por sua vez, não recebem um ensino que privilegie a autonomia e a reflexão do mundo. Na verdade, não se educa para ser, se educa para ter, ter dinheiro, casa, carro, um corpo sarado, já que a escola se tornou difusora das exigências sociais.

O homem de hoje deixará para a posteridade uma sociedade de velhos. Sinônimo de experiência e sabedoria, os idosos se proliferam em todo o mundo, principalmente em países “desenvolvidos” como o Brasil, onde a qualidade de vida deles tem melhorado consideravelmente. “Vive-se mais e melhor”, é a frase dita por muitos especialistas ultimamente. No entanto, mesmo com ampla perspectiva de vida, muitos idosos não são respeitados como deveriam. Eles enfrentam o estigma da beleza, dos corpos sarados e da velhice cirúrgica, a qual retarda marcas e cria verdadeiros fantoches, “Peters Pans” nessa terra do nunca. Também sofrem com o rótulo da incompetência, da inutilidade, como se fossem máquinas que devem ser descartadas quando ficam envelhecidas. Quando são pobres ainda é pior, pois além de tudo isso eles tentam enfrentar a vida recebendo a esmola do governo, em forma de aposentadoria.

Também deixaremos como legado relações destruídas. Pais que não dialogam com filhos sobre amores, drogas, sexo, orientando-os para uma vida saudável e de respeito. Casais com casamentos não duráveis, ora por imaturidade de alguma das partes, ora pela violência, pelo desrespeito e pela falta de cumplicidade. Muita permissividade e pouco controle de pais sobre filhos, já que impor limites na modernidade é sinônimo de caretice. Resultado disso são jovens rebeldes, infantis, mimados, despreparados para sobreviverem sozinhos nesse mundo tão individual como nosso. Nesse ciclo, vão sendo criadas pessoas que não vão respeitar as diferenças e que possivelmente vão alimentar a fome voraz da violência, a qual nem sempre nasce em berços miseráveis economicamente, mas sim na barriga da ignorância, da falta de rédeas, e da ausência de autoridade, estas ferramentas fundamentais para a formação do caráter humano.

Ficará para as futuras gerações uma sociedade de vícios. Hoje nós bebemos compulsivamente e, às vezes, saímos em alta velocidade, num misto de suicídio e assassinato. Como se não bastasse, usamos drogas cada vez mais potentes, na tentativa de fugir da realidade da qual nós mesmos criamos. O homem atual trabalha mais e dorme menos, já que “tempo é dinheiro”, ele não pode perdê-lo com aquela cesta da tarde, tão saudável para o funcionamento do corpo e da mente. Ele também não contempla as belezas que estão a sua volta, o ar, o sol, a lua, o céu, a dádiva de estar vivo, de ver a família unida e com saúde. Essas singelezas são imperceptíveis para ele, uma vez que o imediatismo, a pressa, o consumo, o ter são as palavras que impulsionam a sua rotina, tirando dele a mínima possibilidade, e sensibilidade, de parar e contemplar o mundo e as pessoas ao redor.

A geração do amanhã estará em contato com um mundo cada vez mais tecnológico. De fato, o advento da internet trouxe mudanças definitivas na vida de todos, sejam elas positivas ou negativas. Proporcionando o prolongamento do pensar, em muitos casos, o mundo virtual é usado erroneamente por pessoas que preferem encontrar modelos prontos para tudo, estagnando a própria criatividade e a capacidade de elaboração. Não mais é preciso parar para pensar, mas sim parar para teclar. Com apenas alguns cliques o mundo todo está ao alcance de todos e muitas vezes esse domínio, em mãos erradas, pode trazer prejuízos incontáveis e infindáveis. Mais “Ipads”, “Ipods” e “Tablets”, alimentando a fome do consumismo, e menos controle na navegação, sobretudo com os jovens, grupo este vulnerável aos ataques de pessoas maledicentes e oportunistas. Assim, crescem as manifestações de intolerância, a dependência às redes sociais e o mundo virtual torna-se uma rota de fuga para o individuo contemporâneo, onde seus anseios, desejos e frustrações podem ser resolvidos com a ilimitada capacidade de navegação desse veículo.

Esse é o legado do homem atual para as futuras gerações. Uma sociedade consumista, individualista, com relações fugidias, paixões efêmeras, frivolidades, apelo ao supérfluo e desrespeito ao semelhante. Pessoas que nascem vazias e vão sendo esvaziadas pela falta de autoconhecimento, pela ignorância e pela carência de oportunidades. Numa passagem tão rápida pela terra, o homem moderno se preocupa mais com a construção de grandes prédios, pontes e cidades megalomaníacas, do que com a elaboração de projetos que dizimem a fome do planeta, a violência contra as minorias, à desigualdade da qual cria diferenças subumanas e em manter a salvo a natureza, termômetro vivo da existência humana.

Ao invés de criar armas destrutivas, incitar guerras, propagar a intolerância, alimentar preconceitos vãos e insistir em discriminar os nossos semelhantes, devemos nos preocupar com a construção de um mundo mais acolhedor e pacífico, onde todos terão os mesmos direitos e deveres. Portanto, querer a paz total é algo infelizmente inalcançável, mas desejar um mundo com menos sofrimento, desigualdades e desrespeito deve ser o legado de todos. As mesmas mãos que são capazes de destruir, ferir, julgar e matar, também são hábeis em reconstruir, para melhor, todo esse mar de sangue do qual mergulhamos o nosso caráter com falsas ideologias e comportamentos animalescos. Transformar o presente, com pequenos gestos, mas repletos de grandes atitudes e sentimentos, é legar para as futuras gerações uma filosofia menos egoísta e mais centrada na união.

24.1.12

Parabéns TONHO!!

Tonho
Tonho
Tonho

que com seus desenhos 
faz o mundo mais risonho

neste dia,
vamos colocar cores
do tipo que tem nos balões
e doces

vamos cantar
ao som do 'com quem será'
pra sua festa blogueira animar

um viva,
outro viva,

felicidades
anos
e todo o resto!

hoje, o dia é seu
os posts também

os meus parabéns
vem de gaiato
para você, companheiro
todos os meus bons desejos!





Esses são os votos que tenho pra você TONHO!!
Muitas felicidades!!

Abrasços recheados de carinho
da Extraterrestre!!

Novo Layout by Tonho!



Tonho você é um GÊNIO!

Muito obrigado por dispor de um pouco da sua imensa criatividade, e tempo, para mudar o visual do meu blog. Ficou muito bom mesmo. Eu gostei, minha mãe gostou, meu irmão, aquele amigo que lhe falei, enfim, TODOS. Vai demorar um bom tempo agora para que eu faça uma possivel mudança nele. E se isso acontecer eu já sei a quem recorrer kkkkkkkkk...

Depois confere lá: SER FELIZ É SER LIVRE

Bjoxxxxxxxxxxxxxx no coração querido!

20.1.12

Para o Diogo Didier...

Pedantismo cultural: entre o erudito e o popular

Ler bons livros, escutar boa música, frequentar bons lugares, assistir grandes espetáculos teatrais, conviver com grupos socialmente aceitáveis, tudo isso, em menor ou maior grau, fazia parte da erudição necessária para que o indivíduo fosse inserido entre as elites privilegiadas. De fato, fazer parte dessa redoma cultural engrandece qualquer pessoa, ofertando possibilidade de ampliação de pensamentos e, consequentemente uma visão mais critica do mundo circundante. Por outro lado, quando se cria este limite, elabora-se instantaneamente uma bifurcação entre o culto e o inculto, de modo que o segundo acaba sendo menorizado por não conter as características necessárias para ser incluído no tão assediado mundo da erudição.

Na atualidade, nesta terra da aceleração tecnológica, dos pensamentos rápidos, das conexões fugidias, das inúmeras redes sociais que estreitam as relações interacionais, a sociedade de certa forma contribui para a inclusão do individuo a indeterminadas esferas sociais. Esta inserção, porém, ocorre de forma controversa, uma vez que as pessoas ainda confundem inclusão com presunção. Numa acepção mais clara, muitos indivíduos, para se sentirem partícipes de algum segmento social, extrapolam nas classificações do que é bom, belo, escutável e inteligível, numa frustrante tentativa de parecerem cultos, inteligentes e mecanicamente conectados com a realidade.

Ouve-se então que ler Paulo Coelho, Augusto Curi, Ágata Christi e outros autores, categorizados como populares é uma perda de tempo, visto que a leitura destes não oferece elementos enriquecedores, na opinião dos mais “eruditos”. Diferentemente de ler as obras clássicas de Machado de Assis, Guimarães Rosa e William Shakespeare, autores estes consagrados nacional e internacionalmente, e, assim, aclamados pelos mais conservadores e propagadores da cultura mais clássica. Ora, independente do legado histórico, poético e social, cada escritor exerce uma função primordial ao criar uma obra, seja ela ficcional ou não, a de reportar para o papel o seu entendimento do mundo interior, para um plano exterior, dentro das perspectivas sócio históricas, das quais eles fazem parte.

Nessa trilha de ignorância, aqui no Brasil, a música sofre com o mesmo estigma. Há uma áurea pernóstica que agrupa os sons aprazíveis aos ouvidos, em detrimento daqueles que causam ruídos, cacofônicos, e de pouco requinte musical. Ouvir Tom Jobim, Caetano Veloso, Chico Buarque, entre outros, é sinônimo de bom gosto, de refinamento, mesmo que o indivíduo nem saiba o nome das faixas que canta, nem tão pouco o contexto do qual o cantor e a obra foram criados. Apenas disse-se que gosta de fulano, sicrano e beltrano, porque isso perpassa a ideia de uma cultura aceitável. Em contrapartida, cantores mais populares, de gêneros diversos, sofrem para externar a sua musicalidade, muitas vezes tão rica em identidade e erudição do que qualquer outro cantor renomado.

E essa mentalidade não se limita apenas as artes literárias ou musicais. As plásticas, atribuídas nesse momento ao teatro e a televisão, também são criticamente analisadas pelos difusores do bom gosto artístico. Na televisão, por exemplo, determinados programas e canais recebem a alcunha de serem de qualidade, construtivos e de inigualável significância social, enquanto outros recebem adjetivos pormenorizados como incultos, pobres, insignificantes, etc. O Big Brother Brasil, famoso “Reality Show” da rede Globo, geralmente serve de exemplo para esse tipo de abordagem. De fato, é indubitável que este programa peca em inúmeros quesitos, mas, se olhado de um lado menos preconceituoso, percebe-se que os seus participantes representam a plastificação de uma realidade social externa: pessoas consumistas, em busca de fama e dinheiro fácil, praticando sexo com desconhecidos e fazendo parte de uma grande jogatina onde os valores como amizade, respeito e decência passam longe. Tal comportamento não pode ser depreciado, uma vez que há um valor artístico ai: a representação mimética da sociedade, nua, crua e cruel como ela é. Ou seja, fora das telonas os mesmos comportamentos são visíveis em várias pessoas em contextos também variados.

Na realidade, muitas pessoas necessitam sentirem-se membros de grupos eruditamente aceitáveis, já que no mundo atual ter informação é ter poder, mesmo que este conhecimento seja superficial, e às vezes nem exista. É o sentimento de pertencimento, de fazer parte entre os que leem bons livros, escutam boa música, frequentam bons lugares, assistem bons filmes e programas educativos, ou que se vestem classicamente bem. Toda essa maquiagem social acaba criando indivíduos cegos, ignorantes, pedantes e de ideologia duvidosa, uma vez que para eles não há beleza no que está fora, ou distante do considerado correto ou perfeitamente social. Esquecem-se, porém, que além desse território há outros mundos de inestimáveis riquezas, muitas até inexploradas, esperando para serem investigadas, entendidas e respeitosamente compartilhadas.

Essa fronteira entre o truculento e o erudito em parte é criada pelas elites sociais. Os grupos mais abastados costumam criar perfis, ou categorias a serem seguidas para que um determinado integrante faça parte do seu convívio. E essa máscara não se limitou às relações interpessoais. Na internet, por exemplo, os internautas com postagens mais refinadas, com frases profundas, imagens filosóficas, músicas introspectivas e desconhecidas das grandes massas, são automaticamente classificados como de grande inteligência, bom gosto e eruditos. Contudo, muitos destes são só máquinas reprodutivas do pedantismo social que obriga a prática desses comportamentos. Alguns nem sabem por que agem dessa maneira, apenas reproduzem os estamentos que inevitavelmente serão bem vistos pelo senso comum.

Não se mede a inteligência pelos livros lidos, pelos lugares frequentados ou pelos contatos sociais realizados durante a vida. Ser inteligente é muito mais do que isso. É compartilhar o pouco que se sabe com o outrem, sem o ar de pedantismo que acaba inferiorizando os cognitivamente "menos inteligentes". A inteligência humana é também e, sobretudo, um mecanismo de análise do outro em todas as suas acepções. É compreender a essência da vida e tentar fazer com que o cenário dela seja o melhor possível para si e para os demais da nossa espécie. É entender que todo esse mar de pensamentos supérfluos é efêmero e pode ser substituído por outros, dos quais a valorização do humano esteja em primeiro lugar. Em outras palavras, ser inteligente não está diretamente relacionado com erudição ou classicismo, mas com a possibilidade de ampliar o olhar para a vida e guiar aqueles que, por razões diversas, ainda estão cegos ou limitados. Ser inteligente, portanto, é ser generoso, humilde e libertário.

Eva 'i' Adão, ho.mofo.bia NÃO!

19.1.12

Eu não gosto de gay, Eu odeio gay!


O homem foi feito para a mulher, e virse-versa. Essa é a lei natural da vida, da qual o ser humano não pode mudar, uma vez que tal tentativa estaria indo de encontro com o curso da normalidade exigida pela fé cristã, a qual prega a valorização da família, de um lar onde uma figura masculina e outra feminina devem servir de exemplo para uma educação ímpar. Da mesma forma que as crianças têm que ser educadas a se casarem sempre com o sexo oposto, pois isso é o que a natureza lhes predestinou enquanto personificação das suas próprias genitálias.

Tal pensamento também deve ser levado para a escola, espaço onde as crianças afeminadas, ou masculinizadas, devem ser orientadas a fazer um tratamento para curar o seu comportamento anormal, a fim de se enquadrarem entre os outros meninos e meninas normais. A sociedade, por sua vez, deve impedir que os gays conquistem ainda mais espaço, proibindo suas manifestações públicas, repudiando o beijo nas redes televisivas, adiando projetos que criminalizem essa fantasiosa onda de homofobia e propagando a ideia de que dois homens e duas mulheres não podem sentir afeto um pelo outro, porque isso não está correto, já que vai de encontro com o que Deus, a nossa boa moral e bons costumes, nos ensinou. Só assim a perpetuação da espécie humana escapará de um possível extermínio.

O Brasil e o mundo não podem ficar de braços cruzados vendo os homossexuais dizerem o que a sociedade deve ou não aceitar. Com um discurso de diversidade, esse grupo tenta impor que nossas crianças cresçam num ambiente insalubre, onde o referencial de família não estará mais pautado entre pai e mãe, mas sim entre dois pais ou duas mães. Absurdo, além disso, é o casamento desses indivíduos. Agora a lei deve ampará-los com os mesmos direitos que, nós, heterossexuais, temos inclusive o de adotar uma criança. Se nada for feito agora, coisas bem piores serão garantidas a esse grupo.

Até a televisão brasileira estão cheios deles, dos mais variados tipos, ensinando aos nossos jovens uma postura de lascividade, num país onde o sexo já é para lá de banalizado. Por viver uma vida desregrada, não é de se esperar que sofram com as consequências de seus atos. Constantemente aparecem mortos, fuzilados, estuprados, agredidos de todas as formas, resultado de uma vida de pecado e indecência. Não sou a favor da violência, uma vez que, como cristão, devo pregar o amor ao próximo, porém, acho que a homofobia surgiu para conter essa praga cor de rosa que insiste em invadir a tradicionalidade das famílias brasileiras.

Esta pequena síntese retrata os diversos níveis de pensamento da nossa sociedade quando o tema em questão é a homossexualidade. Muitas pessoas, em pleno século vinte um, ainda argumentam dessa forma para justificar a sua aversão, incompreensão e ódio com relação aos gays. De fato, você que esta lendo este texto, possivelmente pode se identificar com alguma ideia desta, ou com mais de uma delas. No entanto, numa análise racional desse tema, o que leva alguém a odiar tanto a homossexualidade alheia? Por que a nossa sociedade prefere classificar os gays como algo demoníaco, promiscuo, ao invés de tentar entender a realidade desse grupo? E ainda porque há tantas manifestações de violência contra a comunidade LGBTT, desde preconceito velado a violência evidenciada, numa época onde a modernidade, tecnológica e de pensamento, avança deliberadamente? Tenho certeza que, olhando por esse lado, você leitor compreenderá que a sua postura contra os gays pode estar equivocada.

Estas e outras perguntas, por mais prolixas que pareçam ser, são necessárias para descortinar o nevoeiro do qual a discriminação esconde a brutal realidade dos homossexuais. Seja no Brasil, ou em diversas partes do mundo, o repudio a esse grupo sempre perpassa pelas mesmas razões: antinaturalidade, uma vez que o ato sexual deve ser consumado apenas entre gêneros extremos; família, já que a proliferação dos gays é algo não natural e isso poderia afetar a perpetuação de novas crianças; e a religiosidade, principalmente em países católicos, como o Brasil, ou de religiões mais extremistas espalhadas pelo mundo, as quais dizem categoricamente, em discursos e manuscritos, que a homossexualidade fere os dogmas sagrados.

É perceptível, porém, que nesse discurso fica claramente exposto o sexo, como a base para o equilíbrio na terra. Em nenhum momento há uma análise do comportamento humano, em suas variáveis. Ou seja, as pessoas que incitam o ódio, seja de forma contundente como os homofóbicos que continuam a matar gays pelo país afora; seja os religiosos, com suas demonstrações de intolerância, baseados, muitas vezes, numa psedoideologia. Ou ainda os nossos políticos, os quais pouco têm feito para enquadrar a nação entre os países desenvolvidos, neste sentido. Todos eles só pensam no sexo estratificado, mecânico, irracional. Prática esta que garantirá uma prole, a qual seguirá o mesmo legado.

Deste pensamento, alimentado e perpetuado de geração a geração, resultam o preconceito contra o diferente. Já em casa, pais, vitimas da opressão social, ensinam aos filhos que a homossexualidade é pecado, é antinatural. Na escola o caminho também não difere muito. Lá crianças e adolescentes com tendências homossexuais já são logo identificados, discriminados e, consequentemente excluídos do convívio entre jovens da mesma faixa etária. Os professores, pedagogos e direção até tentam frear a disseminação do preconceito neste ambiente, mas, muitas vezes sem êxito, pois falta conhecimento destes e desprendimento para tratar com mais veemência do tema.

E a violência cresce a cada dia. Não me canso de falar isso, porque quase que diariamente nos meios midiáticos aparecem casos de homossexuais sendo brutalmente violentados, alguns até a morte, por causa da não aceitação de pessoas preconceituosas. Estas assumem, em alguns caos, que cometeram tais atrocidades porque não gostavam de gays, ou porque estavam limpando a terra da prática deles, e o pior, alguns garantem que fizeram isso em nome de Deus. Perceba que não há uma justificativa plausível para machucar um homossexual, apenas a reprodução em massa de uma educação sexista que desprivilegia uns em detrimento de outros. Junto a isso ainda há uma carência legal que criminalize os constantes ataques contra os LGBTTs do Brasil.

As pessoas que se autointitulam não gostar de gays, ou até mesmo odiá-los, estão no grupo dos considerados homofóbicos. Não pensem que a homofobia caracteriza-se apenas pela prática de violência contra um homossexual. Na minha concepção, quando alguém propaga uma frase de ódio, como essa que encabeça este texto, está indiretamente espalhando a violência contra os gays. Para alguns estudiosos, as pessoas que se comportam dessa maneira tem conflito com a própria sexualidade e acabam ferindo o outro pela ousadia dele em se mostrar para o mundo, de uma forma que o agressor, inconscientemente desejaria realizar. Em outras palavras, quem odeia homossexuais, possivelmente é um deles, mas com bloqueios quase que indetectáveis.


Sei que a homossexualidade não é algo simples de ser compreendido. Há muitas coisas para serem descobertas neste campo, com respeito e racionalidade. Sei também dos prejuízos que essa educação baseada no sexo fincou na nossa sociedade, modelo que tem discriminado o diferente. Não gosto de fazer apologia à homossexualidade, nem tão pouco a homofobia, visto que a primeira não se escolhe o corpo do qual irá se manifestar, diferentemente da segunda, a qual quem a pratica, em maior ou menor grau, tem consciência dos seus atos.

Assim, afeminados ou masculinizados, travestis, lésbicas, bissexuais, e as mais incompreendidas, as transexuais, todos fazem parte dessa que deveria ser uma família chamada sociedade. Nela, hoje, alimentar certos preconceitos, soa como antiquado, antagônico. Por isso, vamos modernizar a nossa forma de pensar para impedir que esse tsunami de violência extermine os grupos indefesos e minoritários. Da mesma forma que a escravidão declarada contra os negros acabou, temos que acabar de uma vez por todas com a perseguição desmedida e irracional contra os gays. Respeitar as diferenças e semear a paz deve ser valores cultuados por todos

9.1.12

Pelo fim da homofobia, pelo fim da violência

Passear pela calçada de uma rua, em plena luz do dia, pode ser muito perigoso, pois a qualquer momento alguém é capaz de deferir um ataque surpresa, mesmo sem razões aparentes. Demonstrar afeto entre pai e filho também é muito arriscado, uma vez que a orelha de um deles pode ser cortada. Andar de mãos dadas pelas ruas não é um ato tão singelo como parece, porque, dependendo da reação das pessoas, o casal que ousar cometer esta “infração” pode ser severamente penalizado. Essas eufêmicas representações do nosso cotidiano dizem respeito aos ataques sofridos pelos gays durante a ascensão da homofobia no cenário brasileiro. De dia, de noite ou de madrugada, vários homossexuais sofreram, e ainda sofrem, com a fúria do preconceito de uma sociedade que ainda finge aceitar a homossexualidade. Fingimento porque há uma visão pormenorizada desse grupo que vai desde o caricato das novelas, com arquétipos afeminados e com pouco ou nenhuma carga ideológica. Passando até ao perfil transgressor das travestis e transexuais, repudiados, sobretudo pelas camadas mais conservadoras.

Xingamentos, tapas, socos, facadas, tiros, mortes, estas foram às palavras bordadas a sangue no manto da intolerância, vestido forçosamente pelos gays do Brasil durante o ano de 2011. Em tal período, a comunidade LGBTT presenciou seus iguais serem brutalmente feridos em várias partes desse país, mesmo sem saberem ao certo a razão para tamanha selvageria. De braços amarrados pela falta de políticas combativas, no que se refere principalmente a este cenário de horror, os homossexuais até tentaram impelir uma possível posição em defesa das suas causas, com a aplicação do aclamado, mas infame PLC 122, projeto do qual criminalizaria a homofobia por aqui. No entanto, depois de várias idas e vindas, tal projeto vagueia entre os políticos brasileiros, sofrendo inúmeras mudanças depreciativas para os gays, e favorecendo, por outro lado, grupos hipócritas e de ideologias duvidosas que preferem segregar a ter que ampliar os direitos de todos os cidadãos, independente da orientação sexual destes.

Parte integrante do comportamento de todas as sociedades, a homossexualidade amarga a rejeição de um povo que tem como padrão a heterossexualidade revestida de heteronormatividade, ou seja, de regra a ser cumprida à risca, sob pena de sofrer na pele, literalmente falando, o dissabor de tal transgressão. Essa educação sexista é a principal culpada pela propagação da violência contra os gays aqui no Brasil. Isto porque, o modelo educacional da nação, neste sentido, é falho, no que tange a um método que vá além das questões meramente fisiológicas, já que desde cedo se aprende que há meninos e meninas, cada um com modelos estáticos a serem seguidos, da infância até o fim da vida. Essa visão limitada acaba deixando de lado toda a pluralidade da sexualidade humana, a qual não está estagnada às genitálias. Este erro faz com que o diferente não seja visto com naturalidade, o que ocasiona a rejeição, da qual lentamente forma uma feroz avalanche de preconceitos. Dito de outra maneira, estamos produzindo, nas escolas e dentro de casa, futuras maquinas de matar.

Outro culpado disso tudo é um personagem que costuma levar a fama de bom samaritano, por ser responsável pela divulgação massiça da homossexualidade em rede nacional, a mídia televisiva. Sejam em programas de auditório, com quadros específicos sobre a causa LGBTT, sejam nos alegres programas de humor, com seus personagens muitas vezes caricaturados, os gays se fizeram presentes na TV durante o último ano. Sem contar as inúmeras interpretações de homossexuais nas telenovelas, o que deveria ser o inicio de um progresso para esse grupo tão hostilizado socialmente. Entretanto, lamentavelmente as abordagens dadas à homossexualidade pecam por não trazerem a tona subsídios concretos em defesa da causa deles. Contraditoriamente, num país onde o dinheiro público é desviado escancaradamente e a educação pública fingi ser de qualidade, o vergonhoso mesmo é mostrar um casal gay se beijando. O que deveria ser uma pouca vergonha é a falta de caráter de alguns políticos e não uma singela demonstração de afeto. Por causa destas distorções a violência continua a avançar contra o segmento gay do país.

Na verdade, muitos tentam justificar a violência contra os homossexuais, partindo daquele fadado conceito do qual diz que a prática sexual entre iguais contraria as leis naturais do homem, indo de encontro às leis divinas. Esse argumento é muito proferido pelas camadas mais conservadoras, sobretudo as evangélicas, uma vez que elas acreditam que a homossexualidade seja uma abominação e que deve ser contida para que a naturalidade da vida não sofra uma possível interrupção. De forma velada, os adoradores de Cristo acabam contribuindo para a disseminação da homofobia. Em seus discursos palavras como pecado, inferno e anormal soam, para a nossa sociedade iletrada e cognitivamente desfavorecida, como verdadeiras armas de matar. Ou seja, ao invés de espalhar a união entre as pessoas, baseado no amor de Deus, eles, os evangélicos, estão paulatinamente, espero que inconscientes, germinando a violência contra os homossexuais. Tudo porque os gays, para eles, infringem o sagrado, o divino.

Divinal mesmo é o amor em sua total plenitude. Também é o respeito pelo próximo, a tolerância entre aqueles que por alguma razão são diferenciados. Divinal é o sentimento de companheirismo entre os seres humanos, independente se são iguais ou diferentes. É ser aberto a compreender que na vida não se escolhe ser gay ou hétero, magro ou gordo, branco ou negro, homem ou mulher, apenas se é o que é, numa continua construção de caráter e identidade. Ser divinal, neste contexto, não quer dizer ser imoral, porque se amar e querer bem são sinônimos de imoralidade, então esta palavra está sendo erroneamente utilizada. O que é realmente imoral é a violência velada, é o preconceito infundado que fomenta as discriminações mais insólitas. É a nossa falta de compaixão em entender os problemas dos excluídos no intuído de melhorá-los. Isso sim é vergonhoso, pois fere a principal condição humana, o amor. Portanto, para este ano, considerado por muitos como cabalístico e divisor de uma nova era, vamos exterminar qualquer manifestação de violência, sobretudo aquelas ligadas à sexualidade. Todo mundo tem o direito de ser feliz da maneira que lhe foi predestinado e ninguém tem o direito de intervir nisso. O amor, a igualdade e o respeito devem prevalecer daqui para frente.

27.12.11

Comente! (fenômeno FACEBOOK)

Solidão cibernética: qual é o impacto do atual nível de desenvolvimento tecnológico nas relações interpessoais?

A onda agora é está “conectado”. Quem não ouviu essa frase é porque, realmente está desconectado da realidade. Isto porque, com o “boom” da tecnologia, a qual através da internet tem encurtado distâncias, muitas pessoas têm a oportunidade de interagir com diversas outras em qualquer lugar do mundo de forma simultânea. O fenômeno das redes sociais é, nesse sentido, o auge de todo esse avanço que as redes trouxeram para a sociedade. O leque de opções é tão grande que o individuo pode escolher entre o Orkut, Twitter ou a mais nova febre do momento, o Facebook.

Propiciando a criação de perfis dos quais os membros podem expor seus gostos pessoais, dados profissionais e até determinar que pode ou não fazer parte do grupo particular de amigos, essas mídias tem significado uma revolução na vida de todos os que aderem a essa nova mania virtual. O problema, porém, reside na inversão de valores que essa febre midiática tem disseminado. Antes relacionamentos entre amigos, namorados, parentes tinha como base interacional o toque, desde o aperto de mão, o abraço ou o tão intenso e afetuoso beijo. Hoje, no entanto, o contato se resume ao teclado do computador, a representação corporal na “Web Cam” e, é claro, às redes sociais.

O homem moderno parece ter a necessidade de estar incluído, inserido num mundo onde a tecnologia é a mola propulsora da vida, guiando as relações interpessoais numa rapidez tamanha, inferior apenas aquela que corre por dentro dos cabos de fibras ópticas. Tal fato tem desconstruído inúmeros comportamentos interacionais, dentre eles a amizade. Ser amigo hoje não é mais sinônimo de contar segredos, confidenciar amarguras, tristezas e/ou alegrias. Também não há mais aquela aura nostálgica da camaradagem, da qual sentimentos puros como confiança, ternura e companheirismo faziam parte dos calorosos encontros entre as pessoas.

Atualmente isso se resumiu a ser “seguidor”. A palavra compartilhar continua sendo utilizada, mas o seu significado usual perdeu a verdadeira essência. Ela hoje quer dizer postar, sejam fotos, frases, comentários, muitas vezes irrelevantes, dentro das redes sociais. O mais preocupante é a velocidade em que tudo isso acontece, pois enquanto no mundo real uma relação entre amigos sedimenta-se com o passar dos anos, na internet ela acontece numa fração de segundos, ou até o clicar de uma tecla.

As relações amorosas como paqueras, namoros, casamentos, também não são mais as mesmas. Se no passado o ar galante que envolvia a conquista entre as pessoas, desde um olhar, um bom ramalhete de flor, um jantar a dois, um encontro casual numa sala de cinema faziam parte da atmosfera romântica dos casais. No presente, porém, tudo isso tem se perdido. Não há mais jogo de conquista. As pessoas não querem mais “perder” tempo com estas sutilezas, já que na internet existe até rede social para quem precisa arranjar um companheiro.

Tanta “facilidade” tem criado um modelo moderno de relacionamento, onde em alguns casos, pessoas se envolvem emocionalmente com outras, que estão a centenas de milhares de quilômetros de distância. Nesse mundo de relações cibernéticas, nem o sexo conseguiu escapar. Sites, dos mais variados possíveis, garantem o prazer do internauta das formas mais intensas e diversificadas. Vídeos online com profissionais fazendo “Stripe Tease”, masturbando-se ou fazendo o sexo propriamente dito são propostas convidativas aos mais lascivos.

Disso tudo, o mais perigoso são os problemas que vêm imbricados com a velocidade da aceitação do público com esse mundo virtual. Entre eles o bullying é o mais famoso, do qual pessoas se aproveitam do poder midiático dessas redes para propagar discursos de intolerância e violência, desrespeitando, geralmente as minorias. O aliciamento de menores também é uma constante nesse ambiente, onde cada vez mais pessoas são ludibriadas por promessas de carreira, sucesso e fama e acabam caindo na armadilha do tráfico de seres humanos, este que tem levado muitos, principalmente jovens, para o caminho da prostituição e da morte. Por falar em juventude, eles são os principais consumidores das mídias existentes e acabam se tornando as maiores vítimas, devido ao grau de vulnerabilidade que os cercam.

É notório, portanto, que a influência desmedida das redes sociais tem causado profundos danos no comportamento de toda a sociedade. As pessoas estão paulatinamente perdendo o desejo pelo contato corporal e verticalmente estão imergindo nesse mundo mágico, prático e rápido que é a internet. Para muitos, isso é reflexo da globalização que tem impelido uma nova forma de relacionamento. Ou talvez uma necessidade cabal de estar incluído, num mundo onde há uma profunda precisão entre as pessoas em fazer parte de alguma coisa. Pode ser ainda uma ilha virtual, onde as pessoas mais introspectivas ganham vida e aquelas carismáticas ampliam a sua gama de amigo. Independente do que seja, o importante mesmo é que haja uma apurada análise desse fenômeno para que no futuro as nossas relações não se resumam a meros cliques.