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22.1.11

Preconceito tá com NADA!

Criar barreiras internas para justificar posicionamentos pessoais sempre fez parte da personalidade da humanidade e dificilmente isso mudará. As pessoas, inerentemente, constroem limitações as quais impedem a aceitação de tudo o que é diferente. Parece que o novo de alguma forma agredi as normas do tradicionalismo, tão arraigado na sociedade, impedindo que novas percepções sejam agregadas ao modelo que, até então, é considerado correto. A esse procedimento, dar-se o nome de preconceito, ou seja, a atribuição conceitual valorativa a algo que não se tem o total conhecimento, resvalando nas práticas discriminatórias conhecidas por todos.

Como se sabe, durante muito tempo os negros foram escravizados, estigmatizados, marginalizados e segregados da sociedade, vivendo de trabalhos forçados nas grandes senzalas. Depois de muita luta, eles conseguiram a tão sonhada abolição, o primeiro passo para uma possível liberdade. Entretanto, mesmo após a assinatura da Lei Áurea, a qual garantia tal direito, os negros ainda vivem sob o prisma do preconceito, guerreando contra a sociedade para assegurar a execução dos direitos que lhe foram atribuídos com a abolição. Hoje, eles lutam para chegar até a universidade, lutam para garantir um lugar de destaque no mercado de trabalho, lutam para desconstruir o estereótipo de marginalidade atribuído a cor de sua pele, lutam para manter vivas as suas tradições que foram furtadas junto com eles de sua terra natal...

Não muito diferente deles, as mulheres também passaram por muitos obstáculos até chegarem ao perfil conhecido atualmente. Antes, a elas era negado qualquer direito, desde voto a assumir cargos públicos. Vivia-se sob o pensamento de que elas se enquadravam no perfil do “sexo frágil” incapazes de transcender a esse rótulo. Os anos foram se passando e muita coisa mudou, de tal maneira que o Brasil conseguiu eleger a primeira mulher “Presidenta” da história do país. Contudo, a estrada para a igualdade dos sexos ainda está longe de ter um fim, uma vez que perdura uma mentalidade machista, colocando o núcleo feminino em segundo plano. A violência contra elas também é latente e só houve uma significativa mudança depois que uma delas ficou paraplégica, dando origem à tão conhecida e necessária Lei Maria da Penha.

Outro grupo de destaque na escala do preconceito é, sem sombra de dúvida, os homossexuais. Eles são conhecidos por burlarem as normas sociais, nas quais estão fundamentas numa concepção heteronormativa de vida. É comum ver a associação entre eles e as doenças sexualmente transmissíveis (AIDS), prostituição, promiscuidade e uma série de construções pejorativas que tentam desumanizar essa classe. Entretanto, a homossexualidade não é uma peste moderna. Ela sempre existiu e sempre existirá. O que as pessoas precisam compreender é que a sexualidade humana não é estanque, pelo contrário, é um cristal polissêmico em constante mutação. Por isso, desconsiderar todo um passado antropológico/biológico formador da sexualidade humana é como navegar num mar infindo de ignorância.

E o que falar do preconceito contra as religiões afro-brasileiras. Esse é um dos mais absurdos preconceitos vivos da sociedade brasileira. Um povo que foi trazido à força para uma terra desconhecida, teve sua fé, tradições e culturas destruídas, ainda sim, são considerados satanistas, na terra onde ajudaram a construir. O candomblé, bem como outras religiões, acredita em apenas um Deus e tem como principal meta propagar o bem-estar dos seus seguidores. É pura ignorância tentar confrontar os dogmas dessa religião com a base cristã que construiu o Brasil. Cada ramificação religiosa que aqui chegou tem a sua importância para formação espiritual da personalidade dos brasileiros. Não há religião melhor ou pior, ou uma que leve a Deus mais rápido do que outras. O que existe é fé e esse sentimento anda lado a lado com o respeito, outro sentimento ao qual, lamentavelmente está em falta no país.

Como é difícil entender algo que não compreendemos. Seja uma cor de pele diferente das demais, uma orientação sexual que foge dos padrões ou até uma forma de pensar e agir da que não estamos acostumados a ver e ouvir. A verdade é o diferente sempre vai existir para confrontar as “verdades” solidificadas dentro de cada um de nós. Não há pessoa sem preconceitos e nunca haverá, mas têm certos preconceitos que podem ser quebrados se cada um permitir que isso aconteça. Por isso, só nos resta fazer constantes questionamentos sobre a nossa posição no mundo e de que forma nós contribuímos para que ele se torne um lugar melhor, mais tolerante e respeitável.

Momento Bean

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19.1.11

Assumir ou não a Homossexualidade?

Entre tantas dúvidas e escolhas que devem ser feitas ao longo da vida do ser humano, nada se configura como mais difícil do que assumir a própria sexualidade. Ela está entre as mais polêmicas questões que atordoam os valores da nossa sociedade, principalmente quando não segue os padrões sócio-históricos e biologicamente estabelecidos por ela. É nesse momento que entra a homossexualidade, pois, como se sabe, ela ainda não é encarada com maturidade pela população, na qual prefere segregá-la a ter que entendê-la em sua plenitude. Devido a essa barreira preconceituosa que é criada, muitas pessoas sentem-se incapazes de assumir para a família, amigos e para o resto da sociedade que é gay, por puro temor de ser expulso de casa e do convívio social, do qual é atribuído a nossa educação como crucial para a convivência/sobrevivência com outras pessoas.

Se estivéssemos nos tempos áureos da inquisição, época em que a Igreja Católica regia as normas sociais, com certeza escancarar a homossexualidade não seria uma atitude bem acertada. Entretanto, atualmente os tempos são outros e mesmo com tanta discriminação e intolerância, é inegável os avanços educacionais que a nossa sociedade adquiriu quando nos referimos à homossexualidade. Então onde mora o medo de assumir tal posicionamento frente a outras pessoas? Por que muitos homossexuais ainda preferem viver as escondidas, praticando lascivamente as suas relações sexuais? Do que eles tanto têm medo?

Mesmo não vivendo na época da caça as bruxas, ser gay ainda é sinônimo de algo pejorativo, caricato, transgressor e anormal. Pejorativo, pois para alguns a homossexualidade está intimamente ligada à imoralidade/amoralidade, ou seja, imoral significaria dizer que estão acima da moral e amoral significaria sem moral. Caricatos por que ainda perdura o pensamento limitado de que todo gay é efeminado e com trejeitos femininos, como se todos eles não fugissem a risca nesse sentido. Nesse âmbito eles são vistos como transgressores, pois não se enquadram na realidade pré-moldada pela sociedade da qual fazem parte. E, por fim, anormais, uma vez que realizam práticas das quais não andam em conformidade com a maioria da população.

Por causa desse breve balanço social, aberto a outras inserções, muitos gays não se arriscam a assumir publicamente a sua homossexualidade. O primeiro desafio está em casa. Lá é sem dúvida o pilar de sustentação que manterá o individuo até que ele possa andar com as próprias pernas. Como dizer então para pai e a mãe, pessoas das quais devemos amor e gratidão e que esperam tanto de nós, algo desse tipo? Esse é uma das perguntas que ecoam, atormentando muitos que já passaram por essa situação. Em seguida, vem o restante da sociedade. Como as pessoas vão receber a noticia da minha orientação sexual? E nesse instante um medo incontrolável toma conta de você, dominando sua mente e fazendo-o fraquejar na hora de tomar a decisão final.

Não há uma receita pré-definida, nem tão pouco exemplos a serem copiados. Cada caso é único e cada pessoa sabe dos limites e dos pensamentos dos indivíduos que os cercam. Porém, na maioria das vezes, a posição mais acertada é assumir a sexualidade e aliviar esse peso que martiriza os ombros. De cara a família deve ser a primeira a saber. Contar para aquele parente que se tem mais intimidade, seja irmão (a), primo (a), cunhado (a) e etc., ajuda, até chegar a uma instância maior: pai e mãe. Estes são os principais obstáculos a serem enfrentados, sobretudo quando não se há um bom diálogo para as questões de ordem sexual em casa. A mãe, que em geral é mais receptível a esses assuntos, deve ser a primeira a ser informada. Ela lhe ajudará a entender esse momento tão complexo da vida e lhe dará o apoio adequado. Já a figura paterna, geralmente enxergar com dificuldade esse assunto, mas, pouco a pouco vai cedendo. Vale lembrar que toda essa metodologia não é estanque e pode variar de família para família, de caso para caso. Apenas acredito que quando a família recebe a noticia de que o filho é homossexual da boca dele, os transtornos são bem menores do que se outrem falasse.

Caso os seus parentes aceitem ou entendam a sua orientação e/ou identidade de gênero, ótimo. Caso isso não aconteça, não se desespere, pois, dependendo da sua índole, eles lentamente irão se acostumar com a idéia, aprendendo a respeitá-lo. Você só não pode cobrar algo deles do qual infelizmente eles não estão preparados, ainda. Lembre-se que há muito desconhecimento sobre a homossexualidade que resvala nos estereótipos amplamente conhecidos e propagados pela sociedade. Nesse momento o mais sensato é aguardar o tempo que cada família tem de digerir a noticia de ter um filho (a) gay.

Nada na nossa vida é de difícil resolução se não soubermos como dialogar. A homossexualidade é um exemplo crasso disso. Ela pode e deve ser amplamente vivida por qualquer pessoa, desde que se tenha respeito e maturidade. E não importar o seu perfil: machudo, efeminado, Drag Queen, travesti ou qualquer outra ramificação do tipo. O que realmente interessa é a sua plena convicção de felicidade. Se você acredita que viver as escondidas, sem que ninguém saiba da sua orientação sexual, lhe faz bem, então não deixe que ninguém furte isso de você. Mas, se por outro lado, você pensa que a felicidade está em assumir para todos que você é feliz por que é gay, ótimo. Seja qual for a sua escolha, não deixe de assumir antes para si próprio que é homossexual e que isso lhe faz bem, completo e vivo. Não veja a sua homossexualidade como um tormento, um peso. Assumir para si próprio, aceitando-se, facilitará para que outras pessoas lhe aceitem também e lhe vejam com outros olhos. E seja feliz sempre, pois

SER FELIZ É SER LIVRE!



BLOGUEIRO no PODER

Mundo

Tunísia: blogueiro dissidente é nomeado ministro

Blogueiro (dir.) cumprimenta presidente interino ao assumir como ministro - Foto: / AFP

O Globo
Há apenas uma semana o blogueiro Slim Amamou estava na cadeira de um dos centros de interrogatório do Ministério do Interior em Túnis, com as mãos atadas e ouvindo gritos que, segundo seus algozes, eram de parentes sendo torturados. Nesta terça-feira, ele assumiu o cargo de ministro da Juventude e do Esporte no novo governo tunisiano.
O caso do dissidente é um dos que elucida melhor as mudanças em curso na Tunísia, que tenta sustentar um governo de coalizão após a fuga do ditador Zine el-Abidine Ben Ali.
"Partisan da neutralidade na internet", como se autodemomina, Amamou e seus outros colegas blogueiros conseguiram nos últimos anos fazer circular informação em meio à ditadura de Ben Ali, dona de um dos mais avançados sistemas de repressão on-line do mundo, capaz de fazer inveja até a China e Coreia do Norte.
Leia mais em Sem ditador, novo governo da Tunísia tem blogueiro dissidente como ministro

18.1.11

Ivan Lessa, bem humorado

Bobas bodas reais

Ivan Lessa, BBC Brasil
Evém besteira aí. Da grossa e graúda. Casamento já é um negócio meio bobo. Enlace piora muito as coisas. Matrimônio é quando a data para a separação – escandalosa, ruidosa – já vem com os votos e as juras trocadas pelo casal de nubentes e é lida por quem oficiar a cerimônia em voz alta e empostada.
Eu falei em "nubentes". Nunca conheci um casal de "nubentes" que tivesse ficado junto por mais de dois anos. A separação é acrimoniosa e sai em primeira página de jornal, quando não das ocorrências policiais.
Claro que estou me referindo ao infausto acontecimento que terá lugar no dia 29 de abril na Abadia de Westminster, aqui em Londres, conhecida por sua arquitetura e por (toque, toque, toque, toque) dar um tremendo de um azar a quem lá se aventurar a contrair núpcias. Taí, "contrair núpcias" eu me esqueci de botar no meu rol de sandices arqueológicas verbais.
29 de abril. Ainda falta tempo. Muita água a deslizar por muito barranco e correr por muita terra nos quatros rincões da Terra (numas mais que as outras), mas aqui, talvez devido à euforia de uma nevasca emborrascada que veio e já se foi, não se fala em outra coisa nos meios onde rareiam os assuntos interessantes.
Abramos o jogo, ingressemos Abadia adentro, façamos caras de tolos, pois já as temos se lá fomos ter, e examinar mais de perto as Bodas Reais, que é como estão chamando o casamento do segundo cavalheiro na ordem de ascensão ao trono do Reino Unido, o príncipe William, com Kate Middleton.
Pena que o filme com Gregory Peck e Audrey Hepburn em inglês tenha se chamado Roman Holiday e não, como no Brasil, A Princesa e o Plebeu. Se não, já sabemos, aqui, como aí, só dariam nota a respeito com pelo menos um "o príncipe e a plebeia". Fica para outra. "Feriado Romano" só se tiver Berlusconi no meio.
A cerimônia vai ser oficiada pelo general Hoyt-Phillips. Mentira, mentira, corro para não pegar prisão ou ser tratado como ditador tunisiano, Julian Assange ou policial infiltrado em meios semi-subversivos. Não quero enganar bobo algum em nenhuma casa de ovo. A cerimônia vai ser oficiada, em trajes eclesiásticos, mas nunca, nunca civis, pelo Arcebispo da Cantuária, que os ingleses, coitados, em sua ignorância e "deixa pra lá" com o resto do mundo, insistem em chamar de Canterbury. Papalvos, digo eu, papalvos, repito.
Leia a íntegra do artigo em Bobas bodas reais

17.1.11

É a pura verdade

Irresponsabilidade em cadeia (Editorial)
O Estado de S. Paulo
Não passa de escapismo político a tentativa de alguns governantes de atribuir a fenômenos naturais os dramas que, periodicamente, afligem as populações de determinadas áreas e às vezes se transformam em imensa tragédia humana, como ocorreu na região serrana do Rio de Janeiro.
As pessoas não morrem por causa das chuvas, disse ao Estado a diretora do Centro para a Pesquisa da Epidemiologia de Desastres, Debarati Guha-Sapir, considerada uma das maiores especialistas do mundo em desastres naturais. As pessoas morrem porque "não há vontade política para resolver seus dramas, que se repetem ano após ano". A principal causa de tantas mortes em desastres naturais é o descaso político, resume ela.
Um exame das políticas públicas - ou da falta delas - de proteção de populações contra desastres naturais mostra, de fato, uma extensa cadeia de imprevidência, incompetência administrativa, incapacidade técnica e irresponsabilidade política. Trata-se de um problema antigo. Espera-se que as dimensões da tragédia do Rio de Janeiro finalmente alertem as autoridades para a questão e as forcem a elaborar políticas e projetos que evitem sua repetição.
As falhas são nítidas na esfera municipal, onde programas de defesa civil foram negligenciados e a intensa ocupação de áreas de risco foi tolerada. Cabe às prefeituras impedir a ocupação dessas áreas. Mas isso é só o começo dos problemas.
Na área federal, quando há dinheiro, só uma parte, às vezes ínfima, é aplicada. É injustificável que, mesmo após a tragédia em Angra dos Reis, em 2010, quando um deslizamento provocou a morte de 53 pessoas - em todo o Estado do Rio, as chuvas causaram 74 mortes no ano passado -, apenas R$ 1 milhão tenha sido liberado para o governo fluminense pelo Programa de Prevenção e Preparação para Emergência e Desastres, do governo federal.
O governo Lula caracterizou-se, entre outros aspectos negativos, pela notória dificuldade de administrar os recursos de que dispôs para investir em programas como os de prevenção de desastres naturais.
Mas o problema não se limitou à esfera federal. Governos estaduais não se habilitaram a receber a parcela que lhes poderia ser destinada, e alguns governadores, como o do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, ainda se declaram satisfeitos com o apoio que recebem do governo federal.
Leia a íntegra do editorial em Irresponsabilidade em cadeia

*¨*¨¨¨***¨¨*¨¨*Nenhuressense *¨¨**¨*¨¨¨**: SOPAS DE ERVA

*¨*¨¨¨***¨¨*¨¨*Nenhuressense *¨¨**¨*¨¨¨**: SOPAS DE ERVA: "Misture-se umas cabeças em dois dentes de alho. Vai ao narguilé a esturgir e engula-se de pronto. Recolha a respiração e inspire duas vezes...."

Se ele fosse no Brasil....

Se o HARRY POTTER
fosse brasileiro ele subia na vassoura e gritava: 
- É nois que voooa bruxãoooo!!!!

hahahahhahah'

15.1.11

Pra onde ir? → RIO

Vamos pra COPA... não é a COPABACANA!


Família Malvino - Notícias

Olá Pessoal,

Estive ausente por uns dias por motivos de forças da Natureza. Nossa cidade está sem luz, sem água potável, sem telefone celular e fixo, como todos já devem estar a par por intermédio dos noticiários. Graças a Deus eu e Norma - minha esposa - saímos de Friburgo e estamos a salvo no Rio de Janeiro.
Vamos aguardar que a cidade nos ofereça o mínimo de estrutura para que possamos dar um rumo certo para a nossa vida.
Obrigado aos amigos e até a próxima, se Deus quiser, com notícias melhores.

Luiz Malvino
15jan2010

2 x 2


14.1.11

Homens que São Mulheres



De todas as discriminações sociais, a mais pérfida é a dirigida contra os travestis.

Se fosse possível juntar os preconceitos manifestados contra negros, índios, pobres, homossexuais, garotas de programa, mendigos, gordos, anões, judeus, muçulmanos, orientais e outras minorias que a imaginação mais tacanha fosse capaz de repudiar, a somatória não resvalaria os pés do desprezo virulento que a sociedade manifesta pelos travestis.

Quem são esses jovens travestidos de mulheres fatais, que expõem o corpo com ousadia nas esquinas da noite e na beira das estradas? Apesar da diversidade que os distingue, todos têm em comum a origem: são filhos das camadas mais pobres da população.

A homossexualidade é tão velha quanto a humanidade. Sempre existiu uma minoria de homens e mulheres homossexuais em qualquer classe social; caracteristicamente, no entanto, travestis só aparecem nas famílias humildes.

Na infância, foram meninos com jeito afeminado, que se tivessem nascido entre gente culta e com posses, poderiam ser profissionais liberais, artistas plásticos, empresários, costureiros, atores de sucesso. Mas, como tiveram o infortúnio de vir ao mundo no meio da pobreza e da ignorância, experimentaram toda a sorte de abusos: foram xingados nas ruas, ridicularizados na escola, violentados pelos mais velhos, ouviram cochichos e zombarias por onde passaram, apanharam de pais e irmãos envergonhados.

Em ambiente tão hostil, poucos conseguem concluir os estudos elementares. Na adolescência, com a autoestima rebaixada, despreparados intelectualmente, saem atrás de trabalho. Quem dá emprego para homossexual pobre?

Se para os mais ricos com diploma universitário não é fácil, imagine para eles. O máximo que conseguem é lugar de cozinheiro em botequim, varredor de salão de beleza na periferia ou atividade semelhante sem carteira assinada.

Vivendo nessa condição, o menino aprende com os parceiros de sina que bastará hormônio feminino, maquiagem para esconder a barba, uma saia mínima com bustiê, sapato alto e um bom ponto na avenida para ganhar numa noite mais do que o salário do mês.

Uma vez na rua, todo travesti é considerado marginal perigoso, sem nenhuma chance de provar o contrário. Pode ser preso a qualquer momento, agredido ou assassinado por algum psicopata, que nenhum transeunte moverá um dedo em sua defesa. “Alguma ele deve ter feito para merecer”, pensam todos.

Levado para a delegacia irá parar numa cadeia masculina. Como conseguem sobreviver de sainha e bustiê em celas com vinte ou trinta homens, numa situação em que o mais empedernido machão corre perigo, é para mim um dos mistérios da vida no cárcere, talvez o maior deles.

A condição de saúde dos travestis é precária. Não existe um serviço de saúde com endocrinologistas para orientá-los a respeito dos hormônios femininos que tomam por conta própria. Muitos injetam silicone na face, nas nádegas, nas coxas, mas sem dinheiro para adquirir o de uso médico, fazem-no com silicone industrial comprado em casa de materiais de construção, injetado por pessoas despreparadas, sem qualquer cuidado de higiene. Com o tempo, esse silicone impróprio escorre entre as fibras musculares dando origem a inflamações dolorosas, desfigurantes, difíceis de debelar.

Ainda os portadores do vírus da AIDS encontram algum apoio e assistência médica nos centros especializados, locais em que os funcionários estão mais preparados para aceitar a diversidade sexual. Nos hospitais gerais, entretanto, poucos conseguem passar da portaria, barrados pelo preconceito generalizado, praga que não poupa médicos, enfermeiras e pessoal administrativo.

Os hospitais públicos deveriam ser obrigados a criar pelo menos um posto de atendimento especializado nos problemas médicos mais comuns entre os travestis. Um local em que pudessem ser acolhidos com respeito, para receber orientações sobre uso e complicações de hormônios femininos e silicone industrial, prevenção e tratamento de doenças sexualmente transmissíveis e práticas de sexo seguro.

A saúde pública não pode continuar dando as costas para essa minoria de homens, só porque eles decidiram adotar a identidade feminina, direito de qualquer um. Quem somos nós para condená-los?

Que autoritarismo preconceituoso é esse que lhes nega acesso à assistência médica, direito mínimo garantido pela constituição até para o criminoso mais sanguinário?