DESABAFO DE UM MARIDO - | ||
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onde o anonimato não é permitido
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HISTORIA NO OLHAR DIREITO - ASSEMBLEIA DE PINGUINS | ||
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http://klictossan.blogspot.com
Papagaio de todo telejornal
Servindo-me da 1ª página do
Jornal PÚBLICO, de 29 de Agosto
e do título do artigo de Pedro Rosa Mendes.
Ideias arcaicas,


Que personagem avaro
Navegando pelos blogs, encontrei essa foto incrível feita pelo João Menéres, do blog Grifo Planante. A foto faz parte de uma reportagem que ele fez documentando um Encontro de Blogueiros em Lagos e foi tirada num passeio de barco ao longo da costa entre Lagos e Porto de Mós, em Portugal. Vale a pena ver a reportagem, clicando AQUI.Uma carta com história Velhas querelas Meu caro Guzzo,Rio, 16.1.1980 Só agora, estranhamente, recebi sua carta do dia 8 (colocada no correio dia 12). Senão já teria respondido, claro. Em primeiro lugar a moral da história: uma publicação - como aliás qualquer tipo de empresa - tem todo o direito de estabelecer suas regras, premissas e normas de comportamento ou ação, desde que fundadas no bom senso, etecetera. Senão, evidente, não vingam. A sua posição - da revista - acho perfeita e absolutamente válida. Mas... Mas, quais são os limites da linguagem? Quem os traça? Claro, a revista pode traçá-los. Bunda não sai. Mas corremos o risco de ficar esclerosados como o JB, que até hoje grifa todas as palavras que define como gíria e chega ao ridículo, assim, de grifar pra, por achar que isso é gíria (o grifo é meu) de para. Veja bem o caso em tela. (Estou escrevendo em tela de propósito, tem gente que ainda escreve assim e, claro, só os de sua própria geração entendem. Os mais novos pensam que se está falando de cinema.) Minha frase: Tanta plástica no rosto, no seio, na bunda e ninguém aí pra inventar uma plástica no caráter.Que palavra eu usaria, meu caro Guzzo, sobretudo numa época de permissividade? Nádegas? Olha, essa, sim, eu juro que morreria de vergonha. Traseiro, pompom, bumbum, assento, posterior. Não, eu tinha que usar bunda, a palavra certa, bonita, essa bonita palavra africana. Se eu usasse, por exemplo, qualquer uma das palavras acima, estaria diminuindo a minha própria língua, usando um eufemismo tipo gracinha (como sou um humorista profissional me vedo o direito de fazer gracinhas) sem sentido, i.e.força. Se eu usasse rabo, muito embora seja palavra extremamente expressiva, você poderia dizer que eu estava forçando a barra (no contexto Veja). Mas bunda, hoje, para usar uma expressão de uma língua de que somos familiares, é uma household Word. Mas, muito bem, Guzzo, veja o perigo; vetamos bunda. Eu concordo. Todos concordamos. Mas, se, de repente, precisamos nos referir à língua bunda (se você escrever língua bunda, como eu escrevi aí, vai soar, ao puritanismo natural da maioria dos leitores, muito mais forte do que na minha frase vetada) dos angolanos? Diz. Deixo de escrever? Você há de achar estranho que eu dê tanta importância ao fato bunda. Mas, geralmente, aceito com mais facilidade as coisas mais "importantes" (tipo "vamos dar uma descansada na Petrobrás" ou "dá pra parar de chatear um pouco o Delfim?") onde se pode ver claramente os compromissos, os riscos e os interesses, do que nessas outras, aparentemente menores. Sem contar que não quero coroa de louros, não, pode dar pros filólogos da Academia - me considero, no ramo uso de palavras uma pessoa de grande sensibilidade, supostamente capaz de trabalhar no fio da navalha, entre a extrema invenção e o clássico, entre o perigo do chulo e a beleza do bem comportado, entre o máximo de descontraimento e o máximo de precisão. Vivo disso, aliás. Você sabe que não é a mesma coisa traduzir, botar em português, o seiscentismo do Shakespeare e a ultima gíria de negros americanos. E, no terreno vanguarda - com licença da palavra, desde O Cruzeiro até O Pasquim, nós estávamos lá, inventando, reconstruindo, fazendo permanecer viva a linguagem. Meu maior título de glória (quase ninguém sabe, você passa a ser dos poucos informados disso) é ter praticamente inventado a expressão paca, de curso, hoje, nacional. Está registrado no meu livro "Trinta anos de mim mesmo": publicado pela primeira vez no O Cruzeiro em 1957 (!). O Ziraldo me disse: "Essa não sai .Saiu, e não aconteceu nada, porque pouca gente conhecia a palavra. Que, aliás, dizer a verdade, eu não inventei. Mas era, também, uma household word do meu grupo de meninos no Meyer.Tão usada que fazíamos variações (o cansaço traz, fatalmente, inovações linguísticas): paca, praca, páraca. Tudo maneira de eufemizar euforicamente o proibidíssimo, praticamente criminoso, na época: Pra caralho! Hoje, com a permissividade, paca nem terá surgido: qualquer freira diz, sem ruborizar, a expressão-mãe. Em suma, o que me parece claro é que as palavras e expressões não são boas nem más em si mesmas. Dependem de quem as usa, do contexto em que são usadas. De quem as usa porque, se Tristão de Ataíde, de repente, começar a usar gírias e palavras audaciosas vão pensar que ele ficou gagá. Mas, por outro lado, no teatro atual, quando você sente que o autor quis dizer uma palavra forte e não a disse por pruderie a coisa soa falsa. O personagem quer dizer, o autor, mais recatado do que ele, não deixa. Quanto a mim, quanto a meu próprio comportamento lingüístico, não tenha receio. Claro que, se eu desmunhecar, isso poderá ter uma certa gravidade para VEJA. Para mim porém será fatal. Sou uma célula de VEJA, mas o total de mim mesmo. Porém, Vecchio uomo - sou mais antigo e mais experiente no setor do que a revista. Não tema, porém. Não paro de pensar, de ver. Não me perco. Não estou me perdendo. Não vou me perder. Não tenho ânsias. Estou com você (é evidente isso, em quase todos os órgãos da nossa imprensa) embora você não tenha chegado a explicitá-lo: inúmeras publicações estão como certas mulheres que, tendo adquirido o direito de dar pra quem bem entendem se sentem na obrigação de dar pra todo mundo. O resultado nós sabemos qual é: uma imprensa que pensa ser liberta quando está, realmente, sendo apenas pornográfica. Que pensa ser de esquerda quando já está querendo tirar a direita do lugar, empurrando-a por trás, fechando a rosca. Uma imprensa reivindicatória só da boca pra fora e longe do balcão. Está faltando a coisa mais antiga, mais condenada desde há algum tempo: bom senso. Não a mim, porém, meu caro Guzzo. Em tempo: o alongamento da resposta é pelo gosto da discussão. Saindo da bunda e permanecendo mais ou menos nela - a posição de vocês de modo geral é boa, a revista continua mantendo seu prestígio, a relação de vocês com meus escritos bastante democrática, o que espero, se estende, ou se estenda também a todos os outros colaboradores de menor nome mas de igual responsabilidade. Gaiatices, gracinhas e modismos "revolucionários" é que não interessam a ninguém. Nem freio, claro. Precisamos discutir um dos detalhes importantes na revista mas isso não cabe aqui. Um abraço e que a venda de Veja continue abundante. Enviada pelo José Luiz Fernandes |