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9.2.14

O beijo muda o mundo


O beijo é uma das práticas mais antigas da humanidade. Suas aparições configuram desde a era pré-cristã, envolvendo o encontro entre os lábios das pessoas em outras, ou em objetos. Sua significância também é bem ampla. Passa pela afeição, carinho, respeito, sexo e até os sentimentos ruins como inveja, falsidade, hipocrisia, etc. No geral, nossos impulsos mais humanos são realizados a partir do beijo, para enfatizar nossos desejos, sexuais ou não, pelo outro. Com o tempo, porém, esse ato foi ganhando algumas restrições e, à medida que a humanidade avançava, novos modos de encará-lo foram sendo tomados. O que antes era carinhoso, hoje se tornou vergonhoso, sobretudo quando ataca as normas sociais vigentes. Agora, disso tudo, o que não mudou foi a sua importância, pois ao longo da história o beijo foi capaz de estabelecer grandes mudanças para toda a humanidade.

Quem não se lembra do beijo que Judas ofertou a Jesus Cristo. Infelizmente, o mais famoso e lembrado do mundo não foi realizado a partir de um ato de amor. A traição de Judas personificou-se num singelo beijo no rosto. Disso, podemos inferir que, mesmo sendo fruto de uma traição, ele teve a sua importância. Na verdade, ao beijar desonrosamente a face de Cristo, Judas nos dá um exemplo de como o ser humano pode ser maledicente, mesmo nas práticas mais sublimes. Como nós somos hipócritas uns com os outros, beijando indivíduos dos quais nutrimos sentimentos contrários ao afeto. O beijo de Judas também serviu para a consagração de Cristo na terra e, evidentemente, a Sua perpetuação ao longo do tempo. Ou seja, da covardia de um nasceu à ascensão do outro. Beijar, então, nesse exemplo, deixou dois legados: o de refletir sobre a imensa capacidade humana de falsear seus sentimentos e, ao mesmo tempo, a infindável soberania do bem sobre o mal.

Maldade essa que também teve avolumadas modificações ao longo da história. Grandes autoridades do mundo, que passaram anos se digladiando, beijaram-se em sinal de paz, selando uma trégua através do encontro entre seus lábios. O fim de uma guerra também já foi motivo para marcantes beijos ao longo da história. Em 1945, por exemplo, em plena Times Square, um marinheiro e uma enfermeira selaram um dos mais incríveis beijos da história, em comemoração ao fim da II Guerra Mundial entre os Estados Unidos e o Japão. Na época, a fotografia foi imortalizada pela revista “Life” e sempre é lembrada como símbolo de conquista, sobretudo levando-se em conta a vitória americana na guerra e a sua soberania mundial depois disso. Mesmo anônimos, os personagens do beijaço pós-guerra serviram de modelo histórico do poderio estadunidense, ampliando a força desse país para o mundo.

Por aqui, faz pouco tempo que o Brasil se surpreendeu com o beijo gay entre os personagens de Matheus Solano e Thiago Fragoso, no último capítulo da novela global, amor à vida. Como era de se esperar, a repercussão de dois homens se beijando, em pleno horário nobre, deu muito que falar, sobretudo para aqueles que encaram ainda essa demonstração de afeto com estranheza.  No entanto, para além da “polêmica” em torno desse ato, devemos centralizar nossos olhares no personagem principal de tudo isso: o beijo. Ele que ganha múltiplas conotações de cultura para cultura e suscita em nós as mais variadas sensações. Entretanto, mesmo sabendo disso, agimos com profunda ojeriza ao ver a materialização do beijo entre homossexuais, como se houvesse uma inverdade no ato, ou ainda, como se o beijo estivesse destinado ao campo exclusivo da heterossexualidade. Por causa dessa “exclusividade”, o país não avança no combate ao preconceito de gênero e orientação sexual.

Mas, o beijo não é apenas símbolo de polêmicas. No cinema, ele embala os casais apaixonados, despertando as mais intensas sensações nos telespectadores que sonham em viver um amor tão intenso quanto daqueles personagens que se beijam loucamente. O beijo também pode ser fraterno, como de uma mãe ao acariciar seus filhos com os lábios, orientando-os para a vida. Beijar ainda pode manifestar um profundo respeito por quem recebe esse gesto. Geralmente, o beijo respeitoso é direcionado a pessoas que ocupam posições hierárquicas, como políticos, religiosos, e idosos. Diante disso, nos perguntamos como intenções tão comuns poderiam mudar o mundo. O beijo de amor pode desembocar numa grande história romanesca. O beijo materno pode nos livrar dos males que os percalços da vida nos proporcionam. O beijo respeitoso pode curar feridas antigas e ainda tornar o mundo num lugar gerido pela tolerância. Ou seja, o beijo muda a nossa vida, o mundo.

Não tem como não falar de beijo sem mencionar a clássica obra escultural de Auguste Rodin, denominada simplesmente como “O Beijo”. Simplicidade esta que se encerra no nome, pois a intensidade com que foi talhada essa escultura denota a mimética realidade com que o beijo é realizado entre nós. O aconchego ardente entre os lábios de um casal apaixonado, que encontra na boca do outro um refúgio perfeito. Beijar, então, significa tudo isso e não pode ser estigmatizado por preconceitos ou tabus ancestrais, que reduzem essa prática a determinados nichos.  Se há verdade no beijo então que ele seja concretizado. A história tem mostrado que, para bem ou para mel, o beijo teve e tem a sua significância. Ignorá-lo significa tangenciar a mudança que a sociedade inevitavelmente vivencia. O melhor é evitar certos bloqueios e dar espaço para a mimetização do amor, pois como dizia Drummond “o amor é grande e cabe no breve espaço de beijar”.

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