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25.1.14

Violência internalizada


Sempre que leio uma notícia sobre um homem bomba, imagino a coragem que esse indivíduo teve para implodir o próprio corpo para levar a cabo sua ideologia. Não é para qualquer um realizar esse feito. É preciso, antes de tudo, ter coragem e convicção da complexidade desse ato. Por mais controverso e polêmico que ele seja, engana-se quem pensa que não há homens-bomba no Brasil. Infelizmente há. Não me refiro ao indivíduo suicida, falo daqueles que possuem uma violência internalizada, sem ideologia nem causa, a qual é diariamente manifestada, muitas vezes sem razões aparentes. É só a necessidade de bater no outro, de mostrar que é controlador, dominador e superior. Ou seja, diferente daqueles que entregam seu corpo por alguma causa, seja ela nobre ou não, no oriente. Por aqui, nossa brutalidade é pura e simplesmente fruto da ignorância, insensatez e de uma herança histórica que nos legou sementes violentas que germinam até hoje dentro de nós.
Baseado nisso, cometemos atos de violência por qualquer banalidade. Basta que alguém pise no nosso pé para que uma verdadeira fera seja despertada. Não há desculpa que dê jeito, o que resolve mesmo é revidar com outro pisão a altura. No trânsito também nos comportamos com brutalidade. Buzinadas furiosas, palavrões, xingamentos, fazem parte desse circo de horror. Os mais alterados, saem dos seus veículos e resolvem tudo ali na tapa, às vezes até a morte. Quando são abordados pela polícia rodoviária, são grosseiros, recusam-se a cumprir as exigências legais. Os que não possuem veículos particulares recorrem aos ônibus e outros meios públicos de transportes. Neles, passageiros se atritam com motoristas, com cobradores, com os próprios passageiros, geralmente pelas razões mais ínfimas.

Chegando ao trabalho, ao colégio, seja lá qual for o destino, um colega faz um comentário, que é mal interpretado, pronto, já é motivo para se iniciar uma briga. Nesse ringue, nem os chefes, ou superiores, escapam. Basta ser chamada atenção para que uma fagulha de discussão seja acesa e o fogaréu esteja formado. Impacientes, impassíveis e resilientes, muitos de nós deixamos o estresse do dia a dia dominar nossas emoções, despertando uma selvagem violência que poderia ser contornada se fôssemos educados a sermos pacientes e mais tolerantes com o outro e com a vida em si. Além disso, numa sociedade acostumada a bater e não dialogar, o resultado é o crescente índice de violência em diversas capitais, onde geralmente os crimes são cometidos pelos motivos mais insignificantes possíveis.
E engana-se quem pensa que essa avalanche de violência está apenas ligada ao estresse cotidiano. Nos momentos de lazer, em que se imaginavam pairar a paz suprema, eis que surge a violência para negritar aquele que parecia ser um instante de prazer. É muito comum, por exemplo, em shows ou ambientes repletos de pessoas, que a violência internalizada dê seu ar da graça. Basta que alguém derrube um gole de bebida em você, bata na sua mesa ou cadeira, esbarre quando você estiver dançando ou saindo do banheiro. Tudo isso já é motivo de sobra para tirar satisfação com o indivíduo que, desatento, irrompeu a fronteira do outro. “Não olha por onde anda, não?” Diz aquele mais alterado. “Tá cego, meu amigo?”, diz outro com o mesmo tom. Isso, é claro, quando palavrões e empurrões são usados para denotar a indignação daquele que se sentiu violado.

A coisa piora se o indivíduo estiver acompanhado. Se for homem com a sua companheira e um terceiro elemento ousar se direcionar para ela com um olhar, mesmo que não seja maldoso, ou simplesmente esbarrar nela, está feita a confusão. O mesmo acontece ao inverso, quando muitas mulheres saem irradiadas em cima de outras que ousaram invadir seu território, direcionando-se aos seus homens. “Tá olhando o quê?” Essa indagação é comumente usada nestas situações por aqueles que, diante de uma fúria incontrolável, não suportam nem sequer serem encarados. Isso se dá porque o ser humano, como qualquer outro animal, possui aquela ideia territorialista de posse. A mulher é minha; o homem é meu; esse é meu lugar; não invada meu terreno, ou verá as consequências. Com esse discurso extremamente egoísta, muitos acabam incentivando atos de violência que poderiam ser evitados, apenas conversando ou ignorando a existência alheia indesejada.
Se na rua, entre desconhecidos, a selvageria humana encontra terreno fértil, há de se pensar que em casa esse comportamento seja improcedente. Ledo engano. Mesmo entre amigos, conhecidos, familiares e parentes, qualquer bobagem pode acender a chama da violência. Uma fala dita de forma ambígua; um gesto duvidoso; um tom de voz fora do comum; tudo pode ser motivo para que o estresse se transforme em violência e, aqueles que deveríamos amar e respeitar, numa fração de segundos podem se tornar nossos maiores inimigos. Essa sensível propensão à violência é algo compreensível, a priori, em se tratando da realidade brasileira. Vivendo imerso no mar de inúmeras violências mais graves, seja no âmbito cultural, social e, porque não, governamental, o povo é tratado como animal e, esquecendo-se da sua real condição, atacam o seu igual como se isso fosse algo natural, pois se tornou banal, diria até factual, ver a brutal manifestação da bestialidade humana e agir como se isso fosse uma coisa normal.

Incentivando, direta ou indiretamente do outro lado, está à mídia. Promovendo aquele velho, mas certeiro discurso da lei do mais forte, a partir dela, somos ainda mais incentivados a bater, ofender, xingar e até matar aquele que resolve atormentar a nossa paz. Mesmo tentando disseminar a paz, muitas emissoras se contradizem nesse discurso, pois a todo o momento em sua programação a violência é destacada, seja como furo jornalístico, seja como espetáculo no atual modismo do MMA. Passivos, os telespectadores absorvem esses discursos e, muitas vezes inconscientes, repetem o que viram na sua realidade cotidiana. É por isso que assistimos em choque aos casos em que marido bate na mulher, porque ela chegou tarde a casa; na mãe que torturou seu filho porque este é desobediente; no amigo, que após umas cervejas num bar, desconheceu o outro e matou-o sem nenhuma motivação. São esses crimes absurdos, porém bastante corriqueiros, que são fruto dessa violência internalizada, a qual caminha lado a lado das outras violências já conhecidas por todos.
Essa cultura violenta, na qual a tapa substitui o aperto de mão e onde o diálogo é trocado pelas balas, não se pode esperar muita coisa, senão o crescente índice de violência, que avermelha em sangue as matérias jornalísticas. Mesmo sabendo que o trânsito é um caos; que o chefe não é a melhor pessoa do mundo; que pessoas indesejáveis sempre existirão; que a nossa família e amigos nunca serão perfeitos; nos esquecemos de tudo isso nessa sociedade do revanchismo, onde a melhor defesa é sempre o ataque.  Os mais esclarecidos, no entanto, ainda conseguem conter a besta embutida dentro deles, ao ponto de conversar antes de confrontar. Entretanto, num país onde ser esclarecido é lutar contra a violência governamental, a qual simplesmente ignora a existência da população, o resultado é a formação de um povo carente, entre tantas coisas, de educação e, consequentemente, respeito pelo próximo. Enquanto isso, continuamos à mercê dessas brutalidades banais que poderiam ser evitadas se violências maiores, aquelas que assombram nosso país há tempo, fossem resolvidas.

11.1.14

BBB e o facebook são a mesma coisa




Todo ano é a mesma coisa. Quando começa as chamadas do BBB, os internautas mais cultos se apresentam para atacar esse programa. Eu, por exemplo, não sou muito fã desse reality show, mas já assiste no passado. Por isso, consigo ver nele dois lados, um até positivo, porém esse não é o momento para destrinchar tais questões. O foco agora, na minha opinião, é a hipocrisia de alguns em dizer que tal programa não presta, porque as pessoas estão ali para se exibir e ganhar dinheiro com isso. Ora, a mesma coisa rola no facebook, sendo que ao invés de dinheiro ganhamos curtidas, comentários, compartilhamentos e seguidores.

Vejo constantemente nessa rede social, as pessoas fazendo de tudo para se exibir, igual ao BBB. Se no programa da globo, a audiência gira em torno de pessoas em momentos triviais do dia a dia, por aqui algo semelhante acontece. São pessoas mostrando fotos no espelho do banheiro, exibindo seus corpos, iguais aos participantes do reality show, sensualizando para câmeras, postando fotos tão íntimas quanto aquelas imagens que elevam a audiência desse BBB durante esses 14 anos de existência. Porém, essas mesmas pessoas insistem em dizer que tal programa é ruim, porque ele não agrega valores e os participantes expõem suas vidas para todo mundo ver. Ora, acho que muitos de nós fazemos o mesmo por aqui.

Como disse há pouco, não curto o BBB e tenho minhas razões para isso, porém não sou de acordo bancar o politicamente correto e dizer que esse ou aquele quadro são de péssima qualidade, baseado apenas no senso comum. Me colocando no foco da questão outra vez, eu adoro programas da cultura que poucos assistem, mas também assisto, quando posso, aos programas que alguns diriam que não agregam conhecimentos. Certa vez, li que "a humildade é aprendida com aqueles que possuem menos conhecimento do que você". E, aproveitando essa máxima, acrescento que alguns programas poderiam entrar nesta lista, bem como tudo em nossa vida.

Não estou dizendo para que você do outro lado comece a ser um telespectador assíduo do BBB. Não disse e nunca direi isso, até porque não estou ganhando nada por isso. Apenas peço que antes de expor determinadas opiniões, textos, imagens ou o que quer que seja na internet, verifique se essa sua posição é real ou fruto de uma pseudointelectualidade, criada apenas para chamar atenção daqueles que estão do outro lado. Outro detalhe, de tanto falar nesse programa, positiva ou negativamente, é que parece perdura-lo ainda mais na tv. A globo sentiu há muito tempo o poder que ele exerce e continua lucrando com isso.

Povo, o BBB é a sociedade, nua, crua e cruel de sempre. Tanto ele como o facebook fazem parte do que Goerge Orwell, no célebre 1984, tratou como a cultura da confissão/exposição. Seres em busca da fama televisiva e/ou virtual, querendo a todo custo as luzes da ribalta. O BBB é a sociedade também porque não há maquiagem. Há apenas o ser humano real, nas suas carências reais, expondo, para isso, todo o seu arsenal de persuasão para conquistar o aclamado prêmio.

E vale tudo, mentir, enganar, falsear, ludibriar, brigar, trepar, rir e até chorar. Porém, no final desse rolo compressor, haverá um "campeão". Nesse aspecto, consigo enxergar umas das poucas coisas que diferencia o BBB do FACEBOOK. Enquanto o primeiro, os participantes tem coragem de se mostrar, no segundo as pessoas criam fakes, tão falsos quanto umas postiças. E, acrescento, enquanto no primeiro tudo o que é nocivo ao humano, recebe prêmios, no segundo nada se ganha. Portanto, você opositor do BBB, veja na sua timeline se a sua vida é cercada de sigilo ou exposta como no programa da globo e, antes de rechaçar isso ou aquilo outro, olhe para o seu próprio umbigo. Opa, perfil. 

7.1.14

Quando a vida é reduzida a pó




Considerado como uma verdadeira bomba relógio, o sistema prisional brasileiro é conhecido nacional e mundialmente pela sua precariedade em todos os aspectos. Pavilhões lotados, celas com detentos além da capacidade, falta de carcereiros e pessoal habilitado para vigiar os presos, condições insalubres de higienização e, por isso, de saúde. Tudo isso constantemente é noticiado na mídia e nada foi feito até agora para mudar tal realidade. Sabendo disso, muitos presos encontram meios de viver confortavelmente dentro desses ambientes, através de ameaças, subornos e outras corruptelas típicas da cultura brasileira. O resultado disso é a binária divisão dos que nestes locais habitam: muitos vivendo amontoados como selvagens e outros desfrutando de regalias, como se estivessem hospedados em hotéis cinco estrelas.

Diante desse quadro, é de se esperar que, no caso do primeiro grupo, ocorram manifestações violentas, mas conhecidas como rebeliões. Motivadas por inúmeras razões, seja para melhorias da permanência deles nos presídios, seja para buscar formas de sair de lá, essas incendiárias ocorrências da brutalidade nas cadeias denota o quão frágil é a nossa segurança pública. Fragilidade esta que frequentemente é evidenciada quando os detentos resolvem confrontar a barreira policial. E tal embate independe se o preso está ou não encarcerado, visto que, muitos são aqueles que dentro do sistema penitenciário emitem ordem de comando, muitas vezes até através de aparelhagem eletrônica, para que atrocidades ocorram fora dos limites prisionais. Frente a essa falta de limites, no Maranhão, detentos emitiram uma ordem para incendiarem um ônibus na principal avenida da cidade, em retaliação a ação da polícia carcerária de lá. Resultado, gente inocente morta e alguns ainda feridos.

Entre as vítimas desse comando, estava a maranhense Ana Clara Santos Souza. Ela que lamentavelmente faleceu, depois de não suportar as queimaduras que estavam alastradas em 95% do seu corpo. Essa atrocidade, cometida por seres que já perderam a humanidade há muito tempo, chocou o país. Ficar chocado, porém, não trará a vida dessa garota de volta. Nem tão pouco do seu bisavô, que morreu ao saber do estado da menina. Essas vidas perdidas trazem à tona outra discussão pertinente: a falta de estrutura da segurança pública daquele Estado e do restante do país, tanto dentro quanto fora das unidades prisionais. Enquanto a nação se concentra social e midiaticamente falando, com a chegada da copa, mal podemos assegurar que fatalidades como essas continuem acontecendo. Ao invés disso, continuamos a direcionar o dinheiro público para fins hedonistas, enquanto vidas infanto-juvenis e adultas são ceifadas e nada é feito para reverter essa situação.

Não tem como não sentir um misto de indignação e revolta ao saber que uma menina de seis anos de idade teve sua vida interrompida abruptamente. Vergonha por ver que essa vida poderia ter sido poupada, se o nosso voto fosse mais bem direcionado e, se os governantes escolhidos tivessem um real compromisso com as prioridades existentes no país, as quais sempre se apresentam através da violência urbana, como no caso da falecida maranhense. Ou seja, se o sistema prisional brasileiro passasse por um processo digno de melhorias, talvez a ordem emitida para incinerar o ônibus, que reduziu a vida daquela garota a pó, não tivesse sido enviada. Também não tem como não sentir vergonha de um país que não investe no que, de fato, é essencial. Mesmo que o presídio não deva ser um local de luxo. Ele também não pode ser um ambiente onde homens entram humanos e se tornam verdadeiras bestas. No mínimo, um lugar onde a ressocialização seja capaz de dar uma nova chance àqueles que estiverem dispostos a mudar.

No entanto, infelizmente, esse processo de ressocialização dos presidiários está longe de ser concretizado. Convivendo com marginais de vários naipes, todos geralmente misturados, pois não há divisão para criminosos específicos, eles não encontram outra perspectiva a não ser potencializar a criminalidade que os levou até ali. Por isso que é comum o uso de drogas, muitas vezes até o tráfico destas. As armas também continuam sendo utilizadas, tanto entre os detentos quanto contra os agentes que cuidam da permanência desses indivíduos. Outras violências, como estupros, também são comuns nesses locais. Este último, por exemplo, chegou a ser ordenado no Maranhão por detentos, para que, fora da cadeia, seus emissários pudessem violentar as esposas dos seus rivais. Todo esse poder dos criminosos emana da falta de poder da segurança pública. Se os primeiros conseguem armas, drogas, munições, celulares e outros apetrechos, é porque o segundo, ou seja, a polícia, ou facilita a entrada disso, ou, mal aparelhada, não consegue conter a entrada. Talvez até as duas coisas.

Enquanto isso nas celas, os atos mais aborígenes do ser humano são despertados, visto que, como não foram condicionados a viver enjaulados, eles acabam despertando a fera oculta nesses locais, ou pior, ordenando crimes de dentro dos próprios presídios, onde se imaginavam que estariam e ficariam presos cumprindo as suas respectivas penas. O exemplo mais famoso do poderio desses criminosos está no lendário PCC (Primeiro Comando da Capital). Quem não recorda de nomes como Fernandinho Beira Mar, o qual já foi considerado como um dos homens mais procurados do país. Ele que, dentro dos presídios vivia como um marajá e continuava a praticar crimes, acionando seus compassas fora dos muros da cadeia. Impotente, a polícia teve que armar um verdadeiro projeto de guerra para desvencilhar o PCC, porém, volta e meia os criminosos se organizam a retornam a exercer seu poder e envergonhar a frágil segurança pública. Mais impotente ainda está à população, a qual, no meio desse fogo cruzado, paga as duras penas disso tudo, muitas vezes com a vida, como no caso da inocente Ana Clara.

Os caminhos para solucionar esse problema são antigos e bem conhecidos e se resumem em uma palavra: investimento. Investir numa polícia preparada dentro e fora do sistema prisional. Investir em cadeias seguras e, pelo menos, mais dignas onde o detento possa pagar pelos seus crimes como humano, não se tornando mais um dos muitos animais soltos por ai. Investir e assegurar que o dinheiro seja bem direcionado. Para isso, basta focar nas prioridades do país e não gastar milhões com futilidades passageiras que pouco trazem de benefício para a sociedade. Se, antes da copa do mundo deste ano, não conseguimos proteger os meros cidadãos brasileiros dos atos de violência que envergonham a nação, como protegeremos os turistas tão aguardados? É incoerente investi cifras milionárias para assegurar o bem estar de turistas, que passarão uma breve estada por aqui, enquanto o cidadão de fato brasileiro serve de alvo para criminosos inescrupulosos que a todo o momento estampam as manchetes policiais por mais um crime cometido.

Na realidade, no Brasil tudo se resumi a pó. O pó das drogas inaladas. O pó da pólvora engatilhada. O pó das vidas desperdiçadas. Reduzi o ser humano à poeira se tornou algo banal. É como fumar um cigarro e esperar que a nicotina vire cinzas. Tudo isso porque não somos capazes de combater, com ímpeto, essa criminalidade que ceifa vidas e desperdiça as verbas públicas a cada crime cometido, a cada rebelião, na qual camas, colchões, etc., são queimados e, com o dinheiro público, repostos. Seja como for, por causa desses descasos, livres ou não, os bandidos ainda tem voz e vez neste país, intimidando civis, ao ponto deles viverem à mercê da violência. Mesmo sabendo que a violência não vai acabar da noite para o dia, não podemos simplesmente chorar a morte daquela menina e de tantos outros inocentes e depois virá à página. Essa história só vai ter o final feliz quando a morte humana deixar de ser tirada abruptamente e continuar a ser como diz o famoso mandamento bíblico: “Viestes do pó e ao pó retornarás (Gênesis 3.19)”, e não reduzida a farelo humano por uma criminalidade que poderia ser contida, se houvesse mais empenho para isso.