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16.12.13

Lugar de artista é no armário




Ao pensar no armário, lembra-se instantaneamente de um local onde se guarda coisas. Fugindo dessa óbvia conceituação, metaforicamente o armário também serve de lugar para se esconder os mais periculosos segredos. Aqueles que podem denegrir a imagem do indivíduo, caso seja revelado. Durante anos, e até nos dias de hoje, é lá que se guarda uma dos maiores tabus da humanidade, a sexualidade. Esta que, quando foge do padrão, deve ser guardada a sete chaves. Se possível com trincas bem fortes, cadeados, correntes e, caso haja modernidade, vale também um sistema de monitoramento computadorizado e com uma senha indecifrável.

E porque esconder a própria sexualidade? Quando se trata da homossexualidade, os motivos são infinitos. Esconde-se por causa do preconceito familiar, da rejeição. Esconde-se para manter o cargo tão desejado. Esconde-se para continuar indo ao futebol, a igreja, as reuniões com os amigos héteros nas mesas de bar. Esconde-se, portanto, para se manter uma rotina social nesse universo dominado pela heteronormatividade. Então, revelar-se gay é o mesmo que perder tudo isso, para um indivíduo comum. Mas, quando ele é famoso, parece que as perdas são maiores. Vai da falta do tão sonhado prestígio ao tão cobiçado, mas pouco vivido, respeito.

Sempre que surgi uma polêmica em torno da sexualidade de alguém, isso acaba sendo manchete de jornais e virais nas redes sociais. Parece que o simples fato de não seguir a risca os padrões heteronormativos sentencia o indivíduo ao cárcere social, servindo de alvo para chacotas e especulações alheias. O pior de tudo é quando a pessoa em questão tem uma imagem pública. Para estas, por exemplo, assumir uma talvez homossexualidade resulta na auto exclusão e/ou redução a grupos específicos. Reduzir, nesse sentido, significa polarizar os artistas entre aqueles que correspondem ao grupo dos héteros e os do não héteros, ou de sexualidade “duvidosa”. Sem contar que, quando há incerteza nesse tocante por parte de uma determinada celebridade, o público instantaneamente revela seus preconceitos que pareciam embalsamados.

Há poucos dias, o cantor sertanejo e ídolo de muitas adolescentes, Luan Santana, teve sua integridade posta à prova nas redes sociais. A questão envolvia o cantor e os eu personal trainer, que segundo as más línguas, estariam tendo um caso. Semelhante a isso, outros artistas tiveram sua sexualidade na berlinda. O cantor Júnior, que fazia par com a sua irmã Sandy, já foi alvo de comentários desse tipo. Outra cantora, dessa vez Luiza Possi, foi questionada se estaria tendo um Love affair com a cantora, assumidamente gay, Maria Gadú. E não faltam exemplos: Ivete Sangalo com Xuxa. Ray com Zeca Camargo. Marlene Matos mais uma vez com Xuxa. São tantas as suspeitas, mas tão poucas as evidências que só resta um questionamento: e se eles fossem gays mudaria alguma coisa?

A resposta infelizmente é sim, mudaria. A mudança reside no velho preconceito que existe em torno da homossexualidade. Mesmo sabendo que no meio artístico a homossexualidade, bem como a homoafetividade, rolam soltas, ninguém está disposto a aceitar a orientação sexual do seu artista como de fato ela é. Quando a aceitação acontece acaba aparecendo os guetos, onde pequenos grupos que são diferenciados dos demais gêneros musicais se encontram para curtir sua celebridade favorita. Ouve-se, então, que os fãs da Ana Carolina são predominantemente gays. Enquanto os do Marcelo D2, por exemplo, são héteros. Será que ninguém se perguntou o porquê dessa polarização? Simples, porque o preconceito da sociedade infiltra-se no seio artístico de uma forma que mesmo admirando um determinado ídolo, muitos temem ser identificados como alguém próximo da homossexualidade porque ouve, canta e gosta de um determinado cantor, o qual é assumidamente gay ou no mínimo bissexual.

Com isso, muitos artistas preferem esconder sua própria condição sexual a ter que fragmentar seu público. Porém, nem sempre o armário consegue conter a homossexualidade contida em cada um deles. Sempre há uma perna fora do lugar. Um braço que escapole. Uma pluma que voa sem querer. Seja como for, não há escapatória. E o público “fiel” não perdoa. Ataca nas redes sociais assim que alguma dúvida surgi. Manda emails ora reclamando ora pedindo explicações. Deixa de ir aos shows e de comprar os CDs e DVDs do seu “artista favorito”. Quando não, segue seu ídolo, programa ataques verbais na rua e até agride se for o caso, pois a mente psicótica de algumas pessoas, o seu artista não pode ser gay. Tudo por causa de uma suspeita infundada, a qual nada vai interferir no talento que determinada celebridade possua.

Nesse ínterim, percebe-se que a polêmica ganha maiores proporções quando direcionada a celebridades masculinas. Tanto faz ser ator, apresentador, cantor, jogador de futebol, ou modelo, o ideal é que seja hétero. O discurso ignorante e implícito diz que os gays não pertencem a essa atmosfera. E, se caso pertençam, devem ser feios ou no mínimo engraçados para compensar. Artista masculino bonito tem que ser macho, pois neste caso a beleza também é reduzida a questão de gênero. Por isso que o cantor Luan Santana vem sendo alvo de críticas por causa de uma possível homossexualidade. Ele que é famoso, rico e bonito, não pode ter acrescido a essa lista o adjetivo gay, pois isso seria um descrédito a tudo o que ele lutou para conquistar até hoje.

Nesse tocante, ser gay parece anular os talentos do ídolo, pois para ser símbolo midiático não pode ser homossexual. Tem que ser hétero, viril, pegador e com cara de cafajeste, feito o ator Caio Castro. Ou, se for mulher, bonita, inteligente, comportada, boa dona de casa, como a apresentadora Angélica. Não que essas últimos papéis nãos ejam importantes, mas isso não significa ofuscar os tangenciar os outros. Na história brasileira, muitas foram às celebridades que assumiram sua homossexualidade e que deixaram um grande legado para sua e outras gerações. Nomes como Cazuza, Cássia Eller, Renato Russo, são alguns exemplos pontuais. Em vida, nomes como Maria Gadú, Ana Carolina, Daniela Mercury, Adriana Calcanhotto, são outros. Mesmo essa listagem sendo predominantemente feminina por causa do machismo operante, sabe-se que muitos são os artistas que vivem no limbo, seja na música ou na teledramaturgia. Seja como for, o fato de serem gays, bissexuais ou héteros não é argumento suficiente para reduzir seus talentos e seus legados. Contrariamente a isso, muitas dessas e outras celebridades que virão estão cheias de talentos, capazes de clarear o obscuro preconceito que neblina as mentes desses falsos fãs.

Fãs esses que fazem jus ao fanatismo, etimologia da palavra que lhe deus origem. Cegos por um ideal idólatra, eles não conseguem enxergar seu amado ídolo como um ser humano qualquer: que sofre, sente desejos. Que é hétero ou gay, ou pode ter dúvida nesse sentido (Por que não?!). Contrário a isso, pois hipnotizados pela indústria midiática, a qual vende muitas vezes produtos irreais, eles, os fãs, não aceitam que seus ídolos mudem “de repente” sua sexualidade e, impiedosamente guilhotinam o seu artista favorito para que ele sirva de exemplo para os outros. Intimidados, muitas celebridades guardam sua real sexualidade, e outras coisas humanas, no armário, pois sabem, ou foram abruptamente avisados que caso fujam do padrão perderão tudo o que conquistaram: a fama, a riqueza e o amor dos seus amados e compreensíveis “fãs”. Sem ter para onde fugir, só resta a essas pessoas viver uma vida de aparências o mundo imaginário de ilusões de indivíduos que foram criados e replicados para apenas gostar do que é padronizado. Felizmente, alguns artistas conseguem enfrentar toda essa barreira de preconceito e viver como de fato a vida deve ser vivida: livre e feliz. Por mais que essa liberdade e felicidade não façam parte daquilo que se convencionou chamar de “normal”.

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