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26.9.13

Minha melhor parte é você

Tenho tentado ser a melhor possível só pra ficar junto a ti. Juro que tenho me controlado quando você perde o freio; Tenho falado menos quando me dizes coisas impensadas; Tenho recuado quando tu estás adiante; Estou tentando equilibrar.
Não sei se é amor, paixão, alucinação, encantamento, deslumbramento ou qualquer adjetivo e sentimento que se dá e chama alguém que fica ao deleite do outro, ao dispor, checando o celular de hora pra não perder nenhuma mensagem, ligação; Não sei que nome dá à hipnose por cheiro, por um simples toque, um simples arrumar de cabelo do rosto à orelha.... Eu só que estou completamente na tua e todo mundo sabe nisso.
Só não complica. Lembra que eu tive amores passados, que o que eu escrevo não é dejavú, não é com a gente, é só uma forma de me livrar desse peso todo dos últimos tempos. Lembra que eu queimei navios, atravessei pontes indestrutíveis, fiz promessas e fiquei à mercê da solidão quando você resolveu dizer não pra mim, pra gente; E eu segurei firme. Lembra que eu poderia agora responder às mensagens, atender as ligações dos outros, aceitar sair com gente bem mais e melhor que você. Lembra que eu poderia estar com alguém mais bonito, mais velho, mais rico, sem crises, sem medos, sem desconfianças. Não é isso o que toda garota deseja? Só que eu não quero isso, eu quero você. Eu quero você e seu sorriso esguio; Você e sua barriga de cerveja; Você e sua barba rala; Você e beijo manso; Você e suas manias; Você e seus defeitos; Você e toda a sua carga. Lembra também que é com você que estou aqui me debruçando em poesia pra tentar convencer de que eu só quero você perto.
(Rosseane Ribeiro)

AGUDAS E CRÔNICAS

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Embargos Infringentes

"Pai, o que são Embargos Infringentes? 

É o seguinte, imagine que  nossa casa seja um Tribunal e que qdo alguem erra, é julgado e todos podem votar! Por exemplo, o papai comete um deslize: É pego traindo sua mãe com 3 prostitutas. Eu irei a julgamento. Sua mãe, a mãe dela, o pai dela, sua irmã mais velha, você e seu irmão mais velho, votam pela minha condenação.

Meu pai, minha mãe, o Totó e a Mimi, votam pela minha absolvição.
Tá pai, mas aí você é condenado, não?
Sim, fui, aí é que entram os tais dos "Embargos Infringentes" meu filho. Como eu ganhei quatro votos a favor da minha absolvição, tenho direito a um novo julgamento.
Mas pai, no novo julgamento todos vão votar do mesmo jeito.
Não se eu tiver trocado a sua mãe, o pai dela e a mãe dela pelas três prostitutas."


Enviado por Cristina Rolim

24.9.13

Like A Virgin


É incrível como tabulamos certos assuntos. Mais incrível ainda é saber que esses mesmos assuntos geralmente giram em torno do sexo e seus “mistérios”.  Mistérios que vendem livros, ganham quadros em programas de auditório, circulam em mesas redondas e tantos outros debates pelo país; entre outras pautas importantes sobre esse tema.  Em meio a isso, a virgindade surge como um mito. Ser virgem numa sociedade que apela, grita, vocifera por sexo é o mesmo que não ser desse planeta, ou, é como se o indivíduo possuísse algo de especial, divino, sacralizado no meio das pernas. Nos esquecemos, porém, que uma coisa necessariamente não tem nada a ver com a outra. Na verdade, por diversas razões santificamos o nosso corpo nesse aspecto para ludibriar nossos reais pensamentos lascivos. Geralmente para passar a falsa ideia de pureza para o outrem. Ou, entregamos abruptamente nossa virgindade, movidos pelas pulsões intimamente humanas ou pelas constantes imposições sociais. Nisso tudo paira a dúvida: quando é o momento certo para se fazer sexo pela primeira vez?
Ser ou não ser mais virgem, eis a questão. Inevitavelmente, todos nós passamos por esse dilema na construção da sexualidade humana. A tão temida primeira vez é ansiada por alguns e procrastinada por outros, por razões diversas em contextos também variados. Se no passado possuir o corpo intocado significava ter maiores chances de construir uma família pautada na decência e nos bons costumes, hoje a realidade é bem diferente. Não que a decência e os bons costumes tenham sumidos por completo. Entretanto, não há mais esse peso na responsabilidade matrimonial que obriguem casais de se unirem totalmente intactos no tocante sexo. O que há hoje é algo bem mais perigoso: a utilização maniqueísta da virgindade. De um lado, meninos e meninas pressionados pelas esferas sociais a romper essa fase a todo custo e, do outro, um pequeno grupo utilizando a virgindade como uma relíquia moralizada que deve ser preservada até o altar.
Nesse embate, as meninas são as que mais sofrem. Tolhidas desde cedo por essa sociedade ainda machista, elas são bloqueadas de manifestar suas vontades sexuais pela família, pela sociedade, pela religião e tantas outras esferas que secundarizam os desejos femininos. Sem dúvidas, a pressão familiar, imposta pela sociedade para que a menina se torne uma mulher direita, de bem e honesta, aparece como uma das principais causas disso. Muitos lares ainda educam suas filhas a serem e se casarem virgens, como se isso indicasse honestidade e honradez plena. De fato, quando se quer esperar um pouco mais para se concretizar tal feito, isso deve ser respeitado. Mas, não podemos, enquanto familiares, impor que a virgindade seja encarada como uma honraria ao macho alfa, que terá o maior prazer em desvirginar a sua amada, como num ritual. Ao fazer isso, estaremos regressando a outros tempos, dos quais meninas serviam de oráculos em cerimônias mágicas ou sagradas.
Na verdade, a teatralização em torno do primeiro ato sexual é fruto de todo esse misticismo que envolve a liberação sexual. Acreditava-se, e ainda acreditamos que, entre as mulheres, a pureza deve ser guardada até os últimos instantes. Alimentando isso vem à idealização da virgem Maria servindo de modelo para que meninas se inspirem nisso como devoção. Por isso que muitas sonham em casar-se de branco, pois pretendem fazer parte desse sonho imposto pela tradição religiosa, mesmo que por dentro a vontade de romper esse paradigma seja imensurável. E muitas acabam perdendo sua virgindade de outra forma. Para deixar de ser virgem basta perder a pureza, a inocência e isso muitas delas já não possuem mais, já que há outras formas de se fazer sexo, sem necessariamente ter a penetração pênis e vagina. Além disso, nossa cultura do sexo trata rapidamente de introduzir, muitas vezes de forma errônea, essas jovens no submundo do prazer. É por essa razão que muitas garotas subvertem esse sistema e se entregam deliberadamente aos prazeres, trazendo consequências como gravidezes indesejadas e até doenças. Então, era melhor esperar a hora correta? O melhor era ensinar a essas jovens a ter autonomia e maturidade sobre o seu corpo. Só assim evitaríamos puritanismo e promiscuidade exacerbados.
Na outra ponta do iceberg estão os meninos. Para quem não sabe, eles também sofrem e muito quando o assunto é virgindade. Mesmo vivendo numa sociedade onde o macho dita costumes e regras, quando o assunto é virgindade, nem mesmo ele escapa. Não é muito comum encontrarmos rapazes, nesta sociedade que o inicia cada vez mais cedo no sexo, virgens. Quando isso ocorre rapidamente tratamos de elaborar teorias mirabolantes para justificar o fato. “Acho que ele deve ter algum problema de saúde”; ele pode ter vergonha do tamanho do pênis, só pode!”; “talvez ele seja gay e não quer assumir e fica inventando essa de virgem”. Essas e outras atrocidades são proferidas por muitos ignorantes ao discutir esse tema sob o enfoque masculino. Isso porque, se a mulher sofre para manter a sua virgindade até a data “correta” eles penam para iniciar o quanto antes a vida na cama. Para isso vale tudo: comprar filmes e revistinhas estimulantes, levar a prostíbulos, contratar prostitutas, tudo para que o varão perpetue os estamentos sociais sobre o sexo dominante de que faz parte. Devido a essas atitudes, muitos deles enveredam pelos prazeres sexuais de uma forma incompleta e, muitas vezes perigosa.
No meio disso tudo, há aqueles que se utilizam da virgindade para moralizar a vida social. Numa cultura onde o sexo é altamente banalizado, quem consegue conter seus desejos se torna emblematicamente sacralizado. De certo modo, aqueles e aquelas que escolhem resguardar suas intimidades para momentos mais específicos, com pessoas criteriosamente escolhidas e em momentos planejados, devem ser indiscutivelmente respeitados por isso. No entanto, certos indivíduos usam sua assexualidade para tachar o outro de lascivo, promiscuo e vulgar. Ora, se uns tem o direito de esperar um pouco mais, outros podem realizar tal feito quando assim desejarem. Essa postura conservadora de alguns em relação ao desejo alheio é fruto, sobretudo, da influência religiosa na sociedade. Muitas igrejas pregam filosofias castas, as quais restringem o sexo apenas ao momento do casório. Certo ou errado, alguns absorvem esses conceitos distorcidamente e desconsideram o instinto animal existente em cada um de nós. Em outras palavras, por mais racionais que sejamos na hora da cópula somos tão ou mais selvagens que muitas feras indomáveis.
É por essa razão que os índices envolvendo traumas na primeira relação sexual são bastante comuns. Depoimentos de meninas frustradas com a primeira vez mal realizada, antes ou depois do casamento, brotam aos montes. Da mesma maneira que rapazes despreparados para o ato sexual guardam os constrangimentos e traumas desse momento pelo resto da vida. Diante de tudo isso fica claro que o problema não está em perder ou não à virgindade, nem o melhor momento para tal. A discussão maior gira em torno do sexo. Ele que ainda não é debatido de forma madura entre pais, educadores e religiosos. Por essa razão é que existe essa bifurcação na sociedade: de um lado os que sacrificam seus prazeres e sensações em prol de uma virgindade longínqua e, do outro, aqueles que subvertem esses ditames, nem sempre da melhor forma. Enquanto nada de significativo é feito em torno dessa problemática, a sociedade segue seu curso sexual conturbado e distorcido. Mais e mais jovens são impelidos a seguir um desses caminhos, os quais muitas vezes não levam a felicidade sexual tão desejada por muitos. Dessa forma, o mas prudente é desmistificar a áurea de pecado e santificação sobre a virgindade humana e tentar criar caminhos menos traumáticos para aqueles que cedo ou tarde trilharão o inevitável caminho do prazer.

8.9.13

Machismo: uma semente que é plantada desde o berço

 
Amor e ódio, céu e inferno, claro e escuro, Deus e o Diabo, brancos e negros, héteros e gays, religiosos e ateus, homens e mulheres. Percebe-se que a construção da humanidade foi sedimentada através de embates, impasses entre o mais forte e o mais fraco, o certo e o errado, o aceitável e o inaceitável. Esse maniqueísmo, em parte, foi positivo, pois criou os limites entre o bem e o mal, afastando do convívio social alguns riscos nocivos à vida. No entanto, outros foram agressivamente prejudiciais para as relações humanas, uma vez que tinham como pilar o preconceito e a discriminação do diferente, geralmente pautado em argumentos fracos e historicamente antagônicos. A exemplo, pode-se mencionar o inflexível machismo preponderante em várias sociedades, sobretudo a brasileira. Símbolo da herança patriarcal, ser homem por aqui, dentro dos padrões do macho alfa, é sinônimo de governança. Imperialismo esse seguido à risca por súditos inconscientes que, precocemente aprenderam que ele manda e ela, passiva, obedece.
Essa diferenciação entre os gêneros acontece muito antes da concepção. Isto porque, muitos pais nutrem um desejo cultural de gerar filhos homens, varões, que irão perpetuar o legado patriarcal familiar. Tal conduta, sócio e historicamente conhecida, foi determinante para que o machismo reinasse até hoje na sociedade. Por causa dele, mulheres, homossexuais e qualquer outro grupo “afeminado” sofrem por não possuir a herança dominadora daquele grupo. Na verdade, é a semente da segregação sexual que é plantada no berço, determinando quem irá ser a caça e o caçador. Ou seja, ser do sexo masculino é sinônimo de controle, dominação, territorialismo e outras tiranias do gênero, enquanto o oposto recebe instantaneamente significados diferentes a esses.
Entre os vitimados, as mulheres são indubitavelmente as principais vítimas dessa cultura separatista. Segregadas aos trabalhos do lar, a “Amélia” do passado ainda encontra resistência para se firmar perante a sociedade onde o macho é o centro das atenções. Entre as múltiplas diferenciações estão àquelas ligadas a atmosfera trabalhista, das quais o sexo feminino ainda ganha valores inferiores ao oposto. Tal prerrogativa ocorre, mesmo com a ascensão delas no mercado de trabalho, porque muitos deles creem na incapacidade das mulheres, como se estas tivessem sido destinadas apenas aos serviços domésticos. Ou seja, qualquer transgressão a esse sistema significa ultrapassar uma fronteira intransponível, passível de retaliação pelos os que pensam dessa forma. Felizmente, essa mentalidade vem sendo mudada, mesmo que na força, por algumas que não se deixam intimidar por tais visões.
Por outro lado, deve-se pontuar também a questão do gênero enquanto apelo sexual. O menino aprende desde cedo que é o caçador, hábil e viril, e as meninas são as suas incontáveis presas. Determinados a cumprir o destino que lhes foi designado, muito garotos crescem com essa postura, da qual a garota deve sensualizar para ele, servir de objeto sexual a ser facilmente consumida quando ele bem desejar. Sabendo disso, a cultura midiática tratou rapidamente de potencializar essa visão através dos comerciais de bebidas, filmes, novelas, seriados, entre tantos outros dos quais a mulher está no segundo, terceiro, no finalíssimo plano. E não é difícil de encontrar jovens ou maduras mulheres que se renderam a essa prática predatória. Inconscientemente, muitas delas se deixam levar por esses estamentos, já que foram educadas por essa redoma e, por isso, não conseguem encontrar os subsídios para fugir dela. Quando encontram, porém, são tachadas de assexuadas, feministas, lésbicas, revoltadas, apenas por discordar desse sistema onde o mais forte, os homens, sempre devem vencer.
Nesse nicho desumano, outro fator acabou sendo prejudicado: a sexualidade da mulher. Por perder a autonomia do próprio corpo, ao longo da história, ela se acostumou a ser o “sexo frágil”, “a costela de Adão”. A parte e nunca o todo, naqueles sentidos. Essas desvantagens corroboraram na tardia sexualidade feminina, a qual só deu os primeiros passos em meados do século XX, com o BOOM da minissaia e do biquíni. Mesmo assim, ainda hoje, questões ligadas ao aborto, fecundação, separação, traição, soam como verdadeiros estigmas para aquelas que ousarem transgredir o já estabelecido mundo masculino. É por essa razão que o senso comum penitencia as mulheres que abortam; que não desejam ter filhos; que se casam e se separam quando acham convenientes; e que traem seus companheiros por diversas razões. Todos esses feitos, também realizados pelos homens, só são criminalizados entre as mulheres por causa dessa cultura que inferioriza um gênero e enaltece outro, como se a genitália fosse o determinante para a construção do caráter humano.
Porém, isso não se limitou apenas as fêmeas. A homossexualidade também sofre a duras penas o dissabor dessa sociedade centrada no macho. Isto porque, aprende-se desde cedo que há uma anormalidade entre os indivíduos que sentem desejos por pessoas do mesmo sexo. Eles, os gays, são vistos como a deformação do macho ideal, bruto, grosso, viril e truculento. Aquele que coça o saco, chama palavrão, torce fanaticamente por algum time de futebol e, se possível, ainda bate na companheira para sustentar a sua masculinidade perante a sociedade. Logo, a homossexualidade aparece neste contexto como um defeito de fábrica, uma afronta ao imperialismo que o homem vem historicamente perpetuando. Na verdade, os gays são tudo aquilo que a virilidade masculina tentou afastar da sua personalidade: eles são femininos. Ou seja, a homossexualidade não é aceita também, porque se remete ao universo mulheril, este considerado inferior, frágil e submisso.
E, engana-se quem pensa que a semente do machismo deixou de ser plantada. Ela vigora nos terrenos vertiginosos das famílias mais conservadoras, onde a herança patriarcal se mantém viva em discursos dos quais os meninas são ensaiadas a serem donas de casa, nas fadadas brincadeiras de bonecas. Também ganha espaço em algumas religiões e nos seus respectivos posicionamentos, que subestimam as mulheres, inferiorizando-as muitas vezes. Tudo isso numa sociedade onde a genitália determina quem ganha e quem perde. É meio controverso pensar que isso ainda aconteça, sobretudo numa era ditada pela efemeridade das relações humanas e pelo desapego que muitos nutrem sobre o próprio corpo. No entanto, quando a questão se refere a domínio, as nomenclaturas macho e fêmea surgem exatamente nesta ordem alfabética, para deixar claro a secundarização feminina perante o homem, a sociedade e até ela mesma.
Percebe-se, portanto, que as problemáticas em torno da imposição de gênero estão ligadas a questões meramente culturais. Não há, nem nunca houve sexo inferior ou superior. O que há é uma ditadura ridícula que tenta desumanizar o outro baseado apenas nas suas genitálias. Enquanto não se percebe isso, homens e mulheres vão repassando, conscientes ou não, esse perigoso legado para outras gerações, dificultando o extermínio de tais pensamentos. É por isso que o machismo ainda ganha força na sociedade, porque ele brota no berço, logo nas primeiras horas de vida de meninos e meninas. É como se o destino de ambos os sexo estivesse traçados para cumprir distintos caminhos: ele, ser forte, hétero, dominador, garanhão e bem sucedido. Ela, porém, ser frágil, meiga, feminina, dominada, recatada e se possível uma excelente dona de casa. Para desconstruir isso, basta a sociedade entender que entre homem e mulher só existe uma semelhança: a humanidade. E esta deve ser irrevogavelmente respeitada. Ou seja, independente de sexo, o que deve prevalecer é, antes de tudo, o ser humano.

Beija eu, beija eu, beija eu, me beija...


Não. Eu não vou falar da lindíssima música de Marisa Monte, a qual encabeça esse texto. Também não vou falar de como o beijo é bom, dando múltiplos conceitos sobre ele ou várias formas de fazê-lo. Acho que sabemos beijar o bastante. Também não vou falar sobre amor, carinho, respeito, ou amizade. Na verdade, é o inverso disso. Quando vi as polêmicas em torno do beijo entre o jogador Sheik do Corinthians e o seu amigo, percebi como a nossa sociedade é carente e ignorante. Carente de amor, de carinho de respeito e de amizade. Mas, por outro lado, ignorante, pois ainda confunde essas palavras em prol de um fanatismo idiota, o qual brutaliza os indivíduos igualando-os a muitos animais irracionais.

Tudo isso porque existe uma falsa ideia de que os homossexuais não existem no mundo futebolístico. Ou, que não há torcedores, técnicos e, principalmente jogadores gays. Quem disse isso? Quem inventou esse senso comum? Como ele se perpetua entre nós, em tempos tão "modernos"? As respostas para tais indagações residem no machismo que, volta e meia, ressurge na sociedade. É por causa dessa cultura do macho, a qual polariza a educação de meninos e menina desde cedo, dizendo que o que é de homem e o que é de mulher. "Meninos jogam bola, meninas brincam de boneca", "Meninas se vestem de rosa, meninos de azul" Esses ditames ridículos são os culpados pela formação distorcida de muitos adultos, os quais não conseguem romper esse circulo vicioso e quando o fazem são rapidamente tachados de maricas ou sapatão.

Nesse sentido, é coisa de homem também não demonstrar emoções em público. Chorar está fora de cogitação. Isso mostra fraqueza, feminilidade, características essas restritas ao universo mulheril. Beijar então, não pensar. O beijo entre pais e filhos, por exemplo, pode acabar em tragédia, como a que aconteceu no ano passado quando o pai caminhava com o seu filho de braços dados e foi "confundido" como um casal de homossexuais. Resultado, foram agredidos pelos "Machões" que queriam manter a integridade das suas virilhas preservadas. Se entre parentes próximos casos de violência acontecem dessa forma, imagine entre amigos, colegas ou homossexuais de fato. No primeiro caso, ser amigo, sobretudo se forem dois homens, remete a nutrir certa distância, pouco contato corporal, abraços imprecisos e outras coisas do tipo.

Beijar, nestes casos, não dá, principalmente se for em público. Há o risco de ser xingado, ou violentado por essa sociedade que tolera apenas que homens se cumprimentem com um singelo aperto de mão. Com as mulheres já acontece o contrário. Elas podem se abraçar em público, se beijar e até a andar de braços dados, já que para o deleite dos fornicadores, isso soa até meio sexy, pois boa parte da sociedade nutre o doentio fetiche de ver duas mulheres se acariciando. Toda essa cultura é fruto, entre tantas coisas, da desinformação e da imposição de modelos de conduta pautados no gênero de cada indivíduo. Acontece que nem todos seguem isso à risca e, por isso, são impiedosamente crucificados pela nossa recalcada sociedade. Foi o que aconteceu com o jogado Sheik do Corinthians. Se ele fosse uma pessoa "comum", não famosa, possivelmente estaria morto numa página de um jornal, ganharia uma breve matéria num telejornal e depois serviria de estatística para os muitos casos de homofobia espalhados pelo país.

Mas, como estamos falando de FUTEBOL, o esporte mais querido do Brasil. Aquele que lota campos, com homens exaltados torcendo pelos seus times. Um esporte nacionalista, onde brancos, negros, pobres, ricos, héteros, gays, homens e mulheres, todos se unem por uma só paixão. União mentirosa, pois esse esporte não é de todos. Ele seleciona, ou no caso do jogador do Corinthians, é selecionado por uma torcida de loucos que decide o perfil de torcedor que deve manter intacto os padrões dos grandes times. Ou seja, tem que ser homem, macho, viril. Nada de demonstrar carinho entre outros homens, por mais que estes sejam parentes. Ou amigos, como no caso de Sheik. Tudo isso porque no futebol não pode ter gay. Gostaria muito de saber se um grande atleta do futebol fosse homossexual, mesmo sendo talentoso, se a sociedade iria ignorá-lo por causa da sexualidade dele. Se é que já não exista um e a gente não saiba.

Outro exemplo da homofobia nesse universo foi o caso de outro jogador de futebol, Richardson do São Paulo. Ele que, ao contrário do Skeik, não se intimidou com as ameaças da torcida, do time e da sociedade e continuou seguindo a sua vida como jogador, ao passo que fazia tudo aquilo que qualquer ser humano tem o direito de fazer: ser feliz. Vale lembrar, que esse atraso no futebol não é algo abrangente. Em alguns times estrangeiros, por exemplo, alguns jogadores saíram do armário e mesmo assim continuaram exercendo a sua profissão. Então, o país do samba, do sexo e da pornografia, e do futebol, também se agrupa entre as nações mais assexuadas, hipócritas e homofóbicas do mundo. Tudo isso por que criamos divisões ridículas para os gêneros, como se as nossas genitálias controlassem as nossas mentes e personalidades.

Enquanto isso, torcedores fanáticos e desocupados, times conservadores e hipócritas e a leiga sociedade em geral acredita piamente na ideia de que não há gays no futebol e se há eles devem ser rapidamente expulsos, pois não se enquadram nesse esporte. Coitados! Esses que creem nessas coisas absurdas esquecem que a homossexualidade está em todo o lugar e, muitas vezes, não percebemos. Esquecem também que muitos gays torcem, vão aos estádios, assistem aos jogos de futebol, ou seja, custeiam de alguma forma esse bando de semialfatebizados que são idolatrados por apenas chutarem uma bola. Também se esquecem de que a homossexualidade não impede que o atleta X ou Y seja menos talentoso. Contrariamente a isso, em vários campos onde o gay exerce alguma função ele acaba se sobressaindo dos outros para mostrar que não é apenas superior por ser gay, mas porque ele é bom no que faz e ainda e gay, derrubando o pensamento ridículo de que a homossexualidade remete incapacidade. 

Logo, parem de enxergar gays apenas em salões de cabeleireiros, boates, no mundo da moda ou na mídia. Eles estão por ai exercendo as mais variadas funções. Alguns mais corajosos, se assumem de cara. Outros, com medo da represália social, ainda se escondem em armários, quartos, vestiários e, porque não, esportes diversos. O que importa não é a sexualidade desse indivíduo, mas o que eles tem a oferecer. Geralmente, são pessoas educadas, antenadas, respeitosas e humanas. Então, espero que o inocente beijo do jogador do Corinthians não volte a ser interpretado como uma afronta, mas sim como um avanço. Um passo significativo de um hétero que, inocentemente fez uma brincadeira com um grande amigo e nem sequer imaginou no que iria acontecer, para a construção de uma sociedade mais plural dentro e fora de campo. Quem sabe assim os verdadeiros gays, tanto nas torcidas quanto aqueles que estão jogando em campo, criem coragem para serem livres de verdade.