COMO FUNCIONA

Este blog foi criado num Domingo chuvoso daí www.domingoamigo.blogspot.com/!

Pensando em leitores que não se animam a manter um blog pessoalmente, e os bloggers, que desejosos de atingir outros leitores, além dos seus habituais, gostariam, vez por outra, de postar num blog COLETIVO, criamos a SOCIEDADE ANÔNIMA, onde você poderá postar, sempre que tiver vontade!

Para fazer parte dos AUTORES do blog basta escrever para: cimitan@terra.com.br, solicitando sua inclusão, como membro do SOCIEDADE ANÔNIMA. Mande seu nome, e endereço de e-mail, para ser registrado. Só não pode deixar de assinar seus posts! E será responsabilizado pelo seu conteúdo.

A gerência se reserva ao direito de excluir o participante cujo comportamento não for condizente com o do grupo.

19.5.13

Gostou novinha?!




A iniciação sexual é algo cada vez mais discutido na atualidade. Isto porque, numa cultura apegada ao sexo como a nossa, jovens precocemente iniciam suas vidas sexuais sem os devidos cuidados, para que essa prazerosa atividade não se torne danosa no futuro.  No entanto, fugindo dessa batida discussão em torno da “primeira vez juvenil” há outro perigo propagado pela “cultura das novinhas”. Com letras que incitam a sexualidade de crianças e adolescentes, certas canções não só apelam para que a juventude erroneamente se enverede pelos caminhos do sexo descabido, como também difundem inconscientemente a ideia do sexo com prazo de validade. Em outras palavras, a nossa sociedade abraça, aceita, curti e compartilha jovens se exibindo em danças ousadas e repudia, por outro lado, indivíduos maduros, velhos ou fora dos padrões sexuais vigentes, de declararem suas fantasias sexuais. Isso se dá através da validação do prazer baseado na faixa etária do indivíduo. Como se a idade fosse um empecilho na busca pelo êxtase.


O fetiche pela juventude não é recente e perpassa vários momentos da história humana. Jovens donzelas serviam como concubinas a imperadores, rapazes como acompanhantes de grandes sábios, estes são alguns dos exemplos do desejo humano por jovens ao longo do tempo. E isso não tem mudado muito. A saudosa época em que “panela velha é que faz comida boa” já não existe mais. Hoje os recipientes são menos usados, ou melhor, muitas vezes intactos. Meninos e meninas, nesse sentido, se tornaram símbolos de prazer, vigor e sexualidade, como se a realização sexual tivesse hora para começar e se encerrasse na vida madura. Essa inversão é sentida na plastificação da idade em cirurgias, fotoshops, botox, nas mulheres. E, em alguns homens, além de tudo isso, a procura pela musculatura perfeita tem mudado a postura masculina na sociedade. Tudo isso seria válido se a intenção fosse apenas retardar o tempo, entretanto, a verdade ultrapassa essa questão: é a necessidade de se sentir jovem e desejado sexualmente nessa sociedade que fala muito em pedofilia, mas, na prática comete atos pedófilos “inconscientemente” contra si e contra o outrem.



O fenômeno das “novinhas” evidencia essa mudança de paradigmas. De norte a sul do Brasil, seja no funk carioca ou no forró do nordeste, as músicas em torno dessa questão se popularizaram, conquistando públicos de perfis diversos. Nas letras há uma espécie de transgressão juvenil e, ao mesmo tempo, a evocação de uma sexualidade que, na prática, já era conhecida por todos. São meninas “que descem, descem, descem, gostam de ir até o chão”, que se amarram numa balada, beijo na boca, roupa sinuosa e ainda fazem “carinhas de safada” para demonstrar que já estão prontas para o acasalamento. Elas, nesse sentido, já foram rotuladas de tudo, de “broto legal”, “cachorra” a “potranca”, passando pela impronunciável “tchutchuca” e chegando hoje ao rótulo de “novinha”. Nominalizações não faltam, mas o foco continua o mesmo: exaltar a sexualidade entre adolescentes cada vez mais imaturos quanto ao sexo, sobretudo numa sociedade recalcada a respeito desse assunto.



E essa cultura não se limita apenas ao universo musical. Na mídia televisiva ela se manifesta nos beijos ardentes entre adolescentes, nas cenas picantes das novelas, nos filmes que exibem “noviças rebeldes” aflorando sua sexualidade. Sem contar a exaltação da beleza feminina e a sua constante busca pelo congelamento do tempo. Mais jovens, lindas, turbinadas e siliconadas, artistas diversos influenciam jovens a valorizar doentiamente o seu estereótipo físico, pautado, sobretudo, na sensualidade que os corpos possam demonstrar. Por isso que ser jovem tem ganhado tanto “status”, pois o viço dessa época aguça a pedofilia existente na nossa cultura e renega a maturidade o sexo ligado à procriação, não ao prazer. Essa paradoxal construção das práticas sexuais se dá ainda por causa dos tabus ancestrais que enegrecem as discussões em torno do sexo. Falar dele em casa, na escola, não é tão comum e quando ocorre é feito de forma ensaiada, sem a naturalidade necessária para que este tema seja discutido. Por isso que a massa pueril encontra na rua os apelos sexuais ausentes na sua rotina diária e os encontram da pior forma possível, em destaque para as mulheres.


Então, é por isso que “novinhas” e não “novinhos?”. A questão do gênero ai se explica porque desde cedo o homem é educado (quase que obrigado, em alguns casos) a iniciar os fulgores sexuais, geralmente na adolescência. Nesse período, o destaque vai para a masturbação, muito comum e aceita pela nossa sociedade, que restringe o prazer ao lado masculino da questão. Enquanto isso, as meninas sofrem por não serem preparadas devidamente a uma vida sexual, a qual a autonomia do seu corpo e o reconhecimento deste esteja presente nas discussões, desde a masturbação, passando pelo primeiro contato sexual delas, doenças, gravidez e aborto. Por causa dessa educação submissa, a nossa sociedade acaba se surpreendendo quando elas denotam, de alguma forma, que sentem prazer e que tem vontade de fazer sexo.   Despreparadas, elas querem dar “dá, dá, dá, dá, dá, dá, dá, dá, dá, dá”, para provar a sociedade machista que elas são tão machos que muitos homens quando o assunto é sexo, mesmo correndo o risco de serem chamadas de putas, vadias ou famosas “piriguetes”.

Dessa atmosfera que cheira a sexo, o resultado não poderia ser mais nocivo. Em todo o país é comum encontrar meninas entre 12, 13, 14 e 15 anos grávidas ou mães de mais de uma criança. Entre os meninos ocorre algo semelhante, porém no caso deles o agravante se dá através das infecções sexualmente transmissíveis. Como são educados a iniciar uma vida sexual bem antes delas, os garotos, afobados com a hormonização da idade, não usam devidamente os meios contraceptivos, principalmente a caminha e acabam dessa forma contraindo e pegando doenças sérias e, muitas vezes, até a AIDS. Todos esses problemas ocorrem porque as questões ligadas a sexo não são tratadas com naturalidade pela sociedade, seja por uma questão patriarcal, e/ou por imposição religiosa. No primeiro caso, a figura do homem é alçada a altíssimos patamares no ato sexual, desde o orgasmo às posições que o favoreçam na cama. Já no segundo caso, o discurso pecaminoso de algumas instituições religiosas acaba limitando os prazeres humanos, obrigando, por assim dizer, uma possível transgressão. Em ambos, lamentavelmente a mulher ainda é a parte secundária, mesmo que isso esteja finalmente mudando.


É por essa razão que elas se tornaram o principal alvo da cultura do sexo. Em gaiolas, popozudas ou em bondes, elas rebolam, quebram e requebram os corpos em acasalamentos em forma de dança, aguçando uma precoce sexualidade nos jovens e, discriminando outras faixas etárias. Elas são melão, melancia e uma infinidade de outras frutas. São cada vez mais novas, esculturais, difundido um ideal de idade e beleza quase incorpóreo. Longe disso, muitas meninas, adolescentes e mulheres sonham em ser a “panicat” do momento, pois, impedidas de sentir prazer, de serem sensuais e desejadas, acabam rompendo as barreiras do preconceito da pior forma possível. Disso tudo resvala na coisificação do sexo, limitando-o ao universo viçoso juvenil. Logo, não só a questão do gênero fica prejudicada, mas também a validação do prazer seguro e responsável, com direito a tudo, desde “ralar a tcheca no chão” a fazer o sexo “daquele jeito”. Também pode transar na adolescência, até porque é nessa época onde as descobertas sobre o corpo dos jovens são feitas e não há nada que possa impedi-los disso. No entanto, tudo isso deve e precisa ser feito com maturidade, começando com debates sérios sobre sexo, sem psicologismos desnecessários ou regras ultrapassadas. Para falar “na real” é preciso apenas contar o sexo real, aquele que acontece na adolescência e deve perdurar até o fim da vida, pois, quando o assunto é prazer, tudo mundo canta a mesma música: “eu adoro, eu me amarro”.

18.5.13

"Não existe político irretocável do ponto de vista do comportamento moral e ético". Lula

Lula e a falta de ética (Editorial)

O Estado de S.Paulo
Sob o comando de Lula, o PT antecipou o início da campanha presidencial, cuja eleição se realiza daqui a 17 meses, de modo que tudo o que as lideranças do partido e do governo fazem e dizem deve ser considerado de uma perspectiva predominantemente eleitoral.
E desse ponto de vista ganham importância as mais recentes declarações do chefe do PT que, do alto de seu irreprimível sentimento de onipotência, anda sendo acometido por surpreendentes surtos de franqueza.
No lançamento de um livro hagiográfico dos 10 anos de governo petista, Lula garantiu que não existe político "irretocável do ponto de vista do comportamento moral e ético". "Não existe", reiterou. Vale como confissão.
Lula está errado. O que ele afirma serve mesmo é para comprovar os seus próprios defeitos.
Seus oito anos na chefia do governo foram de uma dedicação exemplar à tarefa de mediocrizar o exercício da política, transformando-a, como nunca antes na história deste país, em nome de um equivocado conceito de governabilidade, num balcão de negócios cuja expressão máxima foi o episódio do mensalão.
É claro que Lula e o PT não inventaram o toma lá dá cá, a corrupção ativa e passiva, o peculato, a formação de quadrilha na vida pública. Apenas banalizaram a prática desses "malfeitos", sob o pretexto de criar condições para o desenvolvimento de um programa "popular" de combate às injustiças e à desigualdade social.
Durante oito anos, Lula não conseguiu enxergar criminosos em seu governo. Via, no máximo, "aloprados", cujas cabeças nunca deixou de afagar. O nível de sua tolerância com os "malfeitos" refletiu-se no trabalho que Dilma Rousseff teve, no primeiro ano de seu mandato, para fazer uma "faxina" nos altos escalões do governo.
O que Lula pretende com suas destrambelhadas declarações sobre moral e ética na política é rebaixar a seu nível as relativamente pouco numerosas, mas sem dúvida alguma existentes, figuras combativas de políticos brasileiros que se esforçam - nos partidos, nos três níveis de governo, no Parlamento - para manter padrões de retidão e honestidade na política e na administração pública.
O verdadeiro espírito público não admite mistificação, manipulação, malversação. Ser tolerante com práticas imorais e antiéticas na vida pública pode até estigmatizar como réprobos aqueles que se recusam a se tornar autores ou cúmplices de atos que a consciência cívica da sociedade - e as leis - condenam.
Mas não há índice de popularidade, por mais alto que seja, capaz de absolver indefinidamente os espertalhões bons de bico que exploram a miséria humana em benefício próprio.
Aquela tolerância, afinal, caracteriza uma ofensa inominável não só aos políticos de genuíno espírito público que o País ainda pode se orgulhar de possuir, como à imensa maioria dos brasileiros que na sua vida diária mantêm inatacável padrão de honradez e dignidade.
Não é à toa que as manifestações públicas de Luiz Inácio Lula da Silva, além das manifestações de crescente megalomania, reservam sempre um bom espaço para o ataque aos "inimigos".
A imagem de Lula, o benfeitor da Pátria, necessita sobressair-se no permanente confronto com antagonistas. Na política externa, são os Estados Unidos. Aqui dentro, multiplicam-se, sempre sob a qualificação depreciativa de "direita". Mas o alvo predileto é a mídia "monopolista" e "golpista" que se recusa a endossar tudo o que emana do lulopetismo.
Uma das últimas pérolas do repertório lulista é antológica: "Acho que determinados setores da comunicação estão exilados dentro do Brasil. Eles não estão compreendendo o que está acontecendo".
Essa obsessão no ataque à imprensa, que frequentemente se materializa na tentativa de impor o "controle social" da mídia no melhor estilo "bolivariano" - intenção a qual a presidente Dilma, faça-se justiça, tem se mantido firmemente refratária -, só não explica como, tendo a conspirar contra si todo o aparato de comunicação do País, o lulopetismo logrou vencer três eleições presidenciais consecutivas.
O fato é que Lula e seus seguidores não se contentam com menos do que a unanimidade.

12.5.13

Redução não é a solução




A maioridade penal é o assunto do momento. Isto porque jovens criminosos vêm se proliferando pela sociedade brasileira cometendo assaltos, roubos ou até mesmo matando vidas inocentes. Chocados com tanta brutalidade, a população reivindica uma posição mais enérgica do poder público, para penalizar duramente esses indivíduos que cada vez mais cedo entram no mundo da marginalidade. Infelizmente essa postura imediatista só acontece quando barbáries comovem a sociedade, como no caso de Realengo e entre outros mais recentes. Entre eles há um sentimento de descaso, tristeza, mas também a abrupta necessidade de culpar alguém remediadamente. Por não focar na raiz do problema, a redução talvez não seja a solução mais viável para punir menores infratores, uma vez que antes de criminalizar os maus atos cometidos por esses jovens, devemos lembrar que eles são vítimas de uma infinidade de outros crimes já conhecidos por nós, porém sócio e historicamente negligenciados pela sociedade como um todo.

O perfil da juventude brasileira tem mudado ao longo do tempo. Tal mudança é natural, visto que com as transformações sociais, o homem tenta se adequar a essa máquina complexa chamada de sociedade, buscando, pelo menos, sobreviver dentro dela. E isso não seria diferente com os jovens. Desde os transgressores hippies, passando pela jovem guarda e pelos revolucionários “caras pintada” do impeachment do ex-presidente Collor, eles se apresentavam para sociedade ora como protagonistas ora como antagonistas. Mais suscetíveis às mutações modernas, eles voltam a protagonizar o palco nacional, tendo como pano de fundo o espetáculo da violência praticada por eles. No entanto, antes de uma possível punição às vilanias desses infantes, é importante pontuar que a brutalidade dos seus atos decorre de uma série de abandonos e descasos de um país acostumado a resolver seus problemas no calor da emoção e, infelizmente com métodos inutilmente paliativos.

Sempre que ocorre um crime chocante, a sociedade trata logo de buscar soluções imediatistas para punir os “culpados” por tais atos. É o que se pode perceber com o possível plebiscito sobre a maioridade penal. Depois da morte do estudante Victor Hugo, que foi brutalmente assassinado na frente do prédio onde morava, e da dentista Cinthya Moutinho, que covardemente foi queimada viva por assaltantes, a sociedade rediscuti a possibilidade de diminuir a maioridade penal de 18 para 16 anos. É inegável que a barbaridade desses crimes deixa um clima de revolta no ar, o qual ofusca o pensar, levando-o a encontrar caminhos rápidos para que a justiça seja feita. Porém, por mais que alguns defendam a diminuição da idade penal, ela não salvará outras vítimas da selvageria juvenil, nem tem pouco evitará que novos jovens, cada mais cedo, cometam crimes dessa proporção. No máximo, a redução trará uma efêmera e reconfortante sensação de justiça feita, de “dever cumprido”.

Essas sensações logo são apagadas quando um novo caso é noticiado pela mídia. Então, novamente volta-se para o debate enfadonho em torno da penalidade juvenil, como se os governantes e a sociedade como um todo não soubessem as verdadeiras razões que levam crianças e adolescentes a cometer crimes de gente grande. Na verdade, o descaso começa pelo Estado. Numa nação onde as bases políticas são omissas quanto à educação pueril, o resultado não poderia ser diferente: jovens cada vez mais ignorantes, alienados, sem perspectiva de vida e nem de um futuro promissor. Entregues a própria sorte, muitos acabam sendo seduzidos pelo mundo do crime. Outros são impulsionados a ele, pois suas vidas não proporcionavam rotas melhores para sobreviver à fome, miséria e a tantos outros males sociais que transformam homens em bichos. E isso é mais intenso na juventude, porque a inexperiência unida com a ingenuidade e a imaturidade desse período são ingredientes suficientes para fabricar novos assaltantes, drogados e matadores impensantes.

Tudo isso ocorre porque a juventude brasileira vive abandonada ao Deus dará. Sem rumo, ela encontra na marginalidade a válvula para externar seus tormentos. Percebe-se isso tanto no assassinato do estudante como o da dentista. Em ambos, os assaltantes queriam dinheiro ou os bens pessoais das vítimas. Ou seja, sendo ou não para comprar drogas, a atitude desses casos evidencia que o problema em questão não está apenas na redução impensada da maioridade penal, mas sim na recorrente desigualdade social que impera no país. Por mais clichê que seja, é ela a principal pivô de todos os crimes que ceifam vidas inocentes dia após dia no Brasil. Isto porque, mesmo com o discurso em torno da economia aquecida, muitos ainda não fazem parte dessa utópica classe “c” enfatizada nos horários políticos que passam na televisão. Lamentavelmente, muitas famílias vivem sem acesso qualitativo a serviços básicos como saneamento básico, segurança saúde e educação. Esta última, a única capaz de civilizar esses jovens dando-lhes oportunidade de se tornarem cidadãos dignos, nessa terra onde a dignidade parece ter sido esquecida.

Mesmo com esses argumentos, há quem opine a favor da redução da maioridade penal, acreditando que se eles foram capazes de matar, roubar, estão também preparados para assumir pelos seus atos. Tal contraversão opinativa poderia ser válida se o Brasil tivesse um sistema prisional que funcionasse na prática, quando na verdade não é o que acontece. Nos presídios espalhados pelo país a superlotação de celas não aprisiona, mas sim potencializa a violência de homens e mulheres que deveriam estar presos para pagar pelos seus crimes. Entretanto, nas condições desumanas que vivem, eles acabam sendo condicionados a se tornarem bestialidades humanas, as quais, depois de soltas, retornam a cometer crimes tão hediondos quanto os que os levaram as celas. Caso semelhante acontece com os espaços de “ressocialização” destinados a menores infratores. Nesses locais, os jovens deveriam ser reeducados por profissionais competentes e preparados. Da mesma forma que eles deveriam ser acomodados numa estrutura que no mínimo oferecesse as condições necessárias uma possível reintegração social.

Acontece que tanto nos presídios nacionais quanto nas “FEBENS” a realidade é bem diferente. Celas superlotadas, falta de profissionais, alimentação e higienização precárias formam o quadro prisional de quem é retirado da sociedade. No caso dos menores de idade essa falta de estrutura resvala mais intensamente. Como as penas são curtas, logo eles estão à solta na sociedade e muitos voltam a cometer crimes tão bárbaros quanto os de antes. Tudo porque os espaços destinados à reconstrução da identidade civil desse grupo, na verdade se tornou um campo de guerra, ignorado pelo governo e esquecido pela sociedade. Daí quando soltos, despreparados e distantes de uma perspectiva futurista salutar, muitos retornam a criminalidade, já que eles aprenderam forçosamente a sobreviver através dela. E nesse jogo de abandono e descaso, quem ganha é a marginalidade, a qual precocemente tem angariado os seus para sua redoma. E, por outro lado, quem continua perdendo é a sociedade, ora por omissão, já que não reivindica melhores condições de vida para a juventude brasileira, ora literalmente, quando os frutos do seu próprio descaso se voltam contra ela.

E essa relação de causa e consequência, conhecida por todos, só terá um fim quando pararmos de encontrar paliativos e nos debruçarmos em torno da raiz desse problema. Enquanto o gritante abismo social, que separa os endinheirados dos assalariados, existir na proporção que existir hoje, a sociedade continuará a fabricar menores cada vez mais inconsequentes e indomados. E não adianta se agarrar a argumentos como: “se eles podem fazer filhos, podem se responsabilizar pelos seus atos”, ou “se eles matam, merecem ser penalizados por isso”. De fato, a penalização é necessária, mas reduzir a faixa etária para isso, sem uma reestruturação no sistema prisional, é o mesmo que alimentar, educar e preparar criminosos em série, que em breve estarão livres barbarizando tanto quanto antes. Por isso que reduzir a maioridade penal de 18 para 16, 15, 14 anos não vai ser suficiente para resolver a violência juvenil. Ela nasceu na discrepância social, a qual leva meninos e meninas à marginalidade, e ganhou força com o abandono governamental. Sem dinheiro, sem lenço e nem documento, estes pequenos “criminosos” servem de bode expiatórios para os verdadeiros culpados, estes que não estão preocupados em solucionar o problema, mas em encobrir as suas verdadeiras soluções.

11.5.13

MANJAR BRANCO & UM NOVO CASO

 Dois em um
Finalmente foi lançado pela PIACABA EDITORA o esperado livro de contos policiais
 MANJAR BRANCO   &   UM NOVO CASO
Interessados podem adquiri-los pelo telefone 11 30794433 ( Maria ) pelo preço de R$20,00 com embalagem e frete pago para todo o Brasil.

9.5.13

O que salva o brasileiro é o humor

Dois caipiras conversando:
_ Cumprade, quantas muié precisa para acabar com o Brazir ?
_Diuma, sô !!!

6.5.13

“Pi-pi-pianinho, Ca-ca-caladinho”



A época em que as mulheres ficavam estagnadas aos serviços domésticos pouco a pouco tem se perdido no tempo. Mais dinâmicas, hoje elas trabalham, estudam, cuidam da casa dos filhos e administram a relação conjugal com muita destreza e responsabilidade. Outras são mais modernas e fazem tudo isso sem a intervenção masculina. Devido às mudanças tão drásticas é inevitável não aplaudir o crescimento delas na sociedade, ao passo que tal avanço seja acompanhado assustadoramente por muitos homens, sobretudo por aqueles mais machistas nesse sentido.  Em resposta, o feminismo tenta contrapor-se ao machismo que ditou regras a elas durante séculos, renegando-as ao segundo ou terceiro plano da sociedade. Acontece que a expansão feminina tem realizado um efeito seis por meia dúzia, visto que muitas buscam superioridade ao invés de igualdade e isso tem criado uma cultura perigosa em torno delas. Infelizmente, esse fenômeno tem crescido pelo Brasil, como se as mulheres quisessem vingar, em curto prazo, todos os males que passaram até agora.


Todas as minorias, que compõe a estratificada história da nação brasileira, lutaram durante anos para conquistar seus respectivos espaços na sociedade e, por fim, serem aceitas por esta. O negro enfrentou tudo e até hoje luta para ser visto além da melanina que encobre sua pele. Os homossexuais também desejam desconstruir o preconceito em torno da condição sexual deles, e brigam com unhas e dentes para que isso aconteça. E, neste contexto, as mulheres buscaram equitativos direitos perante uma cultura patriarcal, que minorava o papel delas dentro do lar e na própria esfera social. De todos esses grupos, os maiores avanços foram registrados pelas mulheres. Elas conseguiram desmoronar parte da grande muralha de preconceito em torno do estereótipo frágil e inutilizado que pairava sobre elas. Tal conquista serve de exemplo e impulsiona os demais grupos marginalizados a continuar lutando por um mundo mais justo e aberto ao “diferente”. Nessa trajetória, se antes elas foram silenciadas, hoje elas emudecem os resquícios da cultura machista que ainda tenta prevalecer entre os mais conservadores. Entretanto, até que ponto essa ascensão tem sido positiva?


Quando a revolução feminista aconteceu, tudo o que as mulheres desejavam eram dignidade, igualdade e respeito. Coisas estas que não faziam parte da plena sociedade de direito, a qual era composta e controlada apenas por homens. Os tempos paulatinamente mudaram. Elas conseguiram votar e serem votadas. Determinaram a quantidade de filhos que desejavam ter e os devidos parceiros para este feito. Puderam usar a hiper, mega, super, ultra, minissaia e desfilaram livremente pelas ruas com ela, (mesmo correndo o risco de serem tachadas de vadias ou rótulos do gênero). Ganharam verso, poesia e canção e hoje ocupam cargos inimagináveis em outrora, como a de Presidência da República; em várias partes do mundo. Por tudo isso, embora muitas sofram discriminações e violências diversas, é inegável o avanço delas e a aceitação da sociedade em meio a isso. No entanto, a cultura feminista parece não se contentar com todas essas conquistas e desejam cada vez mais poder. 



Devido a isso, os homens de vilões passam, ou passariam, a serem vítimas de um ambiente dominado por mulheres. Parece engraçado, até meio controverso, mas a expansão da mulher na sociedade conseguiu que, de fato, eles ficassem “caladinhos”. Seja no lar, no trabalho, nas artes, elas mostram uma superioridade tremenda, mesmo que a sociedade ainda finja não reconhecer isso. Mudos, os homens não tiveram muita escolha, se não aceitar as condições impostas pela cultura feminina. E engana-se quem pensa que os perfis sexistas, propagados na infância, foram suficientes para conter as “Girls Just Wanna Have Fun” existentes em cada uma delas. Elas, então, assumem as finanças da casa, gerenciam grandes empresas, casam-se, ou simplesmente amalgamam-se, tem vários relacionamentos, adotam crianças ou as escolhem em laboratórios, usam roupas curtíssimas, falam palavrões, são ousadas, despachadas, inteligentes e donas do próprio nariz. Tudo isso retirando a sensação de posse que esteve nas mãos dos homens durante longos anos.

Ao se falar em cultura feminista, portanto, tem que se pensar em um conjunto de ações desse gênero em torno de estratégias para conter o sexismo ditado pelo histórico patriarcado em várias partes do mundo. Subestimadas pela sua condição sexual, as mulheres amargavam o rótulo de “sexo frágil”, o qual subjugava a sua condição perante a sociedade. Por aqui, para enfrentar o estereótipo da Amélia, elas vêm rebatendo o discurso da “mulher de verdade”, da música do saudoso Mário Lago, e na atualidade se colocam como donas de um discurso autônomo, com canções versadas entre o feminismo e a ousadia. No campo das artes, de várias formas isso vem acontecendo, mas é no terreno musical que elas dominam. Divas, cantoras pops, funkeiras, elas mostram todo o seu potencial com letras impositivas, como se estivessem travando uma guerra contra o sexo oposto. De fato, a representatividade que a música exerce na cultura social se tornou a arma necessária para que as mulheres externassem, além do talento, suas inquietações, revoltas e transgressões. Com isso versos como “sou mais macho que muito homem” e “eu adoro, eu me amarro”, deflagram a efervescência feminina na sociedade. Surge, então, a “Independent Woman”: livre, ousada e transgressora.

Nesse sentido, o que Cyndi Lauper, Beyonce, Rita Lee, Zélia Duncan, e a banda de forró Santropê têm em comum? Simplesmente a imposição feminista disfarçada em letras dançantes e “inofensivas” que, implicitamente enaltecem a mulher e inferiorizam a ala masculina. Multifacetadamente, estas canções têm impregnado na sociedade um discurso do qual a soberania delas se sobrepõe a deles. Frases como “as mulheres estão invadindo os quatro cantos do planeta”, da contagiante banda forrozeira, denotam essa mudança de conduta de papéis na sociedade. Fora do âmbito nacional, recentemente a artista Pop Beyoncé lançou uma canção de cunho semelhante. “Run the World”, como é conhecida, faz uma referência clara a pretensa dominação feminina na sociedade, pois letra e clipe (sem contar as inúmeras apresentações dessa artista) exibem um conglomerado de mulheres fazendo uma clara alusão ao poderio desse gênero em todo o mundo. Para muitos, essa postura é compreensível, visto que durante anos elas sofreram (e ainda sofrem) com os preconceitos herdados e nutridos pela cultura do machismo, que ainda hoje sobrevive fazendo as suas vítimas. Compreensível, sim, mas não aceitável, pois com isso estamos sobrepondo um ismo sobre o outro.


Esta sufixação é conhecida por muitos, pois historicamente tem criado embates entre diversos segmentos sociais: Capitalismo x Comunismo, Ateísmo x Cristianismo, Heterossexualismo x Homossexualismo, dentre outros “ismos”. A sociedade brasileira foi marcada por estas palavras, que tem em comum uma relação polêmica entre a imposição e a patologia. Essa dicotomia também não é diferente com o machismo e o feminismo. Se durante séculos a figura do macho prevaleceu, e até hoje mantem-se viva, agora a fêmea tenta assumir as rédeas, ditar normas e controlar tudo e todos. Nesse redimensionamento de poder, o discurso de igualdade construído pelas mulheres vem perdendo sua força, porque o que muitas desejam vai além da conquista do próprio espaço. Elas querem dominação suprema, os cargos mais altos, os quais a chefia seja utilizada como mecanismo de vingança contra aqueles que as inferiorizaram ao longo do tempo: os homens. Essas “Pagus”, pós-modernas e sem causa, desconhecem o perigo dessa atitude e, sobretudo o quão nocivo é sobrepujar valores tão antigos de forma abrupta.


Isso não quer dizer que elas devam aguardar passivamente as transformações sociais em torno do gênero. As mulheres devem continuar na luta contra o preconceito que as inferiorizam e a discriminação que as limitam. Porém, isso não dá o direito a elas de romper certas barricadas com punho de ferro. Felizmente, muitas batalhas foram vencidas, mas a guerra ainda não. Que o machismo foi o causador de todas as discriminações vividas por elas, isso já se sabe. Agora, dizer que o feminismo não é perigoso é ignorar todos os malefícios daquele sobre este e vice-versa. Em outras palavras, quando se cria um embate entre grupos abre-se um precedente para que outros segmentos marginalizados reivindiquem “direitos” de forma impensada. É o que acontece com as Paradas Gays espalhadas pelo Brasil e mundo afora; com a marcha da maconha, com as passeatas ligadas a temas afrodescendentes e étnicos em geral; e, por fim, a marcha das vadias. Todos são desconsiderados, ou pior, ignorados, porque falta muitas vezes ideologia, senso de pertencimento, e uma postura pautada na igualdade de direitos, fincada e contextualizada com a realidade de cada país e suas respectivas culturas.