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26.4.13

Essa bicha é a sociedade

 

Andar sinuoso, voz afeminada, vestimenta colorida, penteado da moda, essas características são facilmente encontradas em ruas e avenidas do país. Elas compõem o estilo dos homossexuais, digamos, mais delicados, ou as famosas “bichinhas”. Estereotipadas pelos héteros e odiadas pelos gays mais discretos, elas colorem em aquarela tudo por onde passam e pouco se importam se estão ou não agradando os presentes. Transgressoras, esses indivíduos não se intimidam com os olhares alheios e usam e abusam de maquiagem, salto alto, cosméticos, roupas justas e tudo o que a indústria da moda puder oferecer. Por causa dessa conduta vanguardista, essas “bichas” trouxeram uma significativa mudança para essa sociedade estruturada no macho viril e truculento, dando a ele a chance de manter a sua masculinidade intacta, ao passo que se torna mais aberto à vaidade e as mudanças estéticas que esta pode lhe proporcionar.

O perfil do homem, suado, sujo de graxa, cabelos despenteados, roupas desgrenhadas e aspecto de retirante só agrada aos fetichistas ou aos amantes do visual aborígene masculino de outrora. Hoje, no entanto, elas (e porque não eles) preferem o homem que se cuida, que usa condicionador e xampu, creme hidratante no corpo e pós-barba, um bom perfume e de preferência que esteja vestido na tendência da moda. No mínimo elegantes, educados ao falar e com um ar de delicadeza, a idealização masculina tem cada vez mais transitado numa atmosfera que era restrita as mulheres. Tudo isso só foi possível, porque a histórica evolução da sexualidade humana demonstra que os papéis imutáveis de homem e mulher não se encerram apenas às genitálias. Se, de um lado, ela chora, ele se derrama em prantos; se ela sofre, ele desaba em depressão; se ela se apaixona, ele ama loucamente. E essa reconstrução masculina só foi possível por causa das marginalizadas “bichinhas pintosas”, dos transformistas e das incompreendidas travestis.

Isso mesmo! Ao longo da história, a imagem de homens e mulheres se travestindo era comum e servia de instrumento de diversão. Conduta essa que ganhou bailes e ruas do Brasil nas festas de momo, popularmente conhecidas como carnaval. Nesse período, todos podiam realizar suas fantasias femininas mais secretas e se entregarem ao deleite dos criativos personagens adornados de plumas e paetês, sem o crivo do preconceito que vigora antes e depois dessa festa. Era o homem lobisomem e a mulher “cabra macho sim sinhô”. Essa “bicha” é a sociedade. Baseado nisso, ela, a “bicha”, retoma mais uma vez seu lugar de importância nessa discussão. Graças a ela, aos travestis e as/os transformistas, muitos homens atualmente se aventuram no universo das mulheres sem perder o rebolado. É o que acontece com muitas “Drag Queens”, personagens caricaturados da noite que se transformam lindamente para encarar um dado personagem e realizar seus shows. Para quem não sabe, muitos delas são héteros, casados e até com filhos. Isso, porém, não foi obstáculo para estas artistas da noite, que abrilhantam boates a casas de espetáculo Brasil afora, deixassem sua contribuição contra o machismo operante.

E por que é tão complicado assumir o lado feminino dentro de cada um de nós? Com a imposição do macho alfa, ser mulher ganhou uma conotação marginalizada e durante muito tempo o feminino foi caracterizado como inferior, frágil e minorado. Numa cultura patriarcal e, consequentemente dominada pelo homem, as mulheres foram redimensionadas aos serviços domésticos. Com essa estratificação, ele ganhou o perfil inexorável, conservador e troglodita e ela a dócil imagem da donzela indefesa. Quando a revolução feminina abalou essa estrutura, elas passaram a desconstruir essa redoma e se tornaram mais autônomas de si. Esse dinamismo também serviu de válvula para que os gays mais afeminados ganhassem seu espaço na sociedade, usurpando, por assim dizer, o espaço que antes era ditado apenas pelos homens. Por isso que a homossexualidade é tão rechaçada pela sociedade. Não é só a prática de sexo entre iguais que incomoda os mais puritanos, mas a inversão de papeis, ou melhor, a invasão de uma fronteira que era intransponível.


Sendo mais claro, quando o homem afeminiza-se ele confronta todo o tratado histórico traçado para esse gênero. Ele acaba enfrentando o viril que foi sedimentado ao longo dos séculos e externaliza outro, mais meigo e sereno. O mesmo acontece quando a mulher se embrutece. Por ser condicionada a ser a parte faceira da relação, quando elas transgridem essa linha, logo são repudiadas pela sociedade. Então, percebe-se que a “bichinha pintosa”, ou até mesmo a “sapatão”, foram importantes para flexibilizar as identidades de gêneros adormecidas por essa secular educação sexista, que tenta se manter viva até hoje. Por causa disso, os metrossexuais se alastram deliberadamente pela sociedade. Homens que fazem da sobrancelha a unha do pé, que usam roupas justas, malham duro para fisiculturar seus corpos. Alguns até se tornam adeptos das cirurgias plásticas e tratamentos intensos de beleza. Tudo para agradar suas parceiras, mas sem perder a virilidade do seu gênero.

Essa nova postura vista preconceituosamente pelos mais eruditos só foi possível graças à contribuição dos homossexuais mais afeminados. Sem eles, estaríamos desejando os mesmos primatas malcheirosos e incivilizados do passado. Por isso é importante, a priori, desconfigurar esse preconceito que vigora tanto entre os héteros quanto entre os gays mais “contidos” contra as “bichinhas pintosas”. Estas que, vistas por outro ângulo, foram determinantes para a construção dos novos costumes estéticos e morais que moldam as vanguardistas personalidades masculinas da sociedade. E não adianta dizer que o seu lado feminino não existe, pois isso é pura babaquice. Ele apenas está adormecido e aguardando a chance de transpor as barreiras sociais mais antiquadras para demonstrar toda a sua força. Para isso, os que ainda resistem devem entender que ser vaidoso, na medida certa, não fere a sexualidade de ninguém. Pelo contrário, em tempos neoparnasianos como o nosso, cuidar do corpo, interno ou externamente, é despertar os sentimentos mais humanos existentes em cada um de nós.
E nesse jogo, vale a pena chorar, se maquiar, mudar a cor do cabelo, usar lentes de contato, bombar a musculatura, usar roupas coloridas, justas ou folgadas demais. Ser delicado às vezes, ou mais bruto a pedidos. Dizer que sente saudades, que não aguenta mais ficar longe da pessoa amada; de se declarar para quem se ama, sem o receio de ser chamado de cafona ou mulherzinha. É dizer que é fã da Lady Gaga ou do Marcelo D2. Assumir que tem medo do escuro, de ficar sozinho à noite ou de assistir aquele filme de terror sem uma boa companhia para abraçar. É se emocionar todas as vezes que assiste a aquela romântica cena que embala os clássicos cinematográficos; que você já viu centenas de vezes, mas sempre na parte dos “felizes para sempre”, você luta, mas não consegue segurar as lágrimas que parecem ter vida própria. É gritar para o mundo que você é homem, viril e hétero, mas também sensível, carente e, por que não vaidoso. Tudo isso deve ser feito para que as barreiras que tentam enclausurar nossas alegrias, desejos e virtudes sejam desfeitas, porque o que vale é ser feliz. Porém, para isso é necessário libertasse de todas as amarras que limitam nossa felicidade e viver a vida sob um único lema: ser feliz é ser livre!

 

24.4.13

Manda quem pode, obedece quem tem juízo.

Escravizar o outro, utilizando-o como mão de obra barata e forçada, é uma prática muito antiga e comprovada ao longo da história. Desde a construção das imponentes pirâmides do Egito, passando por outros impérios, como Grécia e Roma, o ser humano sempre escravizou o outro em benefício próprio. No Brasil a história não poderia ser diferente. Marcado pela escravização negreira, a herança dos tombadilhos ainda açoita nossa realidade com chibatadas tão fortes quanto aquelas sofridas pelos negros nas grandes senzalas espalhadas pelo país. A diferença é que hoje a escravidão é velada, aplicada de forma eufêmica, similar apenas nos maus tratos e na ausência de direitos, como se a Lei Áurea tivesse ficado apenas no papel. Soberana a todas estas, a escravidão econômica é a principal razão de os seres humanos ainda serem subordinados animalesticamente pelo outrem, sobretudo numa nação que marginaliza os mais pobres como a nossa.
No mesmo foco, falar em escravidão e não se lembrar dos negros é o mesmo que fingir que a discriminação contra eles foi uma lenda no país. Infelizmente, o sofrimento deles não foi suficiente para apagar as marcas discriminatórias deixadas por uma cultura escravocrata. Hoje os negros ainda amargam o dissabor dos tempos nefastos da escravidão e têm que lutar triplicadamente para se firmarem no mercado. Eles ocupam cargos inferiorizados, são marginalizados pela cor, modo de se vestir e até pela textura e corte de cabelo. Também não são bem vistos quando o assunto é inclusão, principalmente nas cotas, visto que nessa ocasião o discurso de que “todos somos iguais”ressurge para minorar a entrada desse grupo nas academias do país. Felizmente, casos como o do ministro do Superior Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, atual presidente, mostra que uma pequena mudança tem acontecido a favor dessa classe historicamente penalizada por um povo acostumado a segregar o “diferente”.
Recentemente também a mídia noticiou algo que comprova práticas escravistas em pleno século XXI. Bolivianos eram obrigados a trabalhar em fábricas de costura e não recebiam dignamente pelos seus serviços. Esse fato, que ocorreu no estado de São Paulo, desmascarou um esquema nacional de trabalhos forçados que não se limita apenas a região sudeste. No norte do país infelizmente os imigrantes que adentram em terras nacionais são contratados por fazendeiros que se aproveitam da ilegalidade dessas pessoas para obrigá-las a cumprir exaustivas horas de serviço, muitas vezes com pouca ou nenhuma remuneração. Exemplos desse porte assustam, pois não aconteceram no século XVII, mas continuam a atormentar as pessoas mais fragilizadas sócio e economicamente na modernidade. Condenados a pobreza, a esses indivíduos não resta outra opção se não se submeterem aos métodos escravistas dos grandes latifúndios nacionais.
Parece que os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade da Revolução Francesa não chegaram ainda por aqui, a ponto de garantir a dignidade de nativos e estrangeiros. Nesse sentido, não é só os imigrantes que sofrem a duras penas com a escravidão moderna. Por aqui, em muitas áreas os trabalhadores exercem suas funções com as semelhantes barreiras vividas em 1888. O PEC das empregadas domésticas reacende tal discussão em torno dos direitos trabalhistas, principalmente das mulheres, bem como a escravidão vivida por muitas delas. De gata borralheira à princesa, as antigas serviçais podem contar com a carteira assinada e todas as garantias legais que isso pode proporcionar. Entretanto, ofertar regalias as empregadas não tem sido bem visto pela sociedade dominante. Esta postura de patrões e patroas denota que a nossa sociedade, acostumada a subalternizar o ser, não foi educada a alforriar seus“empregados”. Pelo contrário, em algumas casas, as domésticas serviam de forma análoga às crioulas do período escravocrata brasileiro, sem direito a nada, a não ser o de ficar caladas e de trabalhar, trabalhar, trabalhar...
Nesse sentido, a histórica escravidão dos mais carentes formulou vários dizeres entre a população. O dito popular “manda quem pode, obedece quem tem juízo” ganhou imensa motricidade na cultura nacional, subalternizando todos aqueles que se equiparavam aos negros. Desse perfil homens, mulheres, crianças e adolescentes, geralmente pobres e boa parte sem instrução, traçaram o estereótipo braçal daqueles que deveriam apenas servir. Por ter herdado muita coisa dessa época, o Brasil maquiniza o trabalho daqueles que vivem à margem da sociedade. Numa nação abismaticamente desigual, onde a discrepância entre os mais ricos e os miseráveis ganha distancias continentais, é de se esperar que a esses últimos reste se sujeitar ao menosprezo dos serviços mais desumanos possíveis. Sabendo dessa necessidade, muitos empregadores endinheirados exploram desonestamente essas pessoas, pois contam com a ignorância delas e com a ineficiência pública, a qual deveria proteger tais cidadãos.
Sem o respaldo legal, muitos acabam servindo de marionetes nas mãos de grandes empresários. E isso na esfera “legal” da coisa. Imagine então quando a escravidão passa a ser plenamente ilegal. Nesse caso vale pontuar a exploração de mulheres para a rede mundial de prostituição, um dos mercados mais rentáveis do mundo. Carentes de uma vida melhor, muitas delas se iludem com as falsas promessas de aliciadores e acabam sendo vendidas para o mercado do sexo. Lá são abusadas, usadas e muitas vezes exterminadas. Isso acontece, sobretudo com as jovens que vivem nas regiões mais pobres do país, já que a condição de vida dessas garotas serve de instrumento nas mãos de cafetões para seduzi-las a seguir suas perigosas orientações de fama e sucesso. A mídia novelesca tem trazido à tona essa discussão, para que a sociedade fique alerta e não deixe que outras vítimas sejam angariadas por esse mercado desumano e que cresce em silêncio por todo o país. Mesmo assim, ela sozinha não é suficiente para conter os desejos de mudança de vida dessas jovens que encontram nas ofertas de trabalho no exterior a chance de transformar a própria realidade e a dos famigerados familiares.
Além dessa escravização mercantilística do corpo, ressalta-se também aquela que acontece dentro das nossas fronteiras. Crianças e adolescentes são constantemente prostituídas em casas do gênero, nas ruas por familiares e até mesmo na internet, local onde a sexualidade tem sido cada vez mais negociada por valores altíssimos. Nessa atmosfera, a escravidão tem acontecido em forma de bullying, o qual tem silenciado os aliciadores e sentenciado os aliciados, muitos até a morte. Na realidade, vários capatazes são os responsáveis por escravizar os jovens nos ambientes virtuais: os pais por omissão ou descuido; o governo por falta de uma política que apreenda e condene os reais algozes que vitimam a juventude pela internet e, deste último, a falta de uma educação que esclareça os perigos das amarras desse ambiente cibernético tão dicotômico que é a internet.
Todas essas práticas escravistas não se encerram por aqui. Sabemos que muitas outras são sorrateiramente realizadas, desde os longínquos terrenos e fazendas até os arranha céus das grandes metrópoles brasileiras. Ou seja, de peões a empregadas domésticas, e outros que não foram destacados aqui, o escravismos se faz presente, pois fomos educados a maquinizar o outro que geralmente é carente de inúmeros recursos para sobreviver. Tudo isso mais uma vez poderia ser atenuado se o debate clichê e enfadonho sobre a educação ganhasse vez e voz na sociedade. É ela que irá desconstruir mais essa barreira histórica da ignorância de um povo que continua segregando veladamente seu semelhante. Enquanto não houver uma consciência educacional, nesse âmbito, continuaremos a adestrar seres humanos como verdadeiras forças animais irracionais. O Brasil não pode apagar da sua história o período negro da escravidão, mas pode no mínimo deixá-lo no papel, evitando resgatar a opressão vivida em tal época. Só assim as analogias serão desfeitas e a sociedade criará uma relação harmônica entre patrões e funcionários, deixando a palavra empregado fincada eternamente no passado.

14.4.13

Alegria agora!




No último domingo, o Fantástico noticiou uma matéria que surpreendeu o país: a cantora Daniela Mercury assumia nacionalmente uma relação homoafetiva com outra mulher. Após ter a sua bissexualidade confirmada, ela, no entanto, disse que não se enquadra em nenhum rótulo sexual imposto pela sociedade, limitando-se a dizer que era livre para gostar de quem quisesse. De fato, todos nós somos, ou deveríamos ser, livres para externar os nossos desejos e sentimentos por quem quer que fosse, mas devido a inúmeros fatores, acabamos nos enclausurando em “armários” para esconder algo que cedo ou tarde será revelado.  Nisso tudo, penso que os artistas, grupo que apresenta uma enorme influência na sociedade, deveriam ser os primeiros a cumprir o seu papel e derrubar os preconceitos que pululam as minorias. Ou seja, se tantas outras celebridades fizessem o que a cantora baiana fez, muitos dos problemas que afligem gays, negros, mulheres, índios, entre outros grupos minoritários, seriam resolvidos.

No entanto, diante de tantas revelações de celebridades nesse sentido, emerge um questionamento: mesmo com toda a liberdade que é vivenciada no mundo artístico, por que é tão difícil para tais personalidades revelarem suas preferencias sexuais? Num plano menor, uma simplista resposta para essa questão reside na heteronormatividade imposta pela nossa sociedade. Nossa educação ainda peca no que se refere a um trabalho voltado para a sexualidade plural do ser humano. Presos às genitálias, pais e mães continuam a educar seus filhos nos moldes do macho e da fêmea, onde o primeiro ainda prevalece sobre o segundo. Por isso que muitos famosos, vítimas desse sistema, não se encorajam ao ponto de confrontar esse modelo de vida, perpetuando através dos seus respectivos trabalhos os estamentos que historicamente enaltecem os héteros e inferiorizam os gays, bissexuais, travestis, transexuais.

Já num plano maior, a mídia não trabalha com a temática LGBT como deveria. Contraditoriamente a isso, os gays são tratados em polos bem distintos: de um lado os afeminados, divertidos e engraçados, caricaturas servindo de palhaços para o grande picadeiro denominado de sociedade. E, do outro, os que estão no armário, enjaulados por um sistema que priva a sexualidade alheia, obrigando-a a ficar trancafiada. Por causa dessa limitação, resvala a ideia errônea da homossexualidade dividida entre o riso e o armário, forçando famosos e não famosos a escolher qual dos lados dessa controversa moeda ele deve se encaixar. Devido a isso, muitos artistas não se sentem a vontade para externar o que de fato sentem, e preferem viver às escondidas. Repressão esta que, durante anos, forçou aqueles que escolheram o estrelato a interpretar o papel heterossocial para serem aceitos.

Se nem os artistas escapam da discriminação, imagina então os anônimos. Estes, infelizmente, ainda lutam para enfrentar uma sociedade que crava marcas indeléveis em cada indivíduo desde o seu nascimento. Aqui no Brasil, por exemplo, desde a tenra idade, aprende-se que ser menino e menina não é apenas uma questão genital, mas de sobrevivência, visto que, aquele que ousar transpor tais fronteiras será duramente penalizado. As penas não têm um amparo legal e podem variar dependendo do “agravamento” exposto por cada indivíduo. Neste sentido, se a pessoa for gay, mas discreta, não afeminado (ou masculinizada), o que no máximo pode ocorrer são algumas piadinhas desonrosas nas ruas, a olhares de soslaios por aqueles mais conservadores. Entretanto, se o homossexual resolver assumir externamente sua condição (com direito a voz afeminada ou máscula demais, roupas extravagantes, penteados modernos, ou quem sabe o transformismo) as penalizações são intensificadas entre ofensas, pancadas ou mesmo a morte desses indivíduos.

Tudo isso acontece porque o grande público se sente desamparado sócio e legalmente por um país que ainda não dá o devido espaço e respeito para os homossexuais. Por essa razão, quando um famoso rompe as barreiras do preconceito, ele não só serve de modelo para outros na mesma situação, mas também de expoente para o enfrentamento das questões que marginalizam aqueles considerados “diferentes”. E para militar não precisa necessariamente ser genuinamente gay. Há pouco tempo, artistas como Caetano Veloso, Dira Paes, Preta Gil e Vagner Moura, uniram-se em prol da expulsão do polêmico parlamentar Marcos Feliciano, conhecido por esbravejar frases degenerativas não só contra os homossexuais, mas também a negros e mulheres. A junção desse grupo é uma arma positiva contra a repressão religiosa de uma nação que se diz laica, porém privilegia ditadores religiosos que belicosamente atacam a homossexualidade, baseado em argumentos arcaicos e indiscutivelmente subjetivos.

Esses aliados não estão expondo suas faces para ganhar notoriedade, algo que é muito comum entre as celebridades instantâneas e sem talento. Pelo contrário, eles lutam por um modelo de sociedade que seja plenamente democrático e não uma releitura dos tempos áureos da ditadura militar. Neste período, muitos famosos que repudiavam a postura política do país sofreram a duras penas o dissabor de enfrentar as imposições vigentes, sendo exilados, presos e até mortos por essa pátria “democrática” onde vivemos. Acontece que hoje a repressão anda velada, desfavorecendo aqueles que não se adequam a normatividade sexual imposta pela cultura do hétero. Sorte nossa que os mesmos artistas que não se calaram em outrora não foram silenciados com o tempo e continuam lutando por um país mais justo e igualitário. Porém, é lamentável saber que muitos outros poderiam militar em favor dessas e de outras causas que atormentam as minorias, mas preferem a omissão, o silêncio, dando vez e voz aos fundamentalistas que apregoam discursos nocivos contra essa sociedade vítima da cegueira da ignorância.

Daniela é só a ponta de um grande e profundo iceberg sobre a sexualidade de muitos artistas, a qual vive submersa nas gélidas águas da intolerância. Ela, Ana Carolina, Adriana Calcanhoto, Marco Nanini, Netinho, Thammy Gretchen, Renato Russo, Rick Martin têm em comum os palcos e a exposição de um modelo sexual inaceitável para a sociedade. Guardadas as devidas proporções sócio temporais de cada um deles, é inegável não perceber o quão importante foi o exemplo dessas e de outras celebridades para a desconstrução dos preconceitos em torno dos gays no Brasil e no mundo. A coragem dessas celebridades merece nossa admiração e respeito, pois fermenta uma discussão salutar numa época onde os embates em torno da liberdade sexual estão vindo à tona e, possivelmente um confronto neoinquisitivo, nesse sentido, irá acontecer entre os que pregam um modelo antagônico de vida e os que lutam por um país revolucionário e melhor para todos. Resta torcer para que outras Danielas continuem a surgir e a semear alegrias agora, agora e amanhã.

12.4.13

Rapaz Passeia Com Porta de Golf - Sacolas Engraçadas.


Um movimento na Europa trouxe mais alegria às compras. Você sabe aquela sacola que o logista lhe entrega com suas compras nos shoppings ou nas galerias? Pois bem, logistas europeus encontraram uma forma bem humorada de acondicionar seus presentes, que além de divertir, ajuda a divulgar a marca da loja, um produto específico ou empresa. 


O espaço nas sacolas também é usado para promover programas sociais, ou movimento de proteção ao meio ambiente ou aos animais, entre outros motivos. 
Tendo sempre a linha do humor como guia, as imagens estampadas nas sacolas são tão bem impressas que parecem reais a quem as vê. 
Com um simples carregar de mãos, é possível ver grande e pesado alteres levado por uma moça. Doce a imagem da criança de mão dadas com o adulto, ou animais pedindo ajuda. Senhora carregando pesada grade de bebida, torço nu masculino ou senhor enforcado. 

Embora esta jogada de marketing tenha começado a ser usada a mais de três anos, os designs são bem trabalhados e os elementos, bastante atuais. 

Divirta-se com essas imagens, onde a criatividade e o humor estão impressos de maneira a convence-lo que nem tudo que parece é. Em post futuro trago outras imagens.

Fonte: Bored Panda 

11.4.13

Um Grande Gafanhoto Nos Visitou.


Nas últimas férias tivemos a grata surpresa de sermos visitado por uma bela manifestação da natureza. Foi privilégio ver um espécime lindo e raro. Em ambientes urbanos não é muito comum a cena. Diria que é raríssimo. Já em sítio, fazenda ou chácara, poder ser tão trivial, que beira a bobagem. Pois bem. A noite estava agradável, ventava e não fazia calor. A turma festeira, conversava animada lá fora, na varanda, depois do lanchequando gritaram meu nome.



- Vem ver uma coisa aqui. 
- Corre. Trás o celular. 



O quê acontecia, pensei. Peguei o celular e fui ansiosa até lá, ver o motivo da gritaria. Foi então que pude ver a figura do ilustre visitante: um grande gafanhoto, ou se preferir, um gafanhoto gigante. Nas cores verde bem escuro e verde musgo, quase esmeralda. Com suas longas pernas e antenas. Uma pigmentação em listras irregulares que lembrava desenhos minimalistas. 

Tatuagens talvez. Muito bonito de se ver, e de assustar também. Se quiser imaginar pode pensar em um ser extraterrestre. Mas fique frio, não é nada disso.
O ser que nos presenteou com o ar de sua existência ficou ali, alheio aos olhos arregalados e as vozes que diziam:


- Nossa isso é um gafanhoto?! 
- Ah, já vi um igual antes. 
- Pelo-amor-de-deus que coisa feia. 
- Que coisa linda. Claro que essa era eu.
E depois:
- Pega uma sandália! 
- Ele vai pular, ele vai! 
- Ele vai não. Deixa ele ai mesmo.
- Anda, bate a foto, antes que ele vá embora. 
- Melhor deixar ele quieto, ele pode pular em você! 


A vontade era pegar o bicho e colocar na mão, mas cadê coragem? Então coloquei um isqueiro daqueles pequenos, do lado dele. Apenas para ilustrar o tamanho do bichinho. Tentei colocar a mão o mais perto possível, mas fiquei por ali uns cinco centímetro de distância. Muito mais pelo fato de não assusta-lo, ele ir embora e eu não conseguir as imagens, do que pelo o que ele poderia fazer comigo ao pular em mim. Nada. Claro. Mas quem vai duvidar.



Consegui estas imagens, e como ele se mexia muito pouco, e nós na maioria mulheres preferíamos que ele não se mexesse mesmo. Deixamos ele lá e continuamos o conversar. Pela manhã ele mudou para uma das colunas a poucos metros, e depois sumiu. 

Foi uma experiência que considerei fantástica. Fiquei pensando: que um animal desses para chegar a este tamanho, um pouco mais de 10 cm do rabo a cabeça, deve ter vivido muito, e com certeza é merecedor de respeito e carinho de nossa parte. Pois teve que sobreviver a todas a cadeia de predadores, pelo menos umas cem vezes. Foi um forte, e sortudo também. Por não ter encontrado, nenhum espirito de porco, que o machucasse, ou matasse mesmo.

Não sou bióloga  nem estudiosa de insetos ou coisa do gênero, mas como faço parte dos Admiradores de Pouca Beleza, fico feliz de ver a natureza se manisfestar nas cores e formas mais complexas e belas possíveis. Tudo com uma finalidade, propósito, risco e benefício. Sábia a mãe natureza. Muito sábia.

O que levou a majestosa figura deste gafanhoto até àquela varanda naquela noite estrelada de ventos frescos? Sei lá. Deve ter sido a luz, o apetitoso bonsai na mesa, o cantar dos grilos da vizinhança, a conversa animada da turma, a grama verdinha do pomar, o sossego do lugar, o ambiente limpo e seco, ideal para pouso em viagem. Acho mesmo que foi a algazarra que a turma fazia. Risos, vozes e conversas, que se desviaram com a chegada do gafanhoto, mas que voltaram ao seu curso, logo em seguida.

10.4.13

Vinho Tinto e Chá Verde Podem Prevenir Alzheimer.



Fala-se muito sobre os benefícios do vinho e do chá verde, mas agora esta comprovado  cientificamente, através de estudo realizado por eminente universidade inglesa, voltado ao Alzheimer. Não são resultados definitivos, porém representa um passo em direção ao entendimento do mecanismo desta doença, e base para outros estudos na área. Veja abaixo matéria publicada  na Revista Adega
"Um estudo recente realizado pela Universidade de Leeds, na Grã-Bretanha, e publicado no The Journal of Biological Chemistry descobriu que sustâncias presentes no vinho tinto e no chá verde têm o poder de bloquear um dos fatores responsáveis pelo desenvolvimento do Alzheimer.


Testes de laboratório concluíram que a EGCG, uma enzima encontrada no chá verde, e o resveratrol, um antioxidante achado no vinho tinto, impedem que uma proteína associada à doença, a beta-amiloide, conecte-se às células cerebrais, causando a morte destas. O Alzheimer é caracterizado por um acúmulo anormal de beta-amiloide no cérebro.

Como foi realizado em laboratório, o estudo ainda precisa ser testado em humanos para a eficácia ser confirmada, porém, os pesquisadores estão entusiasmados com os resultados, uma vez que ainda não há cura para a doença. "Este é um passo importante para aumentar a compreensão das causas e progressão do Alzheimer", afirmou o pesquisador Nigel Hooper."
Sendo assim vamos ao vinho e ao chá verde. Lembrando que não é o consumo exagerado que trás os benefícios a saúde, e sim consumo moderado, introduzindo as bebidas na rotina das refeições por exemplo, ou nos encontros com os amigos e família. 

9.4.13

Rápido e Fácil: Faça Aqui o Teste de Coluna.


Considero a coluna um dos órgãos mais castigados do nosso corpo além dos pés. Se este levam de um lugar para outro, o nosso peso e mais mais alguns outros, nas condições mais variadas de temperatura e ambiente, a coluna, esta leva o corpo de um lugar para outro, flexiona, vira, gira, comprime, dobra. Só  descansa quando deitamos, isso se deitarmos de forma correta. É muito esforço. 
Procurando algo para falar sobre o cuidado que devemos ter com esse importante órgão achei estas dicas muito legais no Albert Einstein. Além de um teste que vai lhe dizer quais dão as chances de você vir a ter um problema de coluna.




Ao longo do dia quantas vezes é preciso sentar, levantar, entrar e sair do carro, carregar sacolas pesadas ou pegar algum objeto que caiu no chão? Todas essas ações têm como protagonista a coluna. E cada vez que são realizadas de forma incorreta, prejudicam a postura e consequentemente a coluna.


Dicas para ter uma coluna saudável

1.- Pare de fumar: os fumantes têm dores nas costas com maior freqüência, devido à inalação de substâncias tóxicas que prejudicam a circulação sanguínea do disco cervical e têm mais chance de ter osteoporose.
2.- Controle seu peso: o excesso de peso, principalmente quando concentrado na barriga, aumenta a sobrecarga da coluna.
3.- Pratique exercícios físicos: a falta de exercícios leva à flacidez muscular; isso pode causar instabilidade na coluna e encurtamento de suas estruturas. As pessoas que não fazem exercícios (alongamento, principalmente), têm 15% de chance de apresentar dor nas costas. 
4.- Obedeça as regras de postura: ao levantar um peso ou pegar objeto do chão, dobre os joelhos e procure dividir o peso nos dois lados do corpo. Quando sentado, evite torções desnecessárias e apoie as costas no encosto da cadeira, usando também um apoio para os pés. 


Agora, faça seu teste e descubra quais as chances de ter o problema. Teste de Coluna

8.4.13

Tradução de Skyfall, Música que Ganhou o Oscar.



Poucas vezes uma música foi tão merecedora do Oscar como Skyfall interpretada por Adele. cantora britânica de voz marcante, com longos e suaves timbres. Perfeita dicção da letra, que parece cantar para nossos ouvidos somente. E em outras,  parece que declama uma sentença de fim ou começo, de um estágio ou caminho. 

Lendo a letra é fácil ver porque ela foi tema de 007 - Operação Skyfall, afinal quem não ia querer a proteção de Daniel Craig no papel do espião que tem licença da rainha para matar. Bonito, elegante, forte, inteligente, sexy e um tantinho assim, brucutu.
Na noite do Oscar, considerei muito acertada a decisão dos organizadores em deixar que a própria Adele cantasse a indicada a Melhor Canção Original, pois as vezes fazem com que outro artista interprete a canção, e não fica legal. 
E Adele arrasou, com sua belíssima voz, e interpretação maravilhosa. Os arranjos, orquestra e cenário foram deslumbrantes e só acrescentaram à bela música. Eu tinha como certo que ela ganharia, mas não apostei porque as vezes os membros resolvem ir contra a opinião pública e dar o prêmio para quem eles entendem que deve ganhar. Ainda bem que ganhou a arte: de cantar e interpretar. Bom para nós! Não acham?!


Vejam a abaixo a letra original e tradução, e depois vejam se não concordam comigo quando falei no início, que caiu como uma luva esta música com o filme.



SKYFALL


This is the end
Hold your breath and count to ten
Feel the Earth move and then
Hear my heart burst again
For this is the end
I've drowned and dreamt this moment
So overdue, I owe them
Swept away, I'm stolen
Let the sky fall
When it crumbles
We will stand tall
And face it all
Together
Let the sky fall
When it crumbles
We will stand tall
And face it all together
At skyfall
At skyfall
Skyfall is where we start
A thousand miles and poles apart
Where worlds collide and days are dark
You may have my number
You can take my name
But you'll never have my heart
Let the sky fall
When it crumbles
We will stand tall
And face it all
Together
Let the sky fall
When it crumbles
We will stand tall
And face it all together
At skyfall
At skyfall
When it crumbles
We will stand tall
At skyfall
When it crumbles
We will stand tall
Where you go, I go
What you see, I see
I know I'd never be me
Without the security
Of your loving arms
Keeping me from harm
Put your hand in my hand
And we'll stand
Let the sky fall
When it crumbles
We will stand tall
And face it all
Together
Let the sky fall
When it crumbles
We will stand tall
And face it all
Together
At skyfall
Let the sky fall
We will stand tall
At skyfall

O CÉU CAI


Este é o fim
Segure a respiração e conte até dez
Sinta a Terra se mexer e então
Ouça meu coração explodir novamente
Pois este é o fim
Eu me afoguei e sonhei este momento
Tão atrasado, eu devo a eles
Emocionada, fui levada
Deixe o céu cair
Quando desmoronar
Estaremos de pé, orgulhosos
E iremos encarar a tudo
Juntos
Deixe o céu cair
Quando desmoronar
Estaremos de pé, orgulhosos
E iremos encarar a tudo juntos
Ao cair do céu
Ao cair do céu
Na queda do céu é onde começamos
Separados por mil milhas e pólos
Onde mundos colidem e dias são escuros
Pode ter meu número
Pode tirar meu nome
Mas você nunca terá meu coração
Deixe o céu cair
Quando desmoronar
Estaremos de pé, orgulhosos
E iremos encarar a tudo
Juntos
Deixe o céu cair
Quando desmoronar
Estaremos de pé, orgulhosos
E iremos encarar a tudo juntos
Ao cair do céu
Ao cair do céu
Quando desmoronar
Estaremos de pé, orgulhosos
Ao cair do céu
Quando desmoronar
Estaremos de pé, orgulhosos
Onde você vai, eu vou
O que você vê, eu vejo
Sei que nunca serei eu
Sem a segurança
De seus braços amorosos
Me mantendo longe do perigo
Coloque sua mão na minha
E estaremos de pé
Deixe o céu cair
Quando desmoronar
Estaremos de pé, orgulhosos
E iremos encarar a tudo
Juntos
Deixe o céu cair
Quando desmoronar
Estaremos de pé, orgulhosos
E iremos encarar a tudo
Juntos
Ao cair do céu
Deixe o céu cair
Estaremos de pé, orgulhosos
Ao cair do céu



Fonte: Música 

7.4.13

Penso, logo existo!




As inquietações do homem sempre o ajudaram a transformar sua realidade circundante. Esse mecanismo natural foi determinante para que a nossa espécie sobrevivesse ao tempo e se perpetuasse soberana nessa fauna em constante mutação. Então, a célebre frase do filósofo René Descartes evidencia essa busca por respostas existenciais feitas por esse bicho humano, numa conclusão indubitável sobre a racionalidade e a sua superioridade entre os outros animais. Pensar, de fato, é uma das grandes maravilhas da nossa espécie, quiçá a principal delas. É através do pensamento que os questionamentos brotam e, posteriormente as soluções são germinadas. Acontece que quanto mais pensamos mais próximo estamos das verdades obscurecidas pela ignorância. Nesse sentido, numa sociedade que não privilegia a educação, qual é a vantagem de ser alguém pensante?

É indiscutível que as chaves que abrem as portas do conhecimento estão na educação. O ser educado é capaz de pensar criticamente sobre a vida ao ponto de transformá-la resvalando positivamente na do outrem. No Brasil, porém, esboçar postulados cognitivos ainda se limita a esfera dos grupos sócio e historicamente favorecidos, sobretudo por uma educação de qualidade. Na verdade, a grande massa população não tem o devido contato com o saber, servindo de marionete para um sistema ditatorial que se manifesta sob vários prismas, alienando mentes e reproduzindo conceitos arcaicos na modernidade. Essa contraversão acaba potencializando a incivilidade social acerca de inúmeros temas, principalmente aqueles que podem macular a imagem dos que dominam o discurso nessa sociedade opressora e seccionada.

Nesse sentido, quando Aristóteles, por exemplo, disse que “o sábio nunca diz tudo o que pensa, mas sempre pensa em tudo o que diz” tal máxima configura-se numa postura paradoxal na atualidade, uma vez que o que é mais visto entre nós são pessoas que não pensam antes de falar, mas sim se utilizam de discursos nocivos para atacar segmentos sociais. É neste momento que as religiões adentram na discussão. Sua importância para a sociedade é incontestável, pois a fé disseminada por elas é capaz de sacralizar as mais marginalizadas e miseráveis vidas. Entretanto, o posicionamento conservador de algumas delas, com destaque para aquelas de cunho cristã protestante, é usado por alguns angariadores de almas como verdadeiras armas de guerra. Entrincheirados, alguns pastores saem da sepulcral áurea das Igrejas e adentram nas redes sociais para destilar o seu veneno em nome de uma “fé” no mínimo dúbia. Nomes para citar são muitos, mas Jair Bolsonaro, Sílas Malafaia e a estrela do momento, Marcos Feliciano, constatam que é muito fácil manipular as mentes de pessoas que vivem expostas a carência educacional.

Além deles, há de se destacar as figuras políticas desse país. Conhecido como a nação do futebol, do samba e das mulheres exuberantes, nosso currículo também foi acrescido com as palavras corrupção, falcatrua, nepotismo, estelionato, dentre outras que denigrem a tão fragilizada imagem do Brasil. Donos de um pensar que vai além da limitação de boa parte da sociedade, muitos parlamentares usam e abusam da sua inteligência para permanecer existindo perante uma sociedade ignorante que luta contra a subsistência e tenta constantemente (sobre)viver nessa selva onde o homem caça o seu semelhante. Fragilizado e desprovido de armamento intelectual, o povo continua usando o pouco pensar que ainda lhe resta para manter viva a esperança de que as mudanças nesse sentido irão acontecer cedo ou tarde. Enquanto isso, quem de fato possui a mente em constante produção a utiliza em benefício próprio, enriquecendo-se de bens públicos, quando do outro lado à massa amarga a ausência de todos os direitos, inclusive o de pensar por si só.

E essa conduta alienatória infelizmente é potencializada pela nossa sociedade da tecnologia. Canais de tv, sites, jornais e revistas, muitas vezes deturpam a cara de certos assuntos, direcionando o interlocutor a um entendimento errôneo sobre diversos temas. Esta tática, muito comum entre os meios midiáticos, tenta podar uma forma de pensamento, a qual beneficie aqueles que detêm o poder, ou seja, as rédeas da nossa sociedade. Desprotegidos, o povo não é capaz de perceber as artimanhas desses mecanismos comunicativos e acaba inevitavelmente acatando o que foi transmitido. Isso ocorre porque não estamos acostumados a seguir o exemplo de Albert Einstein quanto este disse que “penso noventa e nove vezes e nada descubro; deixo de pensar, mergulho em profundo silêncio - e eis que a verdade se me revela”. Ou seja, quando a reflexão toma conta dos nossos pensamentos, certas verdades passam a ter o controle desse leme chamado vida.

Tudo isso ocorre por causa do maior vilão perpetrado nessa sociedade, a educação, ou melhor, a falta dela. A lacuna exercida por essa ausência tem, de certa forma, contribuído para que a existência dos indivíduos seja minorada a estatísticas e não a capacidade de transformação deles. Vivendo num modelo educacional amplamente tecnicista, o universo do pensar vem sendo paulatinamente reduzido. O descaso com as universidades públicas, escolas, corpo docente e a pseudoalfabetização do alunado corrobora para um quadro de descaso no ensino no país. Hoje, nossa educação se resume a dados noticiados, os quais enaltecem os “avanços” quantitativos do aprendizado, mas escondem a sua inexistente qualidade. Isso acontece porque investir em uma educação qualitativa é dar ao povo a chance de pensar, de ser crítico e, portanto, de ofertar a estes as armas para mudar a própria realidade. Coisa que historicamente nunca fez parte desse país onde o direito de pensar está intimamente relacionado a “status” e posição econômica.

Somos o que pensamos. Tudo o que somos surge com nossos pensamentos. Com nossos pensamentos, fazemos o nosso mundo”. Ao falar isso, Buda não imaginou que a sociedade levaria seu pensamento tão ao pé da letra. Para quem tem o contato com o pensar (leia-se conhecimento) as chances de ser alguém, garantir um futuro equilibrado e de viver bem nessa terra sem lei são enormes. Agora para os outros, a grande maioria da população, resta a incompreensível desigualdade ditada por uma limitação educacional, a qual não permite escolhas apenas estigmas a serem seguidos do início ao fim da vida. Em outras palavras, se pensamos, temos direito de existir, porém quando não pensamos, vagamos pelo mundo sem saber o real sentido da vida, alheios ao bem e ao mal, servindo apenas como presas fáceis para os grandes predadores que sorrateiramente alimentam-se de nós. É por isso que o abismo entre opressores e oprimidos não termina, pois estes últimos são incapacitados de lutar, pois até para arquitetar algo revolucionário o pensar se faz presente; e muitos não contam com isso.

Para existir, no sentido Descartes da palavra, é preciso primeiramente desmembrar essa ideia de que há ignorantes e intelectuais. Na verdade, numa sociedade onde quem teve o direito de pensar pouco faz para mudar a realidade de quem não teve tal direito, não há de fato, inteligência, mas sim ignorância em níveis variados. Nessa dicotomia, uns existem e outros fingem esse papel. Os primeiros são formados pelos ignorantes, pois alheios a tudo e a todos, sua existência é formada a partir do momento em que eles são apassivados pela sociedade. Enquanto isso, os outros não existem, pois mesmo dotados de certa sabedoria, não a utilizam em benefício daqueles que estão às cegas. Disso, pessoas que acabam buscando o conhecimento se confrontam com verdades que sempre estiveram na frente delas, mas que não podiam ser vistas porque elas viviam obscurecidas pela nossa infinita limitação. Dai a necessidade de clarear a mente com coisas que possam nos fazer refletir sobre esse mundo tortuoso que vivemos. Mesmo assim, acredito que vale a pena continuar pensando, por mais doloroso que seja, pois é a partir disso que as mudanças vão sendo feitas e lentamente o mundo vai se modificando. Quem sabe um dia para melhor.

Receita: Mousse de Jaca.


A jaca é fruto bem conhecido da maioria dos brasileiros, mas não é facilmente vista em feiras ou supermercados. Porém para quem não conhece posso garantir que é um fruto doce e muito gostoso. Quando criança comi muitas frutas embaixo da árvore, nos quintais onde cresci, junto com os colegas de molecagem. A jaca tem isso de bom, é para ser comida em comunidade, então um subia na árvore, enquanto os outros ficam em baixo esperando o fruto, ou vindo pelas mãos do apanhador, ou de esbagaçando no chão de tão maduro. 
Por isso se diz que fulano caiu como uma jaca, ou seja, fulano caiu se esparramando todo no chão. Quando era época, era um a dois frutos. Dependia do tamanho da turma. Os caroços, depois de comido a polpa, jogávamos uns nos outros. Claro que para um adulto: brincadeira besta, mas para nós: excelente oportunidade para treinar a pontaria, e a carreira, quando acertávamos naquele ou naquela chorão, e ele ia se queixar com a mãe dele. Ai não ficava ninguém no quintal. 



Saiba mais neste trecho de artigo extraído do Globo Ciência 
"A árvore que dá origem ao fruto chama-se jaqueira, sendo abundante na Região Amazônica e em praticamente toda costa brasileira, desde o estado do Pará ao Rio de Janeiro. Conforme explica Rodolfo Cesar de Abreu, doutorando em Ciências da Engenharia Ambiental pela Universidade de São Paulo (USP), cuja tese de mestrado foi dedicada ao estudo das jacas. Esse tipo de árvore foi parar no Brasil pelas mãos dos portugueses, sendo trazida, mais especificamente, de países como a Índia. “A jaca foi trazida em naus portuguesas durante o período colonial. Portugal, como metrópole, adotava uma política de introduzir diversas espécies em suas colônias para saber em qual delas a produção seria melhor. Os padres jesuítas faziam a aclimatação de diversas espécies”, explica Rodolfo.
Chegando a medir 20 metros de altura, com um tronco de mais de um metro de diâmetro, as jaqueiras se adaptaram não só ao Brasil, como também a várias outras regiões de clima tropical. Com uma casca de aspecto áspero, a jaca tem formato arredondado, e tamanho e peso bem acima da maioria das frutas, chegando a ter 70 centímetros de comprimento e 40 quilos de peso. “Por ser bem resistente à água, a madeira da jaqueira é indicada para a construção naval. Já os frutos, que geralmente podem ser colhidos durante os meses do verão, são apreciados pela população humana. Existem, até mesmo, compostos que são extraídos de seus frutos para a realização de pesquisas biomédicas”, lembra o doutorando."

A jaca tem mil e uma utilidades na cozinha. No site Receitas.comé possível encontrar diversas dicas de doces, incluindo mousses e pudins; e salgados, como saladas e outros pratos à base de carnes. Abaixo, saiba como preparar uma mousse de jaca. Anote o que é preciso:



Receita de Mousse de Jaca
Mousse jaca (Foto: Divulgação)Mousse jaca (Foto: Divulgação)
INGREDIENTES
- Uma lata de leite condensado;
- Um lata de creme de leite;
- Uma lata de leite (a medida da lata);
- Uma lata de jaca sem caroço (a medida da lata);
- Um envelope de gelatina incolor.
MODO DE PREPARO
Dissolva a gelatina conforme orientado pelo fabricante. Depois, bata todos os ingredientes no liquidificador e coloque em uma forma. Em seguida, coloque para gelar. Depois é só servir.

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