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8.3.13

Pablo Neruda ...pequenas casas de quatorze tábuas - Ode a Mulher.


O ano começou, janeiro foi-se num suspiro. Uma chuva de confete levou fevereiro. Março começa, e começa bem. Antes do décimo dia é a mulher o centro das atenções. Nada mais justo, afinal são elas que na maioria das vezes, tomam conta da gente do início ao fim de nossas vidas, em casa, na escola, no trabalho, na família. Nos papeis de babás, professoras, colegas, amigas, mães, tias, irmãs, esposas, amantes, confidentes. Isso sem deixar de falar das médicas, advogadas, motoristas, e tantos outras mulheres transvestidas em profissionais, para fazer e acontecer.
São os rostos delas que nos vem a mente quando lembramos alguma enrascada que nos envolvemos ou nos envolveram, ou quando precisou de conselho, segurança, cumplicidade, calor,  ou um simples sorriso de aprovação. As mulheres, não tem como negar, elas têm esse dom, de nos receber, acolher, acalmar o coração e a mente, quando nos abraça e afaga em seus braços. 
Envolvida por esta áurea, a Buymazon homenageia o Dia da Mulher com trechos extraídos dos Cem Sonetos de Amor, do escritor chileno, Pablo Neruda.
O primeiro trecho é a dedicatória que o autor faz a companheira logo na entrada do livro. Depois o soneto LXIX, da Tarde. O livro esta dividido em três partes: Manhã, Meio-Dia e Noite.   


Vamos a dedicatória.
"A Matilde Urrutia
Senhora minha muito amada, grande padecimento tive ao escrever-te estes malchamados sonetos e bastante me doeram a custaram mas a alegria de oferecê-loa a ti é maior que uma campina. Ao propô-lo bem sabia que ao costado de cada um, por aflição eletiva e elegância, os poetas de todo tempo alinharam rimas que soram como prataria cristal ou canhonaço. Eu, com muita humildade, fiz estes sonetos de madeira, dei-lhes o som desta opaca e pura substância e assim devem alcançar teus ouvidos. Tu e eu caminhando por bosques e areais, por lagos perdidos, por cinzentas latitudes recolhemos fragmentos de pau puro, de lenhos submetidos ao vaivém da água e da intempérie. De tais suavíssimos vestígios construí com machado, faca, canivete estes madeirames de amor e edifiquei pequenas casas de quatorze tábuas para que nelas vivam teus olhos que adoro e canto. Assim estabelecidas minhas razões de amor te entrego esta centúria: sonetos de madeira que só se levantaram porque lhes deste a vida. 
                                                                              Outubro de 1959"
Dos cem sonetos que Neruda fez para sua amada, Matilda, compartilho com os amigos, este de número 69.

Soneto LXIX (Parte: Tarde)

Chile, Região dos Lagos, ao fundo Vulcão Osorno
TALVEZ não ser é ser sem que tu sejas,
sem que vás cortando o meio-dia
como um flor azul, sem que caminhes
mais tarde pela névoa e os ladrilhos,

sem essa luz que levas na mão
que talvez outros não verão dourada,
que talvez ninguém soube que crescia
como a origem rubra da rosa,

sem que sejas, enfim, sem que viesses
brusca, incitante, conhecer minha vida,
aragem de roseira, trigo do vento,

e desde então sou porque tu és,
e desde então és, sou e somos
e por amor serei, serás, seremos.


Matilde Urrutia (5 de maio de 1912 - 5 de janeiro de 1985) foi a terceira esposa do poeta chileno Pablo Neruda, de 1966 até a morte dele em 1973. Urrutia foi a inspiração por trás do trabalho de Neruda, 100 sonetos de amor que inclui a linda dedicatória a ela, que reproduzo acima. 


Fonte:
Wikipédia
Cem Sonetos de Amor - Pablo Neruda, EditoraL&PM Pocket
Viaje Aqui
Sistema MPA

Um comentário:

THEMIS disse...

Obrigada pela partilha, amiga.
Soneto encantador.
O amor quando verdadeiramente sentido
faz maravilhas.
Um abraço.