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23.2.13

Tudo pela fama





Tem gente que canta divinamente. Outros nasceram com a arte da dança nos pés. Há aqueles que interpretam como ninguém e conseguem emocionar a cada novo papel, a cada apresentação feita. Também tem aqueles que nasceram com o dom da palavra e com elas conseguem deixar um grande legado em forma de textos e livros. Gente que pinta, desenha, esculpe, ensina, entre tantos outros talentos dos quais os seres humanos são dotados. Então, nada mais justo do que ser reconhecido pelos predicados que possuímos, sobretudo numa terra rica em pessoas prodigiosas como o Brasil. Acontece que, infelizmente, talento e reconhecimento são palavras que não caminham lado a lado. Isto porque vivemos numa sociedade instantânea, onde as celebridades momentâneas se replicam como verdadeiros autômatos, estes muitas vezes, sem nenhum talento para nos oferecer.

Quem nunca desejou ser reconhecido por alguma coisa e, a partir disso, ter dinheiro, fama e sucesso? Tal pergunta seria facilmente respondida com um enfático sim por muitas pessoas, sobretudo por aquelas que buscam a notoriedade a qualquer custo, mesmo que para isso tenham que se expor ao ridículo nacionalmente. Dentre os inúmeros exemplos que pipocam na mídia, um deles é o da fantasmagórica Inês Brasil. Depois de lançar um vídeo, na tentativa de entrar no Big Brother Brasil, essa moça tornou-se febre na internet. Seu “hit” já foi visto por muitas pessoas, bem como a sua performance, digamos, um pouco animalesca. Em vários vídeos e fotos, ela aparece trajada com fatias de pano cobrindo pedaços específicos do seu corpo e sensualizando para as câmeras com gestos e poses dignas das grandes estrelas pornôs.

Dona de uma beleza esdrúxula, sua aparição repentina denota que ter talento não é mais suficiente para conseguir o tão cobiçado estrelato. Pelo contrário, basta alguns lances de pernas, virilhas, peitos e bundas a mostra, para garantir matérias em grandes sites e programas, bem como alguns cachês por aparições públicas e, quem sabe, posar nua, de fato, em alguma dessas revistas que enaltecem figuras desconhecidas como estas. Na verdade, é a contundente inversão de valores, não apenas morais, mais principalmente artísticos, já que a arte de hoje vem sendo pornografada constantemente pelas pessoas, pela mídia e por essa cultura que se utiliza do apelo sexual para conseguir um lugar na calçada da fama. E isso só com a velocidade de um clique, já que a internet tornou-se a ferramenta principal para a fabricação de celebridades rápidas e indigestas, iguais aos fast-foods que emporcalham nossas vidas e prejudicam nossa saúde.

Entretanto, Inês Brasil não é a única a usar desse estratagema para se tornar uma pessoa famosa. Muitos artistas, de talento duvidoso, usam a beleza como trampolim para o sucesso. No mesmo programa que a luxuriosa Inês Brasil tentou entrar, outros que conseguiram participar, utilizam constantemente o corpo como ponte para a ilha da fama. O BBB, que já dura mais de uma década é, dentre tantos programas do gênero, uma fábrica de criar celebridades efêmeras desse nível. Mulheres com curvas turbinadas agigantam a tela todas as noites, hipnotizando os ávidos telespectadores masculinos, e femininos, por que não? Homens musculosos também fazem sua parte nessa vitrine que agrada a gregos e troianos. Porém, tanto no primeiro quanto no segundo gênero, sobram plásticas, musculação e artificialidade e faltam inteligência, sagacidade e o mais importante de todos, talento. São pessoas ocas, de pouco conteúdo, focadas em um único propósito, ganhar o prêmio final, ou quem sabe se tornar mais um entre os tantos “artistas” do momento que surgem tão rápidos quanto uma estrela cadente e desaparecem na mesma proporção.

Além desse programa e das “estrelas” que brotam dele, outras celebridades já consagradas, ou em fase de consagração, acabam expondo suas particularidades para manter a fama ou resgatar a que está perdida. São atores, cantores, modelos, dentre outros artistas que expõem suas vidas em fotos, exibindo partes íntimas em redes sociais. Também vídeos da intimidade, com cenas que vão da masturbação até a prática do ato sexual nu e cru. Não se sabe, contudo, se tais manobras estão fincadas em meros fetiches ou em tentativas frustradas de aparecer a todo custo. Nesse sentido, ser visto é o que impulsiona essas pessoas a cometer tamanhas obscenidades dentro ou fora do âmbito virtual. Tudo isso porque estar à vista do outro se tornou sinônimo de sucesso, já que a nossa sociedade instantânea tem criado a hábito de cultuar o que é passageiro. E onde fica o talento?

Lamentavelmente, este vem se tornando um artigo em extinção. Poucos são os canais televisivos que mantém certa qualidade na sua programação. É muito mais fácil criar quadros de gosto duvidoso, de fácil assimilação e de forte apelo à violência a ao sexo. Também são poucos os artistas, de fato, que ainda conservam a sua integridade e lutam para serem respeitados e, sobretudo lembrados, já que a sociedade tem esquecido do que é realmente bom, de qualidade, e importante, pois somos vitimados pelos ataques dessas celebridades bombas, que explodem de repente, destruindo tudo o que deveria ser valorizado por nós, como dom, brilhantismo e talento. Enquanto isso, muitas outras Inês vão agindo como verdadeiros pesticidas nos campos da arte, utilizando os mecanismos virtuais como potencializador dos seus “talentos”.

Ser famoso, ter fama, dinheiro e sucesso se tornaram mais importantes do que possuir alguma habilidade artística. Por causa dessa inversão, muitas pessoas arranham sua integridade publicamente, sem pudor, desrespeitando o outro e a si mesmas. Tudo isso é o reflexo de uma sociedade presa à artificialidade e guiada pela cobiça. Cegas pelo poder, as pessoas enegrecem suas mentes e vão em busca de um sucesso que não lhes pertencem. Manipuladas por um sistema que cria a ilusão de que a arte se resume a fama e ao dinheiro. Por isso que o fenômeno chamado Inês denota uma onda de outras celebridades no mesmo patamar e fincadas no mesmo propósito: serem notadas a qualquer custo, mesmo que para isso tenham que se ridicularizar publicamente. Então, só nos resta torcer para que essa nova configuração dada aos artistas contemporâneos seja algo repentino e, posteriormente erradicado dessa e de outras gerações.


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