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3.12.12

De onde vem os nossos preconceitos?




Há quem diga que ser preconceituoso é uma das peculiaridades do ser humano. De fato, em vários momentos das nossas vidas, manifestamos algum tipo de preconceito com o desconhecido ou com tudo aquilo que nos parece estranho, incomum, fora do tradicionalmente aceito. No entanto, atrevo-me a dizer que nossos preconceitos surgem de uma educação referencial, a qual é herdada de nossos antecessores e que nós perpetuamos, às vezes sem a menor consciência disso. Por causa desse desconhecimento, muitos dos atos discriminatórios contra os grupos minoritários, que hoje tentam conseguir seu espaço na sociedade, são frutos da ignorância refletida pelos adultos e, por conseguinte, pela sociedade, esta que se alimenta de um modelo educacional limitado e desumano.

Quando crianças, aprendemos que há uma gritante diferença entre os papéis sexuais baseados na questão dos gêneros masculino e feminino. Isto porque ainda na nossa cultura ocidental e, sobretudo brasileira, o primeiro prevalece sobre o segundo. Percebemos isso com a segregação que alguns pais fazem com os seus filhos ainda no jardim da infância. Meninos são mais livres, podem ser mais ousados e com isso demonstrar desde cedo algum indício de virilidade, essencial para a formação masculina deles. As meninas, por outro lado, devem ser delicadas, frágeis, brincando de coisas ligadas a atmosfera feminina e, consequentemente, preparando-se para ser boas mulheres, donas de casa. Por causa dessa estratificação na educação familiar das pessoas é que os embates inevitavelmente surgem, contribuindo para o aparecimento de conflitos violentos entre homens e mulheres no futuro.

Ainda sobre a esfera sexual, desde cedo também somos acostumados com a polarização do sexo dentro do ambiente familiar. Nossa educação sexista não permite a intromissão de qualquer outra manifestação sexual que possa corroer a normatização estabelecida pela sociedade. Sendo mais claro, quando uma criança apresenta algum traço homossexual, os pais tratam logo de “corrigir” tal imperfeição para que ele possa seguir seu caminho igual aos demais da sociedade. Evidentemente que a postura tomada por muitos pais não tem necessariamente uma ligação com algum tipo de preconceito, mas sim com a proteção dos filhos, sobretudo numa sociedade tão homofóbica quanto a nossa. Mesmo assim, ao tomar essa postura, inconscientemente pais e mães estão plantando pequenas e fecundas sementes de preconceitos que serão semeadas e, no futuro, colhidas e compartilhadas pelos próprios filhos.

Herança parecida sofre, no Brasil, os negros, índios e tantas outras etnias. Isto porque há um desconhecimento que vai além das questões históricas desses povos, o qual descredita deles todos os costumes, tradições, ou seja, toda a cultura legada por eles e que hoje está homogeneamente inserida nas nossas relações cotidianas. De fato, a culpa por esse desrespeito está fincada na nossa educação superficializada, cópia dos modelos eurocêntricos trazidos pelos nossos colonizadores. É por isso que aprendemos precocemente que existe apenas um Deus, o Cristão, então o politeísmo indígena e as matizes africanas acabam sendo satanizadas por essa cultura de Cristandade. Disso resulta a rejeição aos ritos desses povos, pois a nossa incompreensão neste sentido é fruto de uma educação insalubre, a qual tem criado seres doentes e, indiscutivelmente carentes de conhecimento neste e noutros assuntos.

Por isso que hoje as mulheres enfrentam a brutalidade de uma sociedade centralizada no macho, no senhor da casa e da sociedade, nesta figura masculina que até nas religiões é focalizada. Elas buscam desconstruir os pilares preconceituosos de uma base que não surgiu agora, mas desde a infância. Algo parecido passa os homossexuais, mas a intensidade é maior, visto que para eles os estigmas da imoralidade e da transgressão criam uma áurea animalesca entre eles, ao ponto de terem seus direitos desrespeitados da fase mais tenra até a vida adulta. E, neste âmbito, os segmentos étnicorraciais sobre na mesma medida, pois mesmo passado o período escravocrata, eles ainda são escravizados por uma cultura hipócrita que não enxerga a contribuição desse e de outros povos que aqui chegaram, na construção deste Brasil que conhecemos.

Todo esse colapso educacional acaba contribuindo para a disseminação dos preconceitos mais vindouros da nossa sociedade: o machismo, a homofobia e o racismo. Eles são, sem dúvidas, os principais obstáculos vividos por nós nesta pós-modernidade. O problema é que ao chegar à vida adulta, a mulher percebe que a diferença entre ela e o outro gênero, limita-se apenas a questão da genitália. Os gays seguem neste mesmo caminho, pois o que distanciam eles dos demais é apenas as orientações e identidades sexuais que eles podem, devem e merecem manifestar. Já o negro não deveria estar nesta lista, porque não há diferença entre eles e os demais, o que há é perpetuação de uma conduta escravocrata maculada indelevelmente na pele deles e usada como ferramenta de inferiorização.

Portanto, enquanto não houver uma revolução nas nossas bases educacionais, nada de fato será feito para, no mínimo, atenuar os preconceitos vividos e vivenciados por esses e outros tantos segmentos que sofrem com o estigma de serem “inferiores” e/ou “diferentes”. Para isso, pais, mães e todos aqueles que exercem esses papeis devem primar por uma educação que leve ao respeito, a tolerância e a aceitação do humano, independente das “diferenças” que eles possam apresentar. Daí espera-se que a escola e a sociedade façam o seu papel contributivo neste sentido. A primeira com a fecundação de uma educação que respeite os direitos humanos e a pluralidade dele e, a segunda, abraçando todo esse caldeirão de vida da melhor forma possível. Com isso, não se espera sanar o inevitável preconceito que herdamos das nossas relações sociais, mas pelo menos minora-los, tornando-nos pessoas mais suscetíveis a viver com o diferente, que na realidade é igual a qualquer um de nós.

Um comentário:

Janice Adja disse...

Gostei muito de seus texto.
Parabéns!!