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5.11.12

QUANDO A ARTE ENCLAUSURA





Dias destes, para quem acompanha minhas divagações, postei um excerto de Oscar Wide, do Retrato de Dorian Gray, em várias páginas que questionava e reflexionava sobre a ARTE - "O objetivo da ARTE é revelar a ARTE e ocultar o ARTISTA."

A ARTE cura, encanta, ameniza, constrói, expande, aplaca. Assim como o pão é o alimento para o físico as expressões artísticas saciam a sede das almas inquietas.

Para mim, fora disto, deixa de ser ARTE, pelo menos aquela que me toca o coração e prateia os olhos.

Este preâmbulo dá-se para que eu possa relatar minhas impressões sobre o filme CISNE NEGRO.

Nunca fui dada a estreias sejam elas cinematográficas teatrais, literárias...

Não! Costumo ir de encontro às obras depois que os afãs passam e os críticos se retiram.

Com Black Swan não foi diferente.

Passado quase um ano, depois de sua estreia no Festival de Cinema de Veneza e meses após aos quatro cantos de todo o MUNDO, este filme dirigido por Darren Aronofsky e protagonizado por Natalie Portman, levou-me a sérias reflexões sobre a ARTE da DANÇA e a saga estressante de bailarinos para conseguirem um lugar ao SOL nos palcos das coreografias...

O Lago dos Cisnes, obra do compositor russo Tchaikovsky, que foi encomendada para o teatro de Bolshoi em 1876, é dividida em quatro atos e de interpretação extremamente dramática. Exige da bailarina principal a sua máxima capacidade técnica e criativa para representar distintamente dois cisnes. Se por um lado, o cisne branco apresenta traços de delicadeza, ingenuidades e fragilidades deixando-se seduzir o negro capta o lado voluptuoso e exacerbadamente sensual, seduzindo a todo instante.

Reporto-me a Isadora Duncan, grande e absoluta Diva do Balé. Duncan era livre! Sim, liberta de todas as convenções das danças clássicas. Dançava em pés descalços, roupas leves e cabelos esvoaçantes. Sua alma impregnava no desenho dos passos; seu corpo falava solto nos palcos simples de tons azuis. Talvez ela fosse totalmente azul como a própria Lispector.

O que Isadora pensaria de NINA? Que suas teorias estavam corretas? E que a ARTE tem que vir, antes de tudo, da ALMA para a contemplação de outras ALMAS...

A ARTE tem que atingir o NIRVANA em toda a sua definição real - LIBERTAÇÃO DE TODO O SOFRIMENTO...

Para este papel , Nina Sayers, a atriz principal caminha para alcançar a ARTE em toda a amplitude de suas perfeições, mas no meio desta conquista a ARTE que era para liberar sua força criadora acaba por engoli-la, levando-a a um desequilíbrio desenfreado e o que devia ser uma metáfora representativa torna-se uma realidade cruel e fatal.

O que posso deixar como conclusão muito íntima é que quando a ARTE ENCLAUSURA deixa de ser ARTE EM ESSÊNCIA.

A verdade é que sai com os olhos cheios d'água e com o coração apertado diante da representação dorida e trágica de uma bailarina que deixou-se levar pelo lado oposto de tudo aquilo que não é ARTE e sim a manifestação monstruosa de uma busca estúpida pela PERFEIÇÃO.

Malu Silva




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