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12.10.12

Alguém quer ir para Pasárgada? Acompanhe-me, Por favor.

Quando tudo não vai bem. Quando naquelas ocasiões em que depois de muitas tentativas, ficaram  apenas a senhora frustração e o senhor desânimo. Ai eu penso em Bandeira. 
Ponho um sorriso daqueles, que só quem sabe onde fica o lugar do convite do título acima, pode ter. Bandeira nos falou bem como é lá, de suas delícias e preguiças. Ah quando tudo não vai...É para lá que quero ir. 
Grato ao professor Francisco - para os íntimos Chiquinho - por desafiar meninos e meninas da outrora Escola Técnica Federal do Amazonas, a declamar em público o que pensamos no privado. 
Éramos todos fedelhos sonhando com um presente maior que o dia, felizes por estarem ali e desatentos do mar da vida que nos levaria longe, bem longe daquele palco, onde a platéia atenta aplaudia todas as nossas incursões no mundo das apresentações. 
Foram nossos companheiros naquela empreitada, além de Manuel Bandeira - Vou-me Embora pra Pasárgada, João Cabral de Melo Neto - Morte e Vida Severina e Carlos Drummond de Andrade - E agora José. Coube a mim, em solo, a imensa honra de declamar Manoel, magrela, cabelos em molas. Manoel nem se importou. 
No florescer de nossa juventude, éramos mais que adolescentes, éramos personagens de nossos próprios sonhos e o mais importantes éramos personagens dos sonhos de nossos pais, professores, irmãos e irmãs, namorados, namoradas, amigos e amigas.  Até quem não conhecíamos sonhava com a gente - nossos maridos e esposas, novos amigos e amigas. Quem não existia também sonhava conosco - nossos filhos e filhas, alunos, colegas, sobrinhos e sobrinhas.  É bom sonhar, ter sonhos, mas acho que maior que isso é fazer parte dos sonhos dos outros. O que achas? Fiz parte de seu sonho?  Bons sonhos para todos. Vamos sonhar então com a Pasárgada de cada um de nós.
Vou-me Embora pra Pasárgada
Manuel Bandeira
Vou-me embora pra Pasárgada Lá sou amigo do rei Lá tenho a mulher que eu quero Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada Aqui eu não sou feliz Lá a existência é uma aventura De tal modo inconseqüente Que Joana a Louca de Espanha Rainha e falsa demente Vem a ser contraparente Da nora que nunca tive
E como farei ginástica Andarei de bicicleta Montarei em burro brabo Subirei no pau-de-sebo Tomarei banhos de mar! E quando estiver cansado Deito na beira do rio Mando chamar a mãe-d'água Pra me contar as histórias Que no tempo de eu menino Rosa vinha me contar Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo É outra civilização Tem um processo seguro De impedir a concepção Tem telefone automático Tem alcalóide à vontade Tem prostitutas bonitas Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste Mas triste de não ter jeito Quando de noite me der Vontade de me matar — Lá sou amigo do rei — Terei a mulher que eu quero Na cama que escolherei Vou-me embora pra Pasárgada.
É o próprio Bandeira quem explica: 
“Vou-me embora pra Pasárgada” foi o poema de mais longa gestação em toda minha obra. Vi pela primeira vez esse nome de Pasárgada quando tinha os meus dezesseis anos e foi num autor grego. [...] Esse nome de Pasárgada, que significa “campo dos persas”, suscitou na minha imaginação uma paisagem fabulosa, um país de delícias [...]. Mais de vinte anos depois, quando eu morava só na minha casa da Rua do Curvelo, num momento de fundo desânimo, da mais aguda doença, saltou-me de súbito do subconsciente esse grito estapafúrdio: “Vou-me embora pra Pasárgada!”. Senti na redondilha a primeira célula de um poema [...].
Notas: Rosa: mulata que serviu de ama-seca a Manuel Bandeira e a seus irmãos quando meninos.  alcalóide: substância química encontrada Nas plantas que, entre outros fins, serve para a fabricação de drogas. 
Fonte:  Google Imagens Releituras Brasil Escola Livro: Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século. Editora Objetiva.

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