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13.9.12

Os Estatutos do Homem by Thiago de Mello.

Natural do Estado do Amazonas, Amadeu Thiago de Mello, é um dos poetas mais influentes e respeitados no pais, reconhecido como um ícone da literatura regional no Brasil e no exterior. Nascido no interior do Amazonas  em 30 de março de 1926. Escreve seus amores com as cores e o cheiro da Amazônia.
Thiago de Mello, tem obras traduzidas para mais de trinta idiomas. Preso durante a ditadura (1964-1985), exilou-se no Chile, encontrando em Pablo Neruda um amigo e colaborador. Um traduziu a obra do outro e Neruda escreveu ensaios sobre o amigo.

No exílio, morou na Argentina, Chile, Portugal, França, Alemanha. Com o fim do regime militar, voltou à sua cidade natal, Barreirinha, onde vive até hoje.
Em homenagem aos seus 80 anos, completados em 2006, foi lançado, pela Karmim, o CD comemorativo A Criação do Mundo, contendo poemas que o autor produziu nos últimos 55 anos, declamados por ele próprio e musicados por seu irmão, Gaudêncio Thiago de Mello.
Como bem define Livros e Afins, em seu artigo "Thiago os Estatutos do Homem" quando fala com intimidade, Marcela Ortolan, coloca no mesmo quadro autor e obra, com todos os sentidos. 
"Sua poesia tem o ritmo da terra, do tempo da Amazônia. Ao ler a sua obra é possível sentir o correr de um rio caudaloso e a canoa deslizando por ele, ouvir o barulho do remo encostando na água.Apesar do seu tempo ter muito da vida amazônica, Thiago fala do mundo todo e daquilo que é próprio do homem. Por isso, sua obra em verso e prosa foi traduzida para diverso idiomas".
Seu poema mais conhecido é Os Estatutos do Homem, dedicado a Carlos Heitor Cony. Onde numa leitura toda particular propõem uma nova declaração dos direitos do homem, com beleza e lirismo. O que na minha opinião deveria ser adotados por todos os povos. Salve Thiago de Mello, longevo poeta contemporâneo. 
Os Estatutos do Homem (Ato Institucional Permanente) A Carlos Heitor Cony
Artigo I  Fica decretado que agora vale a verdade. agora vale a vida, e de mãos dadas, marcharemos todos pela vida verdadeira. Artigo II  Fica decretado que todos os dias da semana, inclusive as terças-feiras mais cinzentas, têm direito a converter-se em manhãs de domingo. Artigo III  Fica decretado que, a partir deste instante, haverá girassóis em todas as janelas, que os girassóis terão direito a abrir-se dentro da sombra; e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro, abertas para o verde onde cresce a esperança. Artigo IV  Fica decretado que o homem não precisará nunca mais duvidar do homem. Que o homem confiará no homem como a palmeira confia no vento, como o vento confia no ar, como o ar confia no campo azul do céu. Parágrafo único:  O homem, confiará no homem como um menino confia em outro menino. Artigo V  Fica decretado que os homens estão livres do jugo da mentira. Nunca mais será preciso usar a couraça do silêncio nem a armadura de palavras. O homem se sentará à mesa com seu olhar limpo porque a verdade passará a ser servida antes da sobremesa. Artigo VI  Fica estabelecida, durante dez séculos, a prática sonhada pelo profeta Isaías, e o lobo e o cordeiro pastarão juntos e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora. Artigo VII Por decreto irrevogável fica estabelecido o reinado permanente da justiça e da claridade, e a alegria será uma bandeira generosa para sempre desfraldada na alma do povo. Artigo VIII  Fica decretado que a maior dor sempre foi e será sempre não poder dar-se amor a quem se ama e saber que é a água que dá à planta o milagre da flor. Artigo IX  Fica permitido que o pão de cada dia tenha no homem o sinal de seu suor. Mas que sobretudo tenha sempre o quente sabor da ternura. Artigo X  Fica permitido a qualquer pessoa, qualquer hora da vida, uso do traje branco. Artigo XI  Fica decretado, por definição, que o homem é um animal que ama e que por isso é belo, muito mais belo que a estrela da manhã. Artigo XII  Decreta-se que nada será obrigado nem proibido, tudo será permitido, inclusive brincar com os rinocerontes e caminhar pelas tardes com uma imensa begônia na lapela. Parágrafo único:  Só uma coisa fica proibida: amar sem amor. Artigo XIII  Fica decretado que o dinheiro não poderá nunca mais comprar o sol das manhãs vindouras. Expulso do grande baú do medo, o dinheiro se transformará em uma espada fraternal para defender o direito de cantar e a festa do dia que chegou. Artigo Final.  Fica proibido o uso da palavra liberdade, a qual será suprimida dos dicionários e do pântano enganoso das bocas. A partir deste instante a liberdade será algo vivo e transparente como um fogo ou um rio, e a sua morada será sempre o coração do homem. Santiago do Chile, abril de 1964
Fonte:

Um comentário:

Expedito Gonçalves Dias disse...

Estou preparando um texto para o blog. A responsabilidade é grande pois tenho visto só postagem de nível por aqui e eu não sei se poderia postar um poema, que é minha praia. Mas a idéia está amadurecendo.
Qu gostaria de entrar em contato com a Marcela que tão bem costurou este texto do Mestre Thiago de Mello e ver como eu consigo este CD comemorativo dos 80 anos. Vou pesquisar aqui para ver se acho, mas se ela puder me dar uma luz...
Desejo a todos muita inspiração.
Abraços!