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3.7.12

José Luiz Fernandes CONTANDO DINHEIRO

CONTANDO DINHEIRO por JOSÉ LUIZ FERNANDES

Dona Sarah Kubitschek, viúva do presidente Juscelino Kubitschek, em foto inédita de José Luiz Fernandes(1985)
CONTANDO O DINHEIRO
José Luiz da Cunha Fernandes

Juscelino, um museu e uma cédula

Em agosto comemora-se o 40º aniversário da criação  do museu do Banco Central  (Museu de Valores), porém há quem a remonte não ao ano de 1972, mas a 1959. De fato, pelo decreto no. 46.578, de 13 de agosto de 1959, o presidente Juscelino Kubitschek criou o Museu da Caixa de Amortização, inaugurado em 1960 no edifício em que ainda hoje é sediado o Departamento do Meio Circulante  (número 30 da Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro).
 Medalha comemorativa da inauguração do Museu da Caixa de Amortização 1960
 Posteriormente, com a criação do Banco Central, foi extinta a Caixa de Amortização. No entanto, após obras de reforma daquele prédio,  o acervo do museu criado por JK veio a constituir  elemento fundamental do que ali foi inaugurado em 1972. A esse acervo se agregaram, em sequência, outras aquisições, mas no Museu de Valores pode ser encontrada medalha comemorativa da inauguração ocorrida em 1960, na qual se vê gravada  a imagem daquele histórico edifício.
A partir de 1964, algumas autoridades tentaram apagar ou fragilizar a memória de realizações do governo de Juscelino. O ex-presidente, que chegou a ser preso e exilado, morreu tragicamente em agosto de 1976. Em  1979, depois da posse do general Figueiredo como presidente da República, teve início efetivo processo de abertura política. Em julho, Figueiredo recebe D. Sarah em audiência e concorda com a doação de terreno para a construção, em Brasília, do Memorial JK. Em agosto, é promulgada a Lei da Anistia.
Ações como o atentado no Riocentro de abril de 1981  não interromperam o processo de abertura. Em setembro do mesmo ano é lançada a segunda família de cédulas projetadas, durante a ditadura, pelo designer Aloísio Magalhães (“cartas de baralho”).  A nota de valor mais elevado (5 mil cruzeiros) trazia a efígie do marechal Castello Branco, primeiro presidente do regime militar. Coincidentemente,  em setembro de 1981 são inauguradas instalações do Museu de Valores em Brasília e é inaugurado - com a presença do presidente Figueiredo - o Memorial JK.
 Em junho de 1982, morre o mencionado designer. Em 1983, presente o clima de abertura política, tem curso uma tentativa do Banco Central de desenvolver na Casa da Moeda - então presidida por um oficial da Marinha - o  projeto de uma cédula (10 mil cruzeiros) com tema dedicado a JK. Esse projeto já evoluía quando foi comunicado seu veto por instâncias superiores, cedendo a pressões oriundas do meio militar. Em consequência, o lançamento da cédula  sofreu considerável atraso.
A cédula de 10 mil acabou sendo lançada - com efígie de Rui Barbosa - concomitantemente à de 50 mil cruzeiros (esta com efígie de Oswaldo Cruz), em novembro de 1984, ano em que se inaugurou o parque fabril da Casa da Moeda em Santa Cruz, construído com decisivo apoio financeiro do Banco Central.  Curiosamente, no anverso da nota de 10 mil cruzeiros, aparecem na lombada estilizada de livros as palavras “Direito”e “Liberdade”; e, no reverso, uma gravura reproduz foto do  jurista discursando durante a célebre “Campanha Civilista”. Já a cédula de 50 mil exibe, no reverso, o  prédio do antigo Instituto Oswaldo Cruz, cujo corpo de cientistas havia sido, durante a ditadura, alvo de notórias sanções por motivos políticos.
 Em março de 1985, depois de cinco generais sucessivos na presidência da República, o governo é assumido por um civil. O projeto de uma cédula dedicada a JK (100 mil cruzeiros) é, finalmente, concluído. Entre outras recordações, registro a de ter eu visitado o escultor Bruno Giorgi em sua residência, dele obtendo um documento em que confirmou ser “Candangos” (não “Guerreiros”) o nome de uma de suas mais famosas obras e deu autorização para que no projeto da nova nota (desenho de Álvaro Martins) se incluísse uma reprodução dessa escultura.  O artista escreveu, de próprio punho:  “seu nome, desde o início, é CANDANGOS, minha única forma de homenagear aqueles que, a troco de tão pouco, foram de fato os que, anonimamente, executaram o sonho dos outros”.

 Na ocasião do lançamento em circulação da cédula dedicada a JK,  a oposição de alguns círculos militares ainda era forte e houve recomendação superior de que não se realizasse nenhuma cerimônia. O lançamento ocorreu no início de outubro de 1985. Naquele dia, discretamente, o chefe do Departamento do Meio Circulante e eu fizemos uma nunca divulgada visita ao apartamento de D. Sarah no Rio e a presenteamos com um modelo  da nova cédula. Na ocasião, foram batidas por mim algumas fotos, até aqui inéditas, em que D. Sarah exibe a cédula  que acabara de lhe ser entregue.
O tempo tudo supera.  Em 2002, o Banco Central emitiu, sem dificuldade, moedas comemorativas do centenário de nascimento daquele que pode ser reconhecido como  o verdadeiro criador de seu museu. Agora, a população merece que, no histórico e tão esplendido edifício da Avenida Rio Branco,  funcionem  atividades culturais do BC já em 2016, ano dos Jogos Olímpicos no Rio  e 40º aniversário da morte de JK.
José Luiz da Cunha Fernandes – 27 de junho de 2012
 As fotos de Sarah Kubitschek são de autoria de José Luiz Fernandes (outubro 1985)

Um comentário:

ze barto disse...

Ola! Tudo Bem! Me nome Zè Barto.
E gostaria de sua amizade. Afinal gostamos de literatura.
Eu e meu amigo Ulisses Sebrian temos alguns blogs.
Ele é autor de 9 romances disponíveis em seus blogs.
Estão na barra lateral direita com suas capas. Se desejar
Ler basta clicar nas imagens.
Ah! gostaria que e os visitasse.
E se posible entrar como seguidor. Obrigado
Os s blogs são:
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