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30.6.12

Quatro Patetas e um Golpe

Do golpe que não houve no Paraguai para um golpe de verdade

Blog de Augusto Nunes
O golpe que não houve no Paraguai foi o pretexto invocado pelos parceiros vigaristas para a consumação de um golpe real.
Sem a presença do único integrante do Mercosul contrário ao ingresso da Venezuela bolivariana, os governos do Brasil, da Argentina e do Uruguai concederam ao companheiro Hugo Chávez a carteirinha de sócio do clube que nunca funcionou.
Durante oito anos, o Congresso paraguaio amparou-se na cláusula que exige respeito às regras democráticas para barrar a entrada do bolívar-de-hospício.
Sete dias bastaram para que a trinca de cínicos removesse a pedra no caminho de Chávez e instalasse no Cone Sul a república de araque localizada no extremo norte do subcontinente.
O impeachment de Fernando Lugo foi decretado sem que qualquer norma constitucional fosse violada. “Tenho a impressão de que foi um golpe”, hesitou Dilma Rousseff no dia do despejo do reprodutor de batina.
Se também não souber direito que palavra deve usar para definir o que acaba de fazer em companhia da Argentina e do Uruguai, o neurônio solitário pode dispensar-se de dúvidas: golpe é o nome da coisa.
O Mercosul, formado por parceiros que vivem tentando enganar uns aos outros, transformou-se numa inutilidade controlada por três patetas. Agora são quatro.
Blog do Noblat

28.6.12

Roda da vida




O Ser Feliz é Ser Livre tem a honra de apresentar para todo o Brasil uma artista que será o futuro expoente da música Nacional, Nanau Nascimento. Esta cantora, ainda desconhecida do grande público, está lançando um Cd solo, intitulado de Roda da Vida, trabalho este ritmado com o puro e autêntico samba brasileiro, incrementado, com pitorescas batidas da cultura pernambucana, terra natal da cantora. O título desse álbum faz jus ao seu propósito maior: criar um elo vívido entre todas as culturas por onde o samba introjetou suas mais sinuosas cadências.

Fruto de uma grande mistura musical, o samba é um dos mais reconhecidos ritmos da nossa cultura. Suas múltiplas facetas se manifestam de norte a sul do Brasil e não há por aqui alguém que não se identifique com os seus batuques, letras e melodias. Foi pensando nessa diversidade e na importância que o samba exerce em nossas vidas que Nanau Nascimento decidiu gravar esse Cd, unicamente dedicado a ele. Tamanha ousadia resultou no “Roda da Vida”, o seu primeiro trabalho solo. Nele, músicas que falam de amor, religiosidade, alegrias e tristezas retratam temas do cotidiano desse povo brasileiro que é intimamente ligado ao samba.

Nanau Nascimento é Pernambucana, nascida na cidade de Recife, e desde pequena tem a música como dádiva e, posteriormente como instrumento de trabalho. Ainda na adolescência, participou de várias bandas de gêneros musicais variados e pouco a pouco foi conquistando o carinho do público com a sua simpatia e o seu incontestável talento. Dona de uma voz doce e aveludada, ao mesmo tempo forte e profundamente melodiosa, Nanau é muito elogiada por onde passa por sua afinação e bom gosto musical. Cantores, compositores entre tantos outros artistas do estado de Pernambuco, que a conhecem, são unânimes em dizer que ela é uma grande promessa da nossa música popular brasileira, e o Roda da Vida é a prova máxima disso.

Cada canção que embala o repertório é digna dos tradicionais clássicos do gênero que se consagraram pelo país. É claro que, como legítima pernambucana, Nanau adicionou sutis, mas perceptíveis, influências musicais do seu estado. Nas melodias, a presença dos metais enriqueceu a cadência do samba, dando a ele uma ritmada desenvoltura. Em algumas canções, singularidades da cultura do seu estado se fazem presentes, engrandecendo ainda mais as letras dos sambas. Destaque especial para a última faixa do Cd, a qual o mais popular ritmo de Pernambuco, o frevo, se apresenta ao maior ritmo do Brasil, o samba.

Dessa união nasceu o “Roda da Vida”, uma vanguardista representação do samba, em toda a sua plenitude. Trabalho musical que mimetiza os grandes sambas que enaltecem a musicalidade do nosso país, enquanto, ao mesmo tempo, mescla o que há de mais autêntico da cultura de Pernambuco. Cd que não canta apenas o samba do nordeste, mas dialoga com todos os estados por onde o samba fincou suas raízes. Em outras palavras, uma coletânea das infinitas formas que o samba pode se apresentar. Tal mistura só confirma que o samba faz parte da identidade nacional e, por isso, merece ser cantado das variadas maneiras que o fizeram ser o ritmo mais difundido do Brasil.

Por isso, Nanau Nascimento convida você a navegar nas ondas do samba e se aventurar com ela nas suas profundas águas. Ela espera cantar, dançar, emocionar e encantar todos vocês com esse trabalho que foi idealizado com muito carinho e esmero, para proporcionar a todos o que há de mais genuíno na música brasileira. Louvação e romantismo são, portanto, temas dos quais as canções expressam sentimentos comuns da alma humana, sobretudo aqui no Brasil, onde o samba se configura como elemento simbólico da cultura do país. Pois ela, Nanau Nascimento, representa uma nação que é apaixonada por música e pelo samba. E como ela bem descreve em uma das suas faixas: Eu sou o samba, eu sou do samba. E mesmo sendo nordestina ela diz: “[...] o samba também é nosso, é Brasil. O samba de Pernambuco é Brasil [...]”.

Espero que gostem:




Luiz Fernando Veríssimo, o bem informado:

Lula e Sombra, por Luis Fernando Veríssimo

Todo o mundo sabe que o Paulo Maluf é procurado pela Interpol. O que pouca gente sabe é que o codinome dele na Interpol é Sombra, devido à dificuldade da organização em sequer localizá-lo.
O escritório da Interpol no Brasil tem agentes dedicados exclusivamente a procurar o Maluf, cujos atos de corrupção internacional são notórios e comprovados. Ainda não conseguiram achá-lo, mas, recentemente, chegaram perto. Esta coluna teve acesso a memorandos internos na Interpol que descrevem o episódio.
Um relatório de um dos agentes encarregados de procurar o Sombra revela a existência de rumores nos meios políticos segundo os quais o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva irá se encontrar com o Maluf, em lugar não especificado, para tratar de assuntos também desconhecidos.
Em resposta ao relatório, o chefe da Interpol pede cautela, em memorando que publicamos na íntegra, só omitindo o nome do agente e do seu chefe para proteger nossas fontes.
“De XXX para X. Confidencial. Assunto: ‘Encontro com Sombra.’ Recomendo extrema cautela. Os rumores de um encontro de Lula com Sombra são obviamente destinados a desmoralizar o ex-presidente e seu partido, o PT. Como já lembrei em outras ocasiões, não devemos nos envolver na política do país. Desconsidere os rumores.”
O agente responde em outro memorando:
“De X para XXX. Confidencial. Assunto: Lula e Sombra. Os rumores parecem estar confirmados. Haverá sim um encontro do Sombra com o ex-presidente, que, sabe-se agora, irá pedir seu apoio para o candidato do PT nas próximas eleições municipais. Peço autorização para iniciar uma operação.”
A resposta do chefe:
“De XXX para X. Confidencial. Assunto: sua insistência. A possibilidade de um encontro de Lula e Sombra é tão inverossímil, levando-se em conta o histórico do PT e as opiniões do Lula sobre o Sombra, que não merece consideração, quanto mais uma operação. Desista, X.”
Volta o agente:
“De X para XXX. Confidencial. Assunto: chance única. Chefe, desculpe a insistência. Mas descobrimos que o encontro Lula/Sombra será na casa do Sombra. Se seguirmos o Lula até o local, não só encontraremos o Sombra como descobriremos onde ele mora. Posso colocar agentes disfarçados de arbustos para flagrar o encontro. É uma chance que não se repetirá!”
Como resposta, XXX ordena que o agente X abandone seu plano, informe-se melhor sobre a história política do Brasil e da próxima vez use o bom-senso, em vez de acreditar em boatos delirantes.
E a Interpol continua procurando o Maluf.
Blog do Noblat

27.6.12

Sonhar e Ser: Anne Lieri em Blogueiros que Educam

Sonhar e Ser: Anne Lieri em Blogueiros que Educam: O Sonhar e Ser dá muito valor à Educação e neste sentido criamos um jeito que conhecer algumas pessoas que são Educadores. Blogueiros ...

ELIO GASPARI

A leviana diplomacia do espetáculo, por Elio Gaspari

Elio Gaspari, O Globo
Poucas vezes a diplomacia brasileira meteu-se numa estudantada semelhante à truculenta intervenção nos assuntos internos do Paraguai. O presidente Fernando Lugo foi impedido por 39 votos a 4, num ato soberano do Senado. Nenhum soldado foi à rua, nenhuma linha de noticiário foi censurada, o ex-bispo promíscuo aceitou o resultado, continua vivendo na sua casa de Assunção e foi substituído pelo vice-presidente, seu companheiro de chapa.
Nada a ver com o golpe hondurenho de 2009, durante o qual o presidente Zelaya foi embarcado para o exílio no meio da noite.
Quando começou a crise que levou ao impedimento de Lugo, a diplomacia de eventos da doutora Dilma estava ocupada com a cenografia da Rio+20. Pode-se supor que a embaixada brasileira em Assunção houvesse alertado Brasília para a gravidade da crise, mas foi a inquietação da presidente argentina Cristina Kirchner que mobilizou o Brasil.
A doutora achou conveniente mobilizar os chanceleres do Unasul, uma entidade ectoplásmica, filha da fantasia do multilateralismo que encanta o chanceler Antonio Patriota.
As relações do Brasil com o Paraguai não podem ser regidas por critérios multilaterais. Foi no mano a mano que o presidente Fernando Henrique Cardoso impediu um golpe contra o presidente Juan Carlos Wasmosy em 1996. Fez isso sem espetacularização da crise.
A decisão de excluir o Paraguai da reunião do Mercosul é prepotente e inútil. Quando se vê que o presidente Hugo Chavez, da Venezuela, cortou o fornecimento de petróleo ao Paraguai e que a Argentina foi além nas suas sanções, percebe-se quem está a reboque de quem.
Multilateralismo no qual cada um faz o que quer é novidade. Existe uma coisa chamada Mercosul, banem o Paraguai mas querem incluir nele a Venezuela, que não está na região e muito menos é exemplo de democracia.
Baniu-se o Paraguai porque Lugo foi submetido a um rito sumário. O impedimento seguiu o rito constitucional. Ao novo governo paraguaio não foi dada sequer a palavra na reunião que decidiu o banimento.
Lugo aceitou a decisão do Congresso e agora diz que liderará uma oposição baseada na mobilização dos movimentos sociais. Direito dele, mas, se o Brasil associa-se a esse tipo de política, transforma suas relações diplomáticas numa espécie de Cúpula dos Povos.
Vai todo mundo para o Aterro do Flamengo, organiza-se um grande evento, não dá em nada, mas reconheça-se que se fez um bonito espetáculo.
O multilateralismo da diplomacia da doutora Dilma é uma perigosa parolagem. Quando ela se aborreceu, com razão, porque um burocrata da Organização dos Estados Americanos condenou as obras da hidrelétrica de Belo Monte, simplesmente retirou do fôro o embaixador brasileiro. A OEA é uma irrelevância, mas, para quem gosta de multilateralismo, merece respeito.
A diplomacia brasileira teve um ataque de nervos na Bacia do Prata. O multilateralismo que instrui a estudantada em defesa de Lugo é típica de uma política externa biruta. O chanceler Antonio Patriota poderia ter se reunido com o então vice-presidente paraguaio Federico Franco vinte vezes, mas, se a Argentina queria tomar medidas mais duras, ele não deveria ter ido para uma reunião conjunta, arriscando-se ao papel de adorno.
Blog do Noblat

3.6.12

O que te faz ser Brasileiro?




A valorização de uma pátria está intimamente ligada à ideia de exaltação das riquezas que esta possui. Esses bens podem variar muito de um país a outro, mas sempre são elementos simbólicos que caracterizam uma dada cultura. Por exemplo, na Espanha temos as touradas, Nos Estados Unidos o Beisebol, Na Argentina o tango, no Egito as Pirâmides, dentre tantas outras estruturas iconoclásticas espalhadas pelo mundo, que servem de instrumento para identificar uma determinada nação. Não diferente desses países, aqui no Brasil também temos os nossos ícones culturais que são impostos a cada cidadão como forma de nacionalizar a identidade destes. O problema é que quando há uma possível rejeição ao modelo vigente logo surgem os questionamentos sobre o que é realmente ser brasileiro, numa terra que tem como sobrenome a palavra pluralidade.

Cores, paladares, ritmos, ritos, tribos, diante de tanta diversidade o nosso país foi construído e hoje esse mar de culturas forma o Brasil que conhecemos. Mesmo assim, desde crianças “aprendemos” a gostar de certos símbolos nacionais, pois isso faz com que estejamos incluídos no que a sociedade espera de nós. O samba, nesse sentido, pode exemplificar um pouco toda essa discussão. Considerado como o ritmo nacional, a beleza musical dele é inegável e tem servido de referência para projetar a cultura musical do país para o resto do mundo. No entanto, visto de outro ângulo, a exaltação sulista desse gênero musical fez com que outros estilos não recebessem o mesmo reconhecimento da nação. Na verdade, gira em torno do samba uma áurea elitista que se estende a outros gêneros musicais, a qual tenta enquadrar o gosto do brasileiro naquilo que é considerado como “boa música”, ignorando outros estilos espalhados pelo país.

Gostar de futebol também está na lista dos pré-requisitos para ser brasileiro. Isto porque somos o único país pentacampeão mundial nesse esporte e por causa desse título devemos sempre estar unidos para torcer pelo time que irá nos representar. Isso não é uma tarefa simples, já que não é fácil nascer numa terra onde desde pequenos somos impelidos a torcer por jogadores semialfabetizados – ou quiçá pseudoalfabetizados – os quais recebem salários colossais, enquanto o resto da nação – os torcedores – se contenta com as migalhas ofertadas pelo governo. Na realidade, o futebol se configura como símbolo do patriotismo as avessas. Enquanto a copa do mundo de 2014 se aproxima, como maior evento esportivo do mundo, o qual receberá gigantescas quantias de dinheiro para estruturar, ou porque não maquiar o Brasil para copa, muitos dos nossos problemas básicos continuarão pulsantes, mesmo quando esse campeonato terminar. Porém, o povo prefere dar às mãos numa hipnose coletiva, da qual negros e brancos, pobres e ricos, homens e mulheres, religiosos e ateus, gays e héteros, são todos iguais, pelo menos até o final desse evento quando tudo voltar a ser como antes.

Ter uma religião é outro fator importantíssimo para a caracterização da nossa identidade como brasileiro. Num país onde a fé é multifacetada, devido, sobretudo a inserção de inúmeras culturas que aqui vieram, é inadmissível saber que um indivíduo não faça parte de algum segmento religioso, principalmente aqueles ligados ao dogmatismo Cristão, o qual nos foi herdado ironicamente pelos nossos colonizadores lusitanos. Isto é, ser ateu, ou seguir outras doutrinas que não estejam em total afinidade com o Catolicismo, pode ser um ato de heresia, sob pena de ser rechaçado preconceituosamente pela sociedade. Preconceito que não se limita apenas a religião. Num país onde a visão machista ainda é operante, não é de se surpreender que a mulher seja também um dos símbolos do nosso país. Cultuada de várias formas, algumas pejorativas, a mulher, no sentido hétero da palavra, é usada muitas vezes para justificar o preconceito contra os grupos que têm uma predisposição sexual diferenciada dos padrões. Ou seja, ser gay numa nação predominantemente feminina é quase como ser um estrangeiro vivendo de forma ilegal dentro de um país.

Esses são os principais símbolos da nossa cultura hipnótica, ou pelo menos alguns deles, mas não são os únicos. Desde pequenos somos obrigados inconscientemente a gostar de coca cola, de novela. Aprendemos também que a beleza não é interior, mas sim um rótulo de corpos malhados e rostos fotoshopados pelos programas de televisão. Entre tantos outros símbolos alienatórios que nos induzem a cultuar um modelo “perfeito” de existência e nem ao menos conseguimos nos dar conta dos perigos que isso acarreta para a nossas vidas. De fato, tudo isso faz de cada um de nós um pouco brasileiro, mas não é, e nem deveria ser os critérios principais para ser cidadão desse país. O que nos faz ser brasileiro é a nossa riqueza natural, desde a verdejante Amazônia até aridez do nosso nordeste. É a união de forças em prol da diminuição da desigualdade social a qual se configura como a uma das principais vilãs das nossas mazelas sociais. É cobrar dos representantes políticos escolhidos por nós um real comprometimento em solucionar os problemas vividos por nós, sobretudo aqueles ligados à educação.

Logo, ser brasileiro vai muito além do que torcer por um time, ser sambista, ter uma religião ou gostar de mulher. É, antes de tudo, um exercício de cidadania do qual cada um enxerga a nossa realidade e tentar de alguma forma mudá-la qualitativamente em benéfico do povo. Ser brasileiro é, ainda, exaltar o que realmente temos de melhor e não coisas supérfluas que não trazem benefício algum para a coletividade social, mas sim pequenos paliativos que com o tempo serão esquecidos. É também valorizar os grandes brasileiros, os anônimos e os notáveis, que fazem algo honrado por esse país. Mas, para isso, temos que começar a deixar o palco das marionetes, onde os grandes dominam os pequenos, e passarmos a ser agentes transformadores de nossas vidas. Só assim essas discrepâncias deixarão de existir e o que, ou quem, realmente vale a pena será valorizado.

1.6.12

Quinze Anos

Ruy Castro, 01/06/2012 (Folha SP)
Quinze anos
 Na semana passada, comentei com alguém que, por aqueles dias, iria participar de um evento da Folha sobre Paulo Francis. Um ponto de interrogação surgiu sobre a cabeça do rapaz. O nome Paulo Francis não lhe dizia nada. Perguntei sua idade. "Trinta e dois", respondeu. Bem, Francis morreu há 15 anos, em 1997, donde o jovem -nem tão jovem-estaria com 17 quando isso aconteceu. Já tinha idade para conhecer Francis pela TV. A não ser que só assistisse ao canal de desenhos animados.
Imagino a decepção de Francis se soubesse que, tão pouco depois, estaria tão esquecido. Gostava de ser popular e valorizava mais esse reconhecimento do que deixava transparecer. Certa vez, foi abordado em Nova York pela mulher de um poeta vanguardista brasileiro. Ela era sua fã; o marido, não. Perguntei-lhe sobre o que falaram. "Discutimos o preço das geladeiras em São Paulo", ele riu. Mas, no fundo, gostou.
Em 1979, quando João Bosco e Aldir Blanc compuseram "O Bêbado e a Equilibrista", tiveram de referir-se ao "irmão do Henfil" para falar de Betinho, então um importante exilado político, mas solidamente desconhecido das grandes massas. Henfil, ao contrário, era popularíssimo como cartunista. Veio a anistia, Betinho voltou para o Brasil e tornou-se, ele próprio, uma figura pública.
Em 1988, Henfil morreu. Quinze anos depois, em 2003, ao dar uma entrevista sobre qualquer assunto, mencionei-o. O repórter (de uma conhecida revista semanal) não sabia de quem se tratava. Ou seja, com apenas 15 anos de ausência, Henfil já fora esquecido. E Betinho, por sua vez, morreu em 1997 -também há 15 anos. Ainda saberão quem foi?
"De 15 em 15 anos, o brasileiro esquece o que aconteceu há 15 anos", sentenciou Ivan Lessa, aliás, amigo de Francis. Donde, se quiser sobreviver, não morra. 
Enviado por José Luiz Fernandes