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25.3.12

Eu Preciso de Fé, não de Religião.


Encontrar respostas no sobrenatural para justificar as próprias inquietações sempre fez parte da personalidade humana. O homem sentiu e ainda sente a necessidade de buscar entidades representativas, para fugir dos temores terrenos, das moléstias sociais e de tudo o que for “mal”, pois há uma cultura inerentemente mística que tenta prolongar a nossa vida num plano além do físico. Plano este que com o fenecimento da carne, a alma irá encontrar um caminho de luz, uma espécie de nova vida, dependendo da designação e dos dogmas existentes nas infínderas religiões. De fato, tal misticismo contribuiu para o surgimento, evolução e, sobretudo proliferação de inúmeros segmentos religiosos por todo o planeta. Fenômeno este que deveria ser visto como algo positivo, uma vez que a meta de muitas religiões é transcender a matéria com preceitos fincados no amor, na esperança e numa vida sustentada na fé.

No entanto, o crescimento da adoração em algumas culturas acabou criando embates qualitativos entre religiões ao ponto de classificá-las como “boas” ou “más”. Esta rivalidade maniqueísta, no Brasil, por exemplo, com a conhecida introdução histórica do Cristianismo no período da colonização, resultou na dizimação dos índios e com eles a autenticidade religiosa do nosso país. Esse evento talvez tenha contribuído para o surgimento da intolerância religiosa, a qual tenta enquadrar um padrão de fé baseado nos preceitos da Cristandade, como se apenas ela levasse a plena salvação da alma e fosse o único caminho correto para a elevação espiritual. Esta forma estagnada de pensar, infelizmente até hoje disseminada, fez com que outras manifestações religiosas fossem discriminadas por aqui, ou seja, vistas como transgressoras.

Isto porque o Deus que é muitas vezes louvado por aqui não é Aquele ser celeste, preocupado com as fragilidades humanas, mas sim um ser institucionalizado, fragmentado nos luxuosos templos e nas figuras que discursam o Seu nome. Essa inversão de valores vem contribuindo para inversão da fé. Ontem, hoje e talvez durante muito tempo ainda, quem quiser garantir o seu lugar no “céu” deve seguir regras para que a sua vaga não seja ocupada. Estar envolto as paredes das sinagogas, frequentar assiduamente os cultos religiosos e seguir o discurso eivado de ideologia de padres, pastores ou de qualquer outra figura representativa nesse sentido, estão nos pré-requisitos para que o indivíduo tenha a sua salvação consolidada. Ora, penso que adorar a Deus, seja Ele o cristão ou a entidade máxima do Candomblé, não deve ser confundido com a adoração de templos, nem tão pouco de seus membros.

Por causa dessa distorção, cresce no país o número de templos de “adoração” ao senhor. Neles, seguidores lotam os cultos, mas poucos estão preocupados em perpetuar a amor divino, já que a maioria está ali para julgar o próximo e condenar o diferente. Na verdade, as igrejas de hoje não tem angariado fieis comprometidos com a filosofia de Deus, mas sim recrutado soldados de Cristo. Pessoas cegas, ludibriadas por discursos de salvação que acabam sendo hipnotizadas, ao ponto de cometerem qualquer ato em nome de uma fé falsa. Nessa linha de raciocínio, acredito que as igrejas atualmente se tornaram grandes redes sociais, muito similares àquelas que se fertilizam no adubado terreno virtual. Essa comparação é facilmente ratificada se analisarmos o latente crescimento dos espaços religiosos ao longo dos últimos anos. Com inúmeras sucursais espalhadas pelos quatro cantos do Brasil, as igrejas se tornaram grandes empresas, com templos imponentes dignos dos grandes castelos da era medieval.

Tanta pompa com o dinheiro da “louvação” do povo não ficou restrito apenas a essas construções. Escândalos envolvendo sonegação fiscal, compra de bens de consumo (casas, carros, fazenda etc.) e enriquecimento ilícito, estão nas frequentes manchetes das quais a fé da população é usada como instrumento de extorsão. E, muitas vezes, mesmo depois de comprovada a fraude, não há uma punição severa para quem comete esse tipo de crime, uma vez que a nossa sociedade tem uma relação muito doentia com a religião, fazendo com que certas atrocidades não sejam devidamente punidas. Nesse ritmo, inevitavelmente estaremos caminhando para uma neoinquisição. Fato este que já é contundente na política nacional, esta que os religiosos usam como instrumento para propagar ideologias severas e, geralmente munidas com um discurso de intolerância. O que soa paradoxal, já que o papel da religião é justamente unir as pessoas numa corrente de comunhão com o divino e não usar as escrituras sagradas para semear a segregação entre os humanos.

A fé não precisa de espaços físicos para ser manifestada. Nem tão pouco de pessoas fundamentalistas que se utilizam da palavra divina para distorcer a realidade. A fé não é encontrada nas paredes das grandes igrejas, nem nos calorosos discursos dos “emissários” de Deus. Ela é encontrada no interior de cada pessoa. Na parte mais subjetiva de cada um que fica responsável por achar respostas para as mais complexas inquietações da vida. Ela se manifesta naquilo que acreditamos ser positivo para si e para os demais. Então, baseado nisso, eu não preciso de igreja alguma para crer em Deus, nem tão pouco necessito dela para realizar boas ações. O meu Deus não é uma instituição, mas sim algo vivo, pulsante. Ele me acorda de manhã, com a força calorosa do sol. Ele me alimenta e sacia a minha sede. Ele me faz respirar, articular palavras e, principalmente pensar. E no final do dia Ele me concede a chance de descansar para no outro dia recomeçar. Esse sim é o meu Deus que se faz presente diariamente na minha vida, o qual eu não preciso de religião para adorá-Lo, porque com a minha fé Ele sempre se faz presente, e o melhor, de forma gratuita.

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