31.3.12
25.3.12
Eu Preciso de Fé, não de Religião.
24.3.12
FRASE DO DIA
Na Corruptolândia, capital Corruptília, não haverá honestidade, logo não haverá pobres, pois pobre é que tem mania de ser honesto, assim como honesto tem a desgraça de ser pobre. E eu quero que pobre se exploda!Deputado Justo Veríssimo, um dos 209 personagens de Chico Anysio, que faleceu ontem
23.3.12
FRASE
-Pablo Escobar
13.3.12
Quando eu era inocente

Quando eu era inocente, minha mãe me chamava de manhã para tomar café. Como num ritual, eu levantava, tomava meu banho e me encaminhava para a mesa. Comia o que podia, ou o que Deus tinha reservado para aquela manhã. Para isso, meus pais, muitas vezes, tinham deixado a própria fome morrer para saciar a minha, num sacrifício que eu reconhecia, mas não sabia como recompensar. Então, seguia para o colégio alimentado, como um amuleto de esperança recarregado que no futuro seria utilizado para retribuir todo o zelo de minha mãe e do meu pai.
Hoje que perdi a inocência, vejo que o meu passado humilde era cheio de luxo, pois crianças iguais a mim vivem numa extrema miséria, sem a certeza se iriam comer algo ao acordar. Seus pais não são muito diferentes dos meus, porém a desilusão tomou conta das suas almas. Seus filhos, diferente de mim, não foram para o colégio aprender e lutar por um futuro melhor, mas sim para ruas vender a infância por migalhas em forma de moedas. Talvez eles conseguissem o alimento do dia, talvez não.
Quando eu era inocente, não costumava me preocupar com nada, apenas com as minhas tarefas escolares. Depois disso, eu tinha o dia inteiro para brincar com os meus colegas na rua. Era tão bom jogar futebol nos descampados, empinar pipas no ar e fazer traquinagens típicas daquela fase da vida. Roubar frutas na casa do vizinho também fazia parte da diversão. Como também os passeios nos parques, ver os animais nos zoológicos e deixar a pele despelar depois de um bom dia de praia em família.
Hoje que perdi a inocência, percebo que brinquei demais, enquanto outras crianças como eu não tiveram tempo para isso. Elas estavam trabalhando para sustentar a família, carregando nas costas a penitência de uma vida dura, a qual não lhes deu a chance de optar por um destino melhor. Enquanto eu roubava frutos, eles roubam carteiras e assaltam pessoas desatentas para sobreviver. Enquanto eu passeava, eles faziam longas caminhadas em direção ao nada, que no fim tinha o sentido de tudo.
Quando eu era inocente, eu consegui terminar o colegial e ingressar na universidade. Para uma família pobre isso é uma conquista indescritível. É a única possibilidade de um morador da periferia ter um futuro melhor. Com muita dificuldade, consegui me formar depois de alguns anos, fato este que deixou meus pais muito orgulhosos. Sai dessa fase confiante, com a certeza de que conseguiria um emprego na minha tão sonhada área e, consequentemente retribuiria todo o esforço dos meus pais.
Hoje que perdi a inocência, me entristeço ao ver jovens da minha idade sem nenhuma perspectiva de futuro. Eles não sabem ler nem escrever. Não foram agraciados com o estudo, estavam ocupados demais na marginalidade, a qual captura as pessoas, como eles, esquecidas pela sociedade. Eles tiveram a esperança roubada. Seus sonhos foram destruídos pela fome, miséria, pelo descaso e, principalmente pelo esquecimento.
Quando eu era inocente, resolvi exercer o meu poder de cidadão no período eleitoral. Investiguei cada candidato. Pesquisei seus antecedentes para não desperdiçar o meu tão precioso voto. Fui bastante cauteloso, pois queria acreditar que a minha postura poderia solucionar a vida de muita gente que, como eu, era humilde e dependia desses representantes para transformar o país.
Hoje que perdi a inocência, vejo que tudo foi em vão. Os políticos que eu escolhi não cumpriram o seu papel. Pelo contrário, roubaram o nosso dinheiro e continuam soltos realizando falcatruas cada vez maiores. Consequentemente, o povo que eu queria ajudar continua na mesma. Sem educação, segurança e saúde de qualidade. Continuam passando fome e mendigando pão.
Quando eu era inocente, eu acreditava num mundo sem violência, onde as pessoas pudessem se respeitar mutuamente. Uma terra onde ninguém seria separado por classe social ou etnia. Não existiria diferença religiosa nem de condição sexual. As pessoas conviviam em paz com o diferente, pois ser desigual era uma dádiva, um presente que Deus, enquanto representante máximo da natureza, tinha nos ofertado.
Hoje que perdi a inocência, vejo que meu desejo não passava de um devaneio. As maiores violências da sociedade surgem das divergências. As pessoas não se entendem e não se aceitam. Etnias lutam entre si para provarem que existe uma melhor do que a outra. Muitas religiões perderam a sua ideologia de fé e amor e se venderam por dinheiro a falsos dogmas, os quais não pregam mais a união, mas a destruição e a desarmonia entre as pessoas.
Quando eu era inocente, ser honesto, fazer o bem, respeitar as pessoas mais velhas e contemplar a preservada natureza, faziam parte de uma escala de boas ações que todos os indivíduos deveriam seguir. Lembro-me de ter plantado uma árvore na escola, de ter ajudado um velhinho a atravessar a rua e de evitar contar mentiras, pois minha mãe me ensinava que elas retornariam para mim de forma brutal.
Hoje que perdi a inocência, presencio pessoas fazendo o mal, conscientes ou não dos seus atos. Não se respeita mais a sabedoria dos mais velhos. Eles não são mais importantes, pois são para nós seres inúteis e incapacitados pelo tempo. A natureza não é mais espaço de preservação, mas de consumo, de destruição. E mentir não é mais algo errado, e sim uma prática crucial para se viver nesse mundo de banalidades, do qual eu cresci Quando eu era inocente...
11.3.12
Drummond x José Luiz Fernandes
Enviado por JLF
8.3.12
A FRASE
5.3.12
4.3.12
Deixa para depois

O homem de hoje carrega nas costas o peso do progresso. Constantemente obrigado a avançar, ele vive sob a responsabilidade de sempre fazer o melhor, de construir um futuro promissor para si e para os demais que o rodeiam. No entanto, essa função que lhe foi incumbida nem sempre é cumprida à risca, visto que as barreiras da globalização acabam impedindo que determinados problemas ganhem visibilidade e, consequentemente uma solução imediata. Na realidade, vivemos num modelo social procrastinado, ou seja, acostumando a adiar a resolução de assuntos importantes e supervalorizando a execução de outros que poderiam esperar de verdade. Nessa atitude bifurcada, a sociedade é guiada para dois caminhos: o da artificialidade, onde o faz de conta predomina e todos fingem que vivem bem e felizes. E, por outro lado, o do esquecimento, rota que nos leva aos nossos reais problemas, aqueles que insistimos em esquecer, ou mascarar, mas que estão vivos, pulsantes, como as batidas dos nossos corações, esperando apenas por uma solução definitiva.
O meio ambiente é o maior exemplo a ser citado a respeito dessa temática. Devastado pela fúria do progresso em várias partes do mundo, ele geralmente tem a solução dos seus problemas deixada de lado. Dito de outra maneira, nós não estamos verdadeiramente preocupados com o futuro do planeta e nem tão pouco intimidados com as previsões cataclísmicas dos renomados cientistas dessa área. Isto porque, caso houvesse uma real preocupação com o nosso hábitat, não sujaríamos ruas, nem poluiríamos o ar com a fumaça tóxica de carros e indústrias. Também não destruiríamos florestas, obrigando os que ali residem a viverem em pequenos redutos ou quando não expulsá-los desses ambientes, extinguindo animais que vão ampliar a já grande lista dos que são raros, e eliminando árvores que demorarão décadas para crescerem novamente.
Nesse rastro de destruição, o homem de hoje também tem posto de lado coisas valiosas como caráter e a honestidade. A política, por exemplo, segue seu curso de desonestidade e o pior, de descompromisso com as causas daqueles que investiram o voto em pessoas que se comprometeram em servir ao bem do povo. No Brasil essa nebulosa prática é popularmente conhecida como corrupção e já se tornou banalizada. Se isso, então, já é verídico, por que o povo não se mobilizou para reverter tal quadro? Porque, infelizmente estamos acostumados a esquecer das falhas cometidas por muitos políticos e deixar para depois a devida punição destes. Nisso uma grande bola de neve se formou e até hoje nada foi feito de verdade para detê-la. Tanto que, o povo que aqui reside, pode até não acreditar mais em certas promessas, mesmo assim, não são capazes de votar de forma consciente, no intuito de transformar esse humilhante cenário.
Disso, outras coisas cruciais para a vida em sociedade acabam sendo postergadas, porque lamentavelmente não há uma real intenção de mudança. O nosso tripé pode servir de exemplo para isso: educação, saúde e segurança. Incansavelmente devemos reiterar a importância dessas instâncias, pois são elas que regulam a normalidade da nossa vida em sociedade. Entretanto, adiamos as melhorias nesses serviços essências, quando não cobramos que os nossos representantes legais cumpram o seu papel de garantir que os nossos direitos sejam efetivamente realizados. Ou seja, escolas em maior quantidade, atendendo jovens e adultos de todo o país com qualidade e compromisso com o saber. Policiais estruturados para proteger o povo da criminalidade, esta fruto de uma nação desigual e mergulhada na violência. E espaços hospitalares dignos de atenderem pessoas, não esses prédios que estão em vigor, os quais o ambiente animalesco assustaria qualquer espécie irracional.
Diante de tanto descaso, o homem moderno vai adiando a solução dos problemas causados por ele para as futuras gerações. Logo, a nova sociedade que se formará, possivelmente receberá como herança um mundo poluído, com florestas devastadas e animais extintos. Em se tratando do Brasil, eles receberão um país marcado pela desonestidade politica e pela absurda divisão de renda que culmina nas rançosas mazelas sociais. Herdarão também serviços públicos defasados, com escolas tecnicistas, descompromissadas com a formação do aluno pensante. Serviços de proteção ao povo voltado para as camadas mais abastardas, esquecendo-se que os que mais precisam ser protegidos são os grupos sócio e historicamente desfavorecidos de direitos. E hospitais cada vez mais lotados, incapazes de prestar um serviço de qualidade para a grande massa da população que não pode arcar com um plano de saúde decente.
Tudo isso, e muito mais, acontecerá se continuarmos a adiar a resolução dos nossos reais problemas. Se não encararmos de frente a responsabilidade, individual e coletiva, sobre a vida da qual estamos semeando, estaremos legando um mundo destinado a banalidade e ao esquecimento. Um ambiente insalubre se instalará, caso não assumirmos a responsabilidade pelos nossos atos agora. Por isso, conscientizar-se de que ainda há uma chance, mesmo que diminuta de mudança é o primeiro passo para transformar nossa realidade. O segundo é pontuar esses e outros problemas, tirando-os da lista do adiamento e colocando-os como objetivos prioritários que devem ser urgentemente solucionados. E por último, alimentar dentro de cada um de nós o espirito de esperança, ou seja, ter uma perspectiva otimista de que, mesmo com o poder de destruir tudo por onde passa, o homem é capaz de refazer os seus danos e criar um mundo do qual a qualidade de vida de todos esteja realmente em primeiro lugar.





