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27.12.11

Solidão cibernética: qual é o impacto do atual nível de desenvolvimento tecnológico nas relações interpessoais?

A onda agora é está “conectado”. Quem não ouviu essa frase é porque, realmente está desconectado da realidade. Isto porque, com o “boom” da tecnologia, a qual através da internet tem encurtado distâncias, muitas pessoas têm a oportunidade de interagir com diversas outras em qualquer lugar do mundo de forma simultânea. O fenômeno das redes sociais é, nesse sentido, o auge de todo esse avanço que as redes trouxeram para a sociedade. O leque de opções é tão grande que o individuo pode escolher entre o Orkut, Twitter ou a mais nova febre do momento, o Facebook.

Propiciando a criação de perfis dos quais os membros podem expor seus gostos pessoais, dados profissionais e até determinar que pode ou não fazer parte do grupo particular de amigos, essas mídias tem significado uma revolução na vida de todos os que aderem a essa nova mania virtual. O problema, porém, reside na inversão de valores que essa febre midiática tem disseminado. Antes relacionamentos entre amigos, namorados, parentes tinha como base interacional o toque, desde o aperto de mão, o abraço ou o tão intenso e afetuoso beijo. Hoje, no entanto, o contato se resume ao teclado do computador, a representação corporal na “Web Cam” e, é claro, às redes sociais.

O homem moderno parece ter a necessidade de estar incluído, inserido num mundo onde a tecnologia é a mola propulsora da vida, guiando as relações interpessoais numa rapidez tamanha, inferior apenas aquela que corre por dentro dos cabos de fibras ópticas. Tal fato tem desconstruído inúmeros comportamentos interacionais, dentre eles a amizade. Ser amigo hoje não é mais sinônimo de contar segredos, confidenciar amarguras, tristezas e/ou alegrias. Também não há mais aquela aura nostálgica da camaradagem, da qual sentimentos puros como confiança, ternura e companheirismo faziam parte dos calorosos encontros entre as pessoas.

Atualmente isso se resumiu a ser “seguidor”. A palavra compartilhar continua sendo utilizada, mas o seu significado usual perdeu a verdadeira essência. Ela hoje quer dizer postar, sejam fotos, frases, comentários, muitas vezes irrelevantes, dentro das redes sociais. O mais preocupante é a velocidade em que tudo isso acontece, pois enquanto no mundo real uma relação entre amigos sedimenta-se com o passar dos anos, na internet ela acontece numa fração de segundos, ou até o clicar de uma tecla.

As relações amorosas como paqueras, namoros, casamentos, também não são mais as mesmas. Se no passado o ar galante que envolvia a conquista entre as pessoas, desde um olhar, um bom ramalhete de flor, um jantar a dois, um encontro casual numa sala de cinema faziam parte da atmosfera romântica dos casais. No presente, porém, tudo isso tem se perdido. Não há mais jogo de conquista. As pessoas não querem mais “perder” tempo com estas sutilezas, já que na internet existe até rede social para quem precisa arranjar um companheiro.

Tanta “facilidade” tem criado um modelo moderno de relacionamento, onde em alguns casos, pessoas se envolvem emocionalmente com outras, que estão a centenas de milhares de quilômetros de distância. Nesse mundo de relações cibernéticas, nem o sexo conseguiu escapar. Sites, dos mais variados possíveis, garantem o prazer do internauta das formas mais intensas e diversificadas. Vídeos online com profissionais fazendo “Stripe Tease”, masturbando-se ou fazendo o sexo propriamente dito são propostas convidativas aos mais lascivos.

Disso tudo, o mais perigoso são os problemas que vêm imbricados com a velocidade da aceitação do público com esse mundo virtual. Entre eles o bullying é o mais famoso, do qual pessoas se aproveitam do poder midiático dessas redes para propagar discursos de intolerância e violência, desrespeitando, geralmente as minorias. O aliciamento de menores também é uma constante nesse ambiente, onde cada vez mais pessoas são ludibriadas por promessas de carreira, sucesso e fama e acabam caindo na armadilha do tráfico de seres humanos, este que tem levado muitos, principalmente jovens, para o caminho da prostituição e da morte. Por falar em juventude, eles são os principais consumidores das mídias existentes e acabam se tornando as maiores vítimas, devido ao grau de vulnerabilidade que os cercam.

É notório, portanto, que a influência desmedida das redes sociais tem causado profundos danos no comportamento de toda a sociedade. As pessoas estão paulatinamente perdendo o desejo pelo contato corporal e verticalmente estão imergindo nesse mundo mágico, prático e rápido que é a internet. Para muitos, isso é reflexo da globalização que tem impelido uma nova forma de relacionamento. Ou talvez uma necessidade cabal de estar incluído, num mundo onde há uma profunda precisão entre as pessoas em fazer parte de alguma coisa. Pode ser ainda uma ilha virtual, onde as pessoas mais introspectivas ganham vida e aquelas carismáticas ampliam a sua gama de amigo. Independente do que seja, o importante mesmo é que haja uma apurada análise desse fenômeno para que no futuro as nossas relações não se resumam a meros cliques.

3 comentários:

byTONHO disse...



Parabéns!

Bela abordagem, Diego!

:o)

angela disse...

Muita coisa para se pensar...gostei.
Um bom 2012!
beijos

Carlos Alencar Quintana de Abreu disse...

Belo texto, todos os pontos abordados são verdadeiros. Hoje se tem facilmente 500 amigos nessas redes socias...mas peraí, amigos? Pega essa lista e conta quantos morreriam pela gente, por quais deles a gente morreria. RAROS! Eles não são amigos, são como bolhas, belos, mas vazios(alguns não, sem generalizações também)...
Parabéns e feliz ano novo!