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27.3.11

ESTAMOS FODIDOS, por Jorge Pinheiro

ESTAMOS FODIDOS

1 – A demissão anunciada de José Sócrates e a consequente queda do Governo é mais um triste episódio desta “soap opera” que teimam em nos servir nos telejornais vespertinos. Os protagonistas são todos canastrões, a orquestra desafina E o maestro é surdo. Depois da demissão, os partidos preocupam-se se as eleições vão ser a 29 de Maio ou 5 de Junho!!! Extraordinária preocupação. Apetece dizer que a democracia é cara. Um luxo. Um bem raro que os partidos políticos esbanjam. Será assim? Porque não conseguem, então, os partidos regenerar-se, renovar-se?

2 – A verdade é que os partidos políticos, sem excepção, estão entregues a “apparatchicks” cujo único intento é perpetuarem-se no poder. A ideologia deixou de interessar. A ética foi substituída pelo marketing. O debate pela retórica. O bem comum, pelo interesse pessoal. Curiosamente, os partidos do leque governamental afirmam todos só terem uma preocupação: governar e defender o país. E fazem-no conforme entendem, contra tudo e contra todos, independentemente do pais querer ou não. Esta afirmação “patriótica” é o único objectivo ideológico desses partidos do Centro. Tudo o resto é absolutamente secundário.

3 – Como se chegou aqui? A direcção das máquinas dos grandes partidos vai sendo progressivamente açambarcada por uma classe profissional desejosa de poder e que vai afastando os militantes. Essa classe acaba por se tornar indispensável, na lógica da conquista do poder. Eles dominam o “aparelho”. Estão por dentro. Manipulam as regras. Eternizam-se no poder partidário. São inamovíveis. A renovação faz-se pela idade e, mesmo essa, é controlada e circunscrita parcimoniosamente. As oposições internas são absorvidas, com cargos e promessas, perdendo rapidamente a credibilidade como facções. Resta-lhes aderir ao “establishement”. A democracia desaparece no interior dos partidos. Deixa de haver “estímulos ideológicos”. A mudança é mera adaptação. Um reposicionamento táctico para não perder o poder. As motivações patrimoniais sobrepõem-se a tudo. Os partidos passam a ser “agências de emprego”. Em breve surgirão os oportunistas que vêem na política um trampolim para multiplicar os seus proveitos pessoais. A política partidária deixa de ser um jogo ideológico, para ser um jogo de interesses pessoais. Trocam-se favores. Cede-se aqui, para se obter ali. O povo deixa de interessar. Já nem o voto assusta. Hoje um partido, amanhã o outro. Tanto faz. Partidos sem ideologia não conseguem formular propostas e políticas públicas consistentes e coerentes. Estes partidos são clientelares, nepóticos e patrimoniais. Há um total desprezo pelo serviço público, visto como um embaraço ao desenvolvimento dos interesses pessoais desmedidos. Há uma completa ausência de vontade para introduzir novos impulsos democráticos. Uma absoluta falta de apetência para renovar ideologias.

4- Os partidos do leque do poder evoluíram para o “centro do centro”. O centro inamovível, qual Motor Imóvel de Aristóteles. O centro quer chamar-se esquerda; a direita quer chamar-se centro; ninguém se quer chamar direita. Em Portugal o PS, o PSD e o CDS, todos querem estar no “centro”. Este é o território propício a todas as renúncias ideológicas. Tudo em nome dos superiores interesses da nação. A democracia requer luta entre forças políticas. Hoje a democracia estagnou. Os partidos socialistas e sociais-democratas identificam-se exclusivamente com a classe média. Deixaram de representar as classes populares. Vêem estas como um arcaísmo a ignorar, ou mesmo a combater. Os cidadãos sentem-se excluídos da democracia. Sentem-se desprotegidos. E estão. A soberania popular é considerada obsoleta. Os partidos não querem a participação popular, porque não se querem renovar. Estamos condenados a ser dirigidos por oligarquias partidárias que há muito se esqueceram onde está o povo. Essas oligarquias limitam-se a um arremedo canhestro de debate político, para consumo exclusivo dos comentadores de serviço, filhos e enteados que eles próprios puseram nas televisões e jornais. Estamos fodidos!

Jorge Pinheiro

2 comentários:

angela disse...

Tomara que não, mas se algo não mudar pelo quadro aí exposto, Portugal "ainda vai tornar-se um imenso Brasil", parodiando Chico Buarque.
Abraços

expressodalinha disse...

É aliás o que propõe hoje o Finantial Times, embora n~~ao deva conhecer a letra do Chico.