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12.1.11

Essa é a pergunta:

Battisti vale 7 bilhões de euros?

Em vida, integridade física e psicológica, tranquilidade e patrimônio, os criminosos custam caro para o povo. Além de não combatê-los e de os afagar com amolecimentos penais, o governo até paga literalmente caro para ficar com bandidos. Ricardo Noblat conclui aqui no blog que o escândalo Battisti apresenta “sabor de pizza”, pois “a Itália assinou um acordo de sete bilhões de euros para construir navios destinados à Marinha brasileira”. Inclusive quando se travestem de garantidoras da segurança nacional as equipes atual e pretérita do Itamaraty demonstram o desejo de transformar o Brasil num bastião da forma mais retrógrada de comunismo. A própria esquerda italiana abomina os crimes de Battisti, enquanto a brasileira tenta transformá-lo em herói.
Se embarcações militares tiverem alguma serventia para Cesare Battisti, que seja para transportá-lo de volta para o país palco de seus delitos: violência sexual, roubo, assassinato. Não alcançou o comando da Itália com as atrocidades que cometeu, mas chegou ao poder no Brasil juntamente com os amigos que conquistou. A renovação das frotas é fundamental para as Forças Armadas e devem ser usadas para combater o terrorismo e o crime organizado, não para os incentivar.
Neste começo de ano, em viagem pela Itália, notei clima diferente do que planejam patrocinar os partidários do banditismo. Os conterrâneos de Battisti o querem cumprindo a pena de prisão perpétua a que foi condenado por matar quatro pessoas. Ele ri das vítimas, esnoba o Poder Judiciário de onde se estabelece e, para o despiste popular, encarrega seus neocomparsas. No Brasil, a tarefa coube a integrantes do governo anterior, alguns deles aproveitados pela nova presidente.
O bandido continua em pauta exclusivamente por frouxidão das autoridades brasileiras. O Judiciário perdeu a chance de devolvê-lo e o passou ao então presidente da República, que não desperdiçou a oportunidade de coroar a leniência de seus dois mandatos com o crime e beneficiou mais um marginal. A participação do STF ainda não está encerrada. Pode reparar o vacilo e julgar Battisti pelo que ele realmente é, um criminoso hediondo que desdenhou do Judiciário nos dois países.
Por isso, parece inacreditável que para ter Battisti em solo nacional o governo tenha se indisposto com uma nação amiga, envergonhado sua gente e se disponha a gastar um século de Mega-Sena da Virada. As Forças Armadas precisam de investimento, mas o povo brasileiro não merece passar por mais essa.

Demóstenes Torres é procurador de Justiça e senador (DEM-GO)

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