
Há uns anos, a revista VEJA publicou uma matéria a respeito dessa temática, na qual relatava sobre um encontro na Universidade de Coimbra, onde um especialista enfatizava que se o indivíduo quisesse, ele poderia deixar de ser homossexual. Na época, quando eu li esse matéria tive uma crise de riso, pois já tinha a plena convicção de que não é tão simples assim mudar todo um sistema biopsicológco da noite para o dia. Hoje, depois de muitos anos, a minha opinião está ainda mais fermentada, pois acredito que a possibilidade de um gay deixar de sê-lo é remota. Para ratificar essa informação, conversei com um amigo da área de saúde que me disse que a probabilidade de um individuo mudar a sua sexualidade inexiste. Nas palavras dele, a pessoa, por diversos fatores, pode inibir/mascarar/ocultar o seu desejo pelo individuo do mesmo sexo, mas a atração sexual continuará existindo, adormecida dentro dele.
Se fomos analisar a explicação dada pelo meu amigo, perceberemos que ela faz muito sentido, pois não estamos lidando com fantoches, nem tão pouco com animais de laboratório que são manipulados de acordo com a vontade alheia. Estamos falando de seres humanos que sentem vontades, têm escolhas, desejos, fantasias, opiniões e que, sobretudo, pensam. Se o homem é um ser pensante, logo ele deveria entender que a sexualidade do outro não pode ser revertido baseado apenas em concepções tacanhas de certo e errado. Isto porque, são nesses dois pilares que a homossexualidade é vista, como algo transgressor, aberrador que vai de encontro com o modelo procriativo da nossa sociedade.
Educar um jovem nessa perspectiva é um crime a integridade física-psicológica dele. A adolescência, época conturbada na transição para a vida adulta, deve ser guiada pelos pais com cautela e muito respeito. Cautela por que, temos que observar, acompanhar e orientar esses jovens para caminhos seguros, educando-o para a vida, sem interferir diretamente nas suas escolhas ou decisões. O papel dos pais é de um professor sendo que com mais intimidade. E respeito porque, nem sempre os filhos realizam as vontades dos pais, pois muitas vezes estes esquecem que a graça da juventude é ser arbitrária e fora dos padrões estabelecidos pelos cânones familiares. Cabe aos pais entenderem e aceitarem o que os filhos decidiram para a vida deles, com tolerância e respeito.
Partindo desse principio, a atitude violenta narrada no parágrafo introdutório é inconcebível. A sexualidade não é uma massa de modelar na qual batemos e construimos uma forma nova. Ela é evolutiva, e vai se desenvolvendo com a evolução do indivíduo dentro da sociedade. É evidente que há uma propensão genética para isso, coisa que já está sendo pesquisada por vários especialistas, mas na minha visão já é um fato. Acredito que exista uma pré-disposição para que uma pessoa seja homossexual e que ela se manifeste nas relações interacionais. Mesmo assim, ainda não tem uma teoria que afirme o surgimento da homossexualidade, nem tão pouco o fim dela. Freud, grande nome dos estudos psicanalíticos, dizia que o ser humano era composto por três bases sexuais: a bissexualidade, a heterossexualidade e a homossexualidade. O que falta em determinadas pesquisas que tentam "reintegrar" o homossexual num plano heteronormativo é estudar um pouco mais a fundo as contribuições freudianas sobre a sexualidade.
Teorias a parte, o que não pode ser permitido é que a sociedade ache normal um pai ou mãe, tentar mudar a sexualidade do filho a base de porrada e ponta-pés. Não será com atos violentos dessa natureza que educaremos nossa juventude. O que precisa ser feito é uma reeducação sexual, não aquela que fala apenas das IST - Infecções Sexualmente Transmissíveis, mas um educação LGBTT, na qual os pais falariam abertamente com os seus filhos sobre a pluralidade sexual existente na sociedade e que ele é livre para viver a sua sexualidade da forma que ele achar melhor. Falta esse entendimento sobre a diversidade sexual na nossa sociedade. Uma liberdade assistida pelos pais, mas não oprimida, pois não é de forma opressiva que transformaremos os jovens, como se fossem marionetes.
PARA QUEM ACHA QUE A VIOLÊNCIA RESOLVE, AI VAI O VÍDEO QUE EU FALEI:
PARA QUEM QUER UM CAMINHO RACIONAL PARA EDUCAR SEU FILHO, ACEITANDO A SUA SEXUALIDADE, O VIDEO É ESSE AQUI:
6 comentários:
De acordo com o célebre Dr. Samuel Ekaf todo mundo é gay por natureza. Acontece que alguns teimam em terem atitudes hetero por vários motivos conhecidos. E também segundo ele daqui alguns anos falar que este ou aquele é gay vai ser tão ultrapassado como falar hoje em Inquisição.
Antonio,
"De acordo com o célebre Dr. Samuel Ekaf todo mundo é gay por natureza."
Minha ignorância é tanta que nunca ouvi falar nesse célebre! Assim mesmo ouso em discordar totalmente de sua tese! Tanto não é verdade que entre os animais essa prática não é comum. O Homem é mais um animal, dentro da natureza, e a reprodução é o objetivo número hum das relações sexuais! Não me consta que relacionamentos gays produzam, naturalmente, seres semelhantes! E fico por aqui! Sou das antigas, mesmo! srsrs
Ninguém pode deixar de ser o que é. Só pode deixar de ser. Fragmentar-se, partir-se em tantos pedaços que nem sabe mais quem é, mas não deixará de ser o que é. Pode destruir a pessoa, mas não pode muda-la.
A angela falou a maior verdade do mundo!
"Pode-se destruir uma pessoa, mas não se pode mudá-la"
ps.: angela farei um post, de cunho pessoal
dedicado a ti em meu blog por
esse simples comentário seu aqui.
Ai que aqui em casa quem é mais tolerante com esse assunto é o marido. Eu confesso que seria muito difícil ter um filho homossexual. Eu precisaria trabalhar muitos lados na minha vida.
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