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28.11.10

Bifobia, Heterofobia, Homofobia, Transfobia e mais Fobias - O Medo que Gera a Violência



Ao analisar a palavra “fobia” que do Grego significa “medo”, percebe-se que em determinados contextos ela é usada indevidamente e para fins de ordem pessoal. Isto porque as fobias modernas não estão mais ligadas à aversão a animais ou a situações de pânico, na qual o individuo tem receio de estar em lugares públicos, ou em ambientes muito fechados, como nos casos das pessoas que têm claustrofobia. Hoje, utilizam-se dessa sigla para justificar atos de violência, geralmente direcionados às minorias desfavorecidas pelas esferas governamentais. A exemplo pode-se falar da comunidade LGBTT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transex) que vive sob o espectro da homofobia, lutando incessantemente para que essa prática criminosa seja coibida pelo Estado.

Se a palavra fobia significa medo, então a palavra “homofobia” deveria significar medo de homossexuais, não? Mas, na realidade o conceito que essa palavra emprega é outro. Ser homofóbico é sinônimo de ter aversão repulsiva as práticas homossexuais em todas as suas instâncias. Essa aversão tem sido usada como justificativa para os atos de violência cometidos pela sociedade que desconhece o real sentido que as palavras exercem, nem tão pouco conhece o significado da palavra tolerância. O resultado disso é a inversão de valores, pois hoje as vitimas da “fobia homofobica” são os gays e não as pessoas consideradas “normais”.

Da variação dessas fobias surgiram várias outras, a mais absurda é a chamada “heterofobia”, termo que tem a mesma conotação da palavra homofobia, sendo que inversamente. Ora, se for feita uma comparação dos indices de preconceito e discriminação sofridos entre gays e héteros é evidente que a diferença vai ser gritante, pois os homossexuais, como todos sabem, são as maiores vítimas das segregações socias existentes até hoje. Da mesma forma, não se pode equiparar a questão dos direitos entre essas duas classes, uma vez que os homossexuais lutam arduamente para garantir que direitos básicos sejam atribuídos a classe, enquanto os héteros têm total proteção do Estado nessa questão.

E a disseminação do termo “fobia” continua sendo deturpada por onde passa. Já se ouve com naturalidade bifobia e até transfobia. Se, no entanto, esses “medos” fossem justificados de forma racionalizada seria até compreensivo, mas o que acontece é a transfiguração do sentido desse termo para ações infindáveis de violência. As pessoas se apoiam em conceitos pré-concebidos/estabelecidos para justificar a sua falta de conhecimento sobre um determinado assunto/tema. Isso nada mais é do que o preconceito, no qual anda lado a lado com a ignorância e, sobretudo com o desconhecimento de tudo o que está além dos nossos valores moralizados.

Enquanto a sociedade busca se apoiar nesses termos para criar um distanciamente e/ou uma nova configuração para a temática LGBTT, muitos gays são violentados, físico e moralmente, quando não mortos, pois o descaso ainda é operante e sem previsão resolutiva. A lei do PLC122/2006, popularmente chamada de Lei da Homofobia, ainda não saiu do papel, impedindo que a violência praticada contra os homossexuais seja coibida pelo Estado. Será que para esse lei sair do papel vai ser preciso ocorrer algo similar ao da Lei Maria da Penha, na qual a mulher que deu seu nome a lei quase perdeu a vida para que outras tivessem o mesmo direito? Será que vai ser preciso que mais atos homofóbicos sejam praticados para que a lei garanta a proteção dos gays do nosso país? Ou vamos continuar mascarando o problema, com a criação de termos ridiculos como o da “heterofobia”.

Os negros passaram gerações para terem os seus direitos garantidos e mesmo assim ainda vivem sobre o prisma da discriminação; as mulheres foram inferiorizadas durante anos e agora conseguiram galgar alguns degraus para a questão da igualdade social; e os homossexuais? Até quando eles esperarão para que a sociedade enxergue a problemática vivida por eles de forma menos preconceituosa e mais racionalizada. Será que teremos que esperar mais duas ou três gerações para que a realidade dos gays no Brasil tome um rumo mais justo e igualitário?

3 comentários:

angela disse...

Considerações muito boas e vemos que a questão do preconceito permeia sempre e justifica o ódio seja lá a quem ele for direcionado. Cada luta contra o preconceito não pode esquecer daquilo que é seu combustível, sob pena de vermos simplesmente o deslocamento do ódio de um grupo social a outro e é claro que será sempre um grupo minoritário e fragilizado.
O preconceito é o caminho fácil da recuperação do orgulho dos covardes e preguiçosos.

Eduardo P.L disse...

Ótimo comentário! merece um post!!!!

Diogo Didier disse...

Obrigado pelas palavras Angela. Concordo com você., pois penso que a incapacidade de compreender a vida alheia está aliada a uma visão pejorativa do outro.

Obrigado mais uma vez!