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3.9.10


Refletindo sobre o vazio repleto

É fato... , “toda bienal propõe um jargão publicitário que seja polêmico”, esta é uma fórmula adequada para a garantia de público.
Normalmente esta “chamada” traz em si uma idéia de grandeza; Por exemplo: Como viver junto ou Território livre ou A grande tela, etc.
Logicamente que isto é feito de acordo com os interesses mais prementes conforme as dificuldades de ordem econômica e política na consolidação do evento.
Sem dúvida “A bienal do vazio” foi uma das mais adequadas propostas naquele momento para um evento que se propõe a divulgar arte contemporânea e inserir novos artistas no mercado de arte.
Nada é mais grandioso que o vazio, assim como nada está mais vazio que o mercado de arte.
Vazio de público, vazio de credibilidade, vazio no poder de compra, vazio na diversificação da linguagem, etc.
Tão vazio que a arte que está nos muros da cidade ou nos blogs e sites da internet é infinitamente mais visitada, comentada, consumida e adquirida do que em qualquer galeria contemporânea.
Uma arte tão repleta e bem qualificada que vem influenciando não só o comportamento contemporâneo como também as próprias galerias e museus de arte.
Olha aí “o grande vidro” de Marcel Duchamp, estava tudo lá no segundo andar, assim como a maior manifestação de arte minimalista que já se pode ver.
Todo o lirismo da modelo nua estática posando diante dos olhos do gênio para ser historicamente eternizada, foi transposto para a idolatria pop nos corpos das nuas espremidas na tela de Yves Klein.
E agora é você espectador, quem esta no pedestal, juntamente com seu universo que fica do lado de fora, fervilhado de idéias e informações.
Nesta gigantesca dinâmica que engloba infinitos conceitos inerentes a cada objeto visto, imbuído de tanta carga histórica em cada gesto do olhar, realmente...
A bienal do vazio estava cheia de ar; Podem respirar a vontade, tudo não passou de um golpe de vista, ou de um mercado que sempre foi cego.
Por isso mesmo, não podemos nos esquecer que, nossos gestos ou manifestos, sejam eles intencionais ou intuitivos, representam e refletem a importância dos espaços que habitamos , são, portanto, a construção do nosso mundo, a invenção da nossa viagem nesta terra.
Esta é, sem dúvida, uma das mais nobres funções da arte, a busca de adequação estética para a dinâmica da nossa linguagem.
Entenda-se que a “estética” trata da ética do estado do ser, portanto, sejamos sim! Exigentes quanto ao que nos é apresentado aos olhos a fim de despertar nossas emoções.
A bienal de São Paulo é um evento internacional que trata da qualidade de nosso pensamento; da beleza da nossa memória; da força das nossas idéias e da variedade das nossas riquezas
Não dá pra ser simplesmente política, não dá pra ser meramente uma vitrine de eleitos, ou uma desprezível fórmula de redimir-se dos maus feitos sócio culturais.

Um comentário:

Eduardo P.L disse...

Laerth,

embora tenha minhas dúvidas quanto ao resultado prático da Bienal passada ( do Vazio ), seu texto é primoroso e, com sua permissão vou leva-lo para o Varal!

Parabéns!

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