COMO FUNCIONA

Este blog foi criado num Domingo chuvoso daí www.domingoamigo.blogspot.com/!

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24.3.15

Alô alô BRASIL:

SANGRAMENTO  MENSAL  PODE  GERAR  FILHO, MAS NÃO DERRUBA  GOVERNO. É PRECISO MOBILIZAÇÃO  DIÁRIA E PERMANENTE. Divulguem.

8.3.15

MANIFESTAÇÃO a favor do BRASIL



Não deixe de ir:

Aracaju – Arcos da Orla (9h30)
Belo Horizonte – Praça da Liberdade (9h30)
Brasília – Museu da República (9h30)
Curitiba – Praça Santos Andrade (14h00)
Florianópolis – TICEN (16h00)
Fortaleza – Praça Portugal (10h00)
Goiânia – Praça Tamandaré (14h00)
João Pessoa – Busto de Tamandaré (15h00)
Porto Alegre – Parcão (14h00)
Recife – Av. Boa Viagem (9h00)
Rio de Janeiro – Copacabana, posto 5 (9h30)
Salvador – Farol da Barra (16h00)
São Paulo – Masp (14h00)
Teresina – Alepi (16h00)

1.12.14

VILA DO LEITOR

Uma página na Revista VILA CULTURAL

A Revista Vila Cultural do mês de Novembro deu uma página toda para três Poemínimos do colaborador deste blog Eduardo P. Lunardelli

31.8.14

Não me desafie!


A onda de solidariedade virtual, que tem levado centenas de pessoas Brasil e mundo afora a tomar um banho de água gelada, originou-se de um singelo desafio. De fato, não deve ser fácil tomar um banho com uma água em temperatura fora do convencional, principalmente em algumas regiões que não contam com o clima ensolarado do nosso país. Entretanto, diante desse ato se esconde um outro mais perigoso, o desafio. Esta palavra traz em si alguns sinônimos que estão distantes do ser solidário. Desafiar é provocar, acirrar, agredir, com direito até a um antônimo de problema. Por essa razão, vimos e ainda vemos pessoas gravando vídeos na internet ou se expondo na televisão nesse sentido, mas não percebemos que, entre muitos deles, o ajudar o próximo inexiste. O que existe é a autopromoção da dor alheia a partir de um modismo.

Como toda corrente, que circula pelas atuais mídias eletrônicas, a campanha do balde de água fria nasceu para ajudar um ex-atleta americano que sofre de uma doença rara, conhecida como ELA (esclerose lateral amiotrófica). Comovidos com esse caso, várias pessoas ao redor do mundo aderiram se banhando e fazendo doações para encontrar um tratamento, quiçá cura, daquela doença. Ao chegar no Brasil, porém, essa ação ganhou outras dimensões. Por aqui, em meio a um mar de hipócritas exposições midiáticas, pessoas anônimas e famosas também resolveram fazer parte dessa campanha, mas apenas parcialmente. Isto porque, se comparado a outros países do mundo, o nosso foi o que menos doou, porém o que mais se expôs nesse sentido.

Antes de tudo, é preciso entender que tal atitude de alguns brasileiros tem lá suas justificativas. A primeira delas está ligada ao poder que a internet, e as mídias em geral, tem exercido sobre os brasileiros. Numa nação onde as clínicas de tratamento para viciados virtuais abrem novas sedes a cada semana, não é de se surpreender que muitos adentrem em campanhas solidárias apenas por entrar. É, na verdade, a necessidade de pertencimento, de estar num determinado mundo, fazendo coisas aparentemente úteis e, exibindo-as para que amigos, conhecidos ou não, possam ver, curtir e compartilhar. Nessa questão ainda cabe o fator desinformação, que está diretamente ligado a facilidade do povo daqui de se alienar, ao invés de ajudar.

Sem conhecimento de causa nem de mundo, muitos acham, que ao se banhar com água, areia ou barro, vão contribuir de alguma forma com a resolução dos dilemas alheios, quando na verdade a situação exige coisas bem mais amplas. Entretanto, um segundo ponto pode ser utilizado para reforçar esse tema, a falta de solidariedade dos brasileiros para com os brasileiros. É bacana ajudar o ser humano em si, seja ele daqui ou da Índia, por exemplo. No entanto, parece que ser solidário com alguém de fora do nosso território humaniza aqueles que se esquecem de tantos outros seres humanos que, no Brasil, sofrem de coisas tão complexas como a que iniciou essa inocente campanha. Mesmo assim, a solidariedade nacional não enxerga a violência diária da fome, da miséria, do preconceito, da discriminação, e de tantas outras problemáticas que vitimizam centenas de milhares de pessoas.

Não se pode esquecer que tudo isso ganha mais visibilidade quando pessoas visíveis socialmente aderem de alguma forma. As celebridades são as principais entre elas. Por exercerem uma influência enorme sobre a grande massa, artistas diversos também contribuíram para que o balde de água fria fosse popularizado nas redes sociais e na mídia televisiva. Fazendo parte dessa corrente, muitos deles, com muita ou pouca roupa, também se encharcaram por uma boa causa. Evidentemente que nem todos quiseram entrar nessa brincadeira e foram execrados por isso. Não basta doar, tem que participar. Ou seja, não adianta dar uma quantia para essa ou aquela campanha, é preciso ser desafiado, enfrentando o obstáculo das baixas temperaturas.

Quando fazemos uma análise mais aprofundada disso tudo, percebemos que o ato de ser solidário virou uma competição, a qual não traz implícita a mensagem “vamos ver quem faz mais o bem”, mas sim “vamos ver quem ganha mais visibilidade fazendo o bem”. Ou seja, muitos dos indivíduos, anônimos ou notáveis, que pagaram o mico do banho forçado, não estavam preocupados com o rapaz imobilizado do outro lado do continente, mas sim com a dimensão que o vídeo feito daria. Também se deve lembrar do tom de brincadeira disso tudo. Claro que ser solidário é uma ação bacana, divertida, pois visa, antes de tudo, sanar minimamente a dor do outro. Entretanto, a gaiatice de alguns reconfigura a proposta original daquela e de qualquer outra campanha.

É o modismo que faz com que o doar seja apenas um trampolim para a fama instantânea. As pessoas até para ajudar o próximo precisam ser glorificadas midiaticamente por isso, quando na verdade a maior glória é se solidarizar com a dor do outro, com ou sem reconhecimento social. Tamanha verdade disso que se as milhares de ONGs espalhadas pelo Brasil quisessem colher os louros das suas ações com holofotes, não haveria mais nenhuma funcionando. Da mesma forma as pessoas que, sozinhas, fazem de tudo para dar esperança a enfermos, drogados, moradores de rua, e tantos outros desprovidos da dignidade necessária para serem verdadeiros humanos. Se todos esses tivessem essa vaidade atual das correntes virtuais, muitas pessoas não teriam de fato com quem contar.


“Não me desafie!” Essa deveria ser a frase de ordem. Nós não precisamos ser tentados com um desafio para fazer o bem. Para realizar uma ação de reciprocidade é preciso apenas do companheirismo necessário em qualquer ato humanitário. Ser companheiro, nesse sentido, é ver o outrem semelhante com igualdade, ou seja, como humano, e buscar atenuar o sofrimento dele. Mas, não se deve fazer tal coisa esperando reconhecimento, fama ou sucesso. Tem um dito que diz mais ou menos assim: “vamos fazer o bem, sem vem a quem”. Em outras palavras, qualquer pessoa pode ter a iniciativa de ser solidário, mas sem a necessidade de ganhar visibilidade por isso. O bem não deseja ser glorificado, apenas ser perpetuado, para que cada vez mais pessoas façam o mesmo e o mundo se torne um local onde cada vez menos pessoas sofram.

Quando a política não atende a todos


Estamos no ano de 2014. É o momento de reavaliar nossos políticos, ao passo que nos preparamos para escolher os novos, que nos representarão por mais quatro anos. Essa rotina civil se encontra cada vez mais complexa, visto que a cada eleição as nossas dúvidas sobre quem deve ou não estar no poder aumentam. Tal inquietação se dá ainda por causa da inescrupulosa conduta de alguns políticos, geralmente ligados a falcatruas corruptas e outros escândalos com o dinheiro público. Ou, se refere ao não cumprimento das propostas de campanha. Esta última, infelizmente, é a que mais se destaca no currículo daqueles que deveriam fazer valer o voto recebido. Dentre os muitos, os grupos minoritários penam para ter os seus direitos reconhecidos e/ou legislados por nossas autoridades. Mas, parece que dar voz às minorias é posto em segundo plano em todas as eleições.

A histórica herança de exclusão do Brasil tem feito do país um berçário de desigualdade e desrespeito para com o seu semelhante. A primeira delas, talvez a principal, se apresenta na desigualdade sócio econômica, que separa pobres e ricos numa imensa barreira social. Nesse abismo, todos os anos eleitoreiros, nossos políticos se aventuram nele e oferecem propostas para aqueles que se encontram afundados na pobreza e na miséria. Surge, então, as clássicas carreatas, passeios em favelas e, claro, muitas fotos e poses com pessoas carentes e desassistidas de tudo, inclusive de senso crítico. Passado esse período de marketing, ao conseguir os votos necessários para a sua candidatura, muitos políticos esquecem do que viram naqueles ambientes e, simplesmente, não cumprem com o que foi prometido por eles em época de campanha. Por essa razão, também, que a disparidade social não diminui, porque falta tudo, inclusive apoio governamental.

Entretanto, não é só a pobreza que é esquecida. Numa nação onde o preconceito é tão secular quanto a desigualdade social, não é de se espantar com a formação de grupos em busca de visibilidade e, ao mesmo tempo, aceitação político-social. Entre elas, o negro busca a cada nova eleição projetos que propiciem maior respeito à causa deles, bem como toda a ancestralidade cultural desse grupo. Embora haja teoricamente medidas afirmativas, como as polêmicas cotas, ser afrodescendente no Brasil não é fácil, visto que o estigma da marginalidade, bem como a informalidade fazem dos negros seres invisíveis. Na verdade, eles só são vistos quando cometem delitos, graves ou não, como forma de manter a perigosa ordem social de que negro é bandido, mas branco não. Tudo isso porque, além de tudo, falta apoio político antes, durante e pós período eleitoral.

Ausência esta que também é sentida por muitas mulheres. Elas que, mesmo conseguindo o direito ao voto na era Vargas; conquistado o direito a utilizar anticoncepcionais; ousar com o uso da minissaia e conseguirem se divorciar, mesmo com o estigma em torno disso; ainda assim, elas penam muito no cenário político brasileiro. A presença da primeira mulher a assumir a presidência, de um país patriarcal como o nosso, não foi o bastante para mudar a triste realidade da mulher no Brasil. Ganhando menos do que muitos homens e com pouquíssima representação governamental, elas continuam a carregar o rótulo de “sexo frágil”, são violentadas e mortas aos montes, sem contar com todos os tabus culturais que carregam em torno de temas como aborto, sexo, corpo, contracepção os quais não são assegurados a elas pelo Estado. Desamparadas, muitas, a cada eleição, veem suas esperanças se esvaírem em promessas vãs, que não foca nos dilemas vividos por elas.

Nessa mesma linha de raciocínio, mas com outro objeto de discussão, se encontram os homossexuais. Em busca por uma aceitação no meio político há tempos, os gays do Brasil têm pouquíssimo apoio legal. Isto se dá por inúmeras formas. A primeira delas é a ausência de representações LGBTs capazes de representar bem essa massa. O segundo ponto diz respeito ao conservadorismo que tem ganhado espaço em bancadas políticas ao longo da história do Brasil. Entre elas, a de maior representação sem dívidas é a evangélica cristã. Não precisa ser nenhum estudioso para saber que tais grupos repudiam a homossexualidade, baseados em argumentos distantes do laicismo e, por isso, indo de encontro com as políticas mundiais de inclusão voltadas aos direitos humanos. Por essa razão, também, as causas gays são abandonadas, arquivadas e esquecidas por muitos, pois, semelhante aos outros pontos levantados, a política brasileira tem cor, sexo e orientação sexual.

Devido a esses favoritismos, cada vez mais claros em nosso cotidiano, eleição após eleição, novas propostas são lançadas, mas a desconfiança eleitoreira desacredita o cumprimento de inúmeras promessas de campanhas. A linha nada tênue, que divide ricos e pobres no Brasil aguarda há eleições ser, no mínimo, atenuada, mas o que se vê a cada ano é o inverso disso. É por isso que não dá mais para confiar que os negros terão um plano nacional voltado ao respeito a sua ancestralidade, que vai desde à culinária até a religiosidade desse grupo. Também não cremos que as mulheres conquistarão mais espaço na política, bem como a violência em torno dela será atenuada diminuirá, porque falta mais empenho governamental nesse sentido. Quanto aos gays, nem precisa dizer que carece de ações claras, promovendo políticas concretas em defesa desse grupo.

Portanto, o que falta no país é o cumprimento das promessas de campanha dos muitos políticos, que se oferecem de quatro em quatro anos. Na verdade, talvez a palavra promessa não seja a mais apropriada, visto que constantemente ela é quebrada desonrosamente por quem a promete. O ideal mesmo deveria ser a palavra compromisso. Se a cada ano os políticos se comprometessem de forma fidedigna com o seu propósito, que é representar honestamente o seu povo, talvez as irregularidades existentes seriam diminuídas. Mas, para que essa utopia seja realizada muitas e muitas eleições serão necessárias tanto para que o povo desperte desse sono secular do qual está adormecido, tanto para que o catálogo de políticos desonestos seja cada vez menor e, por isso, com mais chances do povo fazer, de fato, a escolha menos errada. 

Por que a bicha pintosa incomoda tanta gente?


Elas estão em todo o lugar. Facilmente identificadas, tem a voz feminina, estão levemente ou muito maquiadas (muitas vezes durante o dia). Usam calças extremamente coladas, coloridas e de cintura baixíssima (a calça santropê das mulheres perde feio). Às vezes se permitem até usar uma peça ou outra feminina, que vai da calça jeans até as coisas mais íntimas. Abusam de joias e adereços em geral. A ideia é ser o mais caricato possível. Sem esquecer, é claro, dos cabelos: escovados, lisos ou encaracolados, pintados ou com generosas mechas. Os cortes são os da hora, porque nada, do pé a cabeça, pode estar desconectado da atualidade.

Essa definição inicial diz respeito a muitas bichas pintosas espelhadas pelo país. Execradas até por boa parte do próprio segmento gay, elas provam, entre outras coisas, a supremacia do homem que se dá o direito de ser delicado, possuindo, assim, uma identidade própria, original. Claro que essa atitude custou a elas um preço alto: o da inferiorização frente as outras Bees, que volta e meia alardeiam que as pintosas são “bichinhas” de categoria menor. Com essa postura, há a fragmentação do movimento homossexual entre as “aceitáveis” (machudas, bonitas, malhadas e discretas) e as “inaceitáveis” (pintosas, drag queens, travestis e transexuais).

Nessa divisão, percebe-se que o que separa o joio do trigo ainda é a figura feminina. Quanto mais próximo estiver do que é ser “mulher”, mais próximo o indivíduo estará do que é ser minoria. No Brasil isso se “justifica” pela a história de segregação vividas por mulheres e gays. Fazendo essa retomada, entende-se melhor a ojeriza que alguns, até gays, nutrem por aquelas mais caricatas. É a heteronormatividade, a qual transpassou as barreiras de gênero e identidade de gênero, adentrando no universo homossexual e, sorrateiramente ficando raízes entre aqueles que, ao invés de se unir, brigam silenciosamente em ter si.

Após saber disso, percebe-se porque a postura de algumas bichas incomoda tanta gente. Elas curtem divas internacionais, até discutem entre si pela Gaga ou a Madonna. Batem cabelo na boate e se entregam a um bom funk. São fã dos shows das Drags Queens. Acompanham a moda à risca e sabem tudo o que é dessa e da próxima estação. Não sentem vergonha de expressar o que sentem em seus Tumblr, Twitter ou no Instagram. Enquanto ou outros, mesmo assumidamente gays, escondem suas emoções e preferem uma vida mais “tímida” ao invés de soltar a franga, literalmente falando. Ou pior, criam superioridades para justificar o recalque que sentem por não serem como as pintosas.


No entanto, tudo isso só se encaixará com o perfil e bicha que, mesmo sendo machuda, durinha e musculosa, acha que tem o direito de menosprezar as outras Bees por isso. Mas, há muitos homossexuais que por razões diversas preferem uma vida mais discreta, no entanto não se utilizam disso para atacar que optou por uma vida mais glamorosa. Pelo contrário, quem tem uma maior aceitação por si mesmo entende bem o outro, pois sabe que a individualidade é fundamental para se harmonizar uma boa convivência. Entretanto, parece faltar a muitas bichas essa consciência, da qual machudas e pintosas pudessem viver sem maiores conflitos.

10.8.14

O mundo agora é dos aplicativos.


Eles chegaram para ficar. Com a democratização das novas tecnologias, sobretudo aquelas que estão acopladas aos celulares, ter um ou vários aplicativos instalados significa estar antenado com as mudanças do mundo tecnológico. Rapidez, praticidade e pouco espaço para instalação, são critérios preliminares que levam muitos usuários a experimentar essa novidade. Além disso, fatores como curiosidade e modismo também atraem pessoas para esse universo. Desde coisas triviais a outras de cunho pessoal, os APPs modificaram a relação das pessoas com o mundo a sua volta. Entretanto, o contato demasiado com esse tipo de tecnologia tem trazido diversos problemas para aqueles que não tem limites na rede. Sem uma dosagem, nesse sentido, cresce em várias partes do mundo locais especializados em tratar quem ultrapassa a linha da moderação e se entrega ao vício virtual.

Não é difícil de encontrar alguém conectado à internet com um celular. Em casa, no trabalho ou na rua, a naturalização desse ato tem se tornado comum que poucos são aqueles que conseguem enxergar um problema nisso. No entanto, a banalização dessa visão é o primeiro dos muitos problemas que surgiram com a popularização dos aplicativos nos celulares. Sem dar uma devida importância a esse assunto, indivíduos de faixas etárias diversas foram fisgados pelo mundo virtual e, paulatinamente, foram se desconectando do mundo real. Pessoas diversas que, muitas vezes, não interagem mais com amigos e familiares frente à frente, preferindo o contato cibernético, como se houvesse uma barreira que impossibilitasse a interação tradicional. 

Dentre tantos, os jovens são, sem dúvida, os mais hipnotizados pelas novidades tecnológicas. Nascidos numa era onde as brincadeiras são substituídas pelo computador, muitos já trazem os sinais dessa problemática. Entre as características mais frequentes estão o isolamento, já que é quase impossível ficar sem um computador ou celular. Eles se tornam mais arredios e propensos a depressões quando algo possa ameaçar seu novo modelo de vida. Fora de casa, geralmente no colégio, muitos são desconcentrados, perdidos, o que dificulta p aprendizado e a formação intelectual. Para completar esse quadro, ainda tem as redes sociais que agora também estão em formas de aplicativos para prender mais ainda a juventude nesse universo. Sem esquecer, é claro, dos jogos virtuais, que agora estão mais convidativos do que nunca.

No entanto, mesmo os adolescentes sendo os principais alvos dessas novidades, isso não quer dizer que adultos estejam imunes a elas. Pelo contrário, basta uma pequena busca nos inúmeros aplicativos de paquera existentes para comprovar que muita gente bem grandinha também usufrui desses novos recursos. A prova é tanta que na última copa do mundo, que aconteceu aqui no Brasil, APPs de pegação, hétero ou gay, tiveram picos de acessos no período futebolístico. A intenção desses recursos se assemelha às redes sociais existentes, onde a exposição de perfis, muitas vezes falsos, e a busca por reconhecimento de outras pessoas seja concretizada. O que muda, um pouquinho, é o teor sexual que alguns aplicativos possuem. Neles, pessoas descartam e são descartadas num simples deslizar de dedo pela tela do celular. É como se o ser humano se tornasse um Menu e quem está do outro lada escolhe se quer ou não comer aquele prato.

Além disso, há os fadados perigos da exposição virtual. Semelhante às tradicionais redes sociais nesse sentido, muitos aplicativos expõem duplamente quem tem conta em suas páginas e quem acessa tais páginas. Segredos são revelados, pessoas que no cotidiano tem uma conduta X, na net exibem outra Y, sem contar aqueles que aproveitam para cometer crimes virtuais contra quem se deixa amostra de mais na rede. Para quem exerce esse tipo de conduta, basta uma breve pesquisada para comprovar outros males do uso excessivo dos meios tecnológicos. Entre tantos, a mecanização humana é a principal. De tanto estar conectados, muitos começam a fazer parte da máquina, ou, se tornam semelhantes a ela.

Evidentemente que tudo isso não coloca os aplicativos e suas funcionalidades na berlinda. Muitos deles são extremamente úteis na sociedade caótica atual. Desde mecanismo para escapar do trânsito, passando por dicas diversas, curiosidades, entre outros. Sem esquecer que tais mecanismos foram criados para facilitar a vida das pessoas, com uma linguagem fácil e de fácil manuseio. Diante de tudo isso, talvez o erro não esteja na tecnologia, nem tão pouco nas novidades que ela proporciona, mas na falta de educação em torno do seu uso. Sem uma consciência sobre como se deve utilizar os recentes meios tecnológicos, os indivíduos ao invés de dominarem passam a ser dominados pela própria criação, o que resulta numa sociedade doente em vários sentidos.

Após diagnosticado isso, em alguns casos, quando a compulsão alcançou o limite máximo, resta apenas a internação em espaços especializados no tratamento de quem sofre de compulsões virtuais. Mas, o que fazer quando esse problema não é identificado no tempo certo? Por ser uma problemática tão moderna quanto as inovações em torno dela, fica difícil precisar o momento exato do qual uma pessoa está “doente” virtualmente falando. Embora o empirismo da questão possibilite que certos diagnósticos sejam realizados, é necessária maior atenção para os sinais mais comuns como isolamento, depressão, temperamento arredio, necessidade extrema de adquirir novas tecnologias, horas e horas conectado na internet, entre outros. Tarefa que parece simples, mas não é, pois muitos apresentam um ou mais caraterísticas das citadas há pouco.

Enquanto nada é feito, novos aplicativos surgem e aprisionam as pessoas. Sua facilidade e praticidade são inquestionáveis, embora sua funcionalidade nem sempre seja necessária. Entretanto, não há motivo para alarmes. A sociedade pode reverter essa cultura conectada e tentar equilibrar o tempo na rede com o da vida real. Também não é sensato afirmar que tais mecanismos devem ser banidos do dia a dia, apenas porque muitos não aprenderam a utilizá-los corretamente. Feliz ou infelizmente, a tecnologia veio para ficar e junto dela os benefícios e malefícios, porém o que falta é maior discernimento das pessoas para utilizar as benesses da tecnológicas sem abusos. Ai é que reside o problema, pois numa era onde o consumo dita regras, parece que o mundo é dos aplicativos e ao homem restou se curvar diante disso, comprando o novo smartphone do momento, para não ser de vez excluído da terra. 

29.6.14

Ir tomar no cu é ruim pra quem?



Sempre que escuto a expressão “vai tomar no cu” me pergunto o porquê de tamanha afetação. A rigor, a intenção de quem direciona essa frase a alguém consiste em reduzir o alvo a nada. Ou melhor, a merda, visto que este último representa a extensão do ânus, codinome cu, por onde sai tal excremento. Mesmo sendo usado como palavrão, nem sempre quem recebe essa ofensa se sente incomodado. Certa vez ouvi que o problema não é a palavra, mas sim o tom que ela é proferida e a quem se destina. Nesse sentido, sinto que ao mandar alguém tomar no cu, de forma agressiva e por vezes deliberada, estamos perdendo tempo, pois em muitos casos não é uma ação negativista. Se caso fosse tão ruim tomar nessa região do corpo, o Brasil e o mundo não estariam repleto de homens e mulheres dispostos a se entregar ao deleite desse orifício.
Símbolo democrático mundial, o cu é uníssono. Está em toda a humanidade e é vital para a sua existência. Como o homem sempre buscou meios de satisfazer seus prazeres sexuais, muitas vezes transgredindo regras morais, sociais e religiosas, e até reconfigurando a funcionalidade do seu corpo, o cu ganhou outras dimensões e usos. Como é sabido, ele serve, a priori, como veiculo de eliminação dos nossos alimentos, por meio do nosso aparelho digestório. Entretanto, a humanidade atribuiu a ele o status sexual, do qual boa parte dos nossos desejos é concretizada. E por mais que se tenha criado uma cultura de nojo ou repulsa em torno dele, não podemos negar que há muitas vezes nesses discursos um quê de hipocrisia, visto que na cama, tal região é cobiçada como se fosse um manjar dos deuses.
No Brasil, por exemplo, mandar alguém tomar no cu é de uma indecência sem medida. Eu diria até que de uma burrice imensurável. Num país onde as mulheres são glorificadas e tem suas bundas esquartejadas do resto do corpo, parece que aquele palavrão é dito em vão. Principalmente porque por aqui o corpo é corporificado, e por isso reduzido a bunda. Ela é, na realidade, o eufemismo do cu. Não dizemos que ele, o cu, é o símbolo cultural brasileiro (assim como a cerveja, o samba, o carnaval, etc.), porque fomos educados a sermos eufêmicos nesse sentido, e por esta razão, mentirosos. Trocando o cu pela bunda, mantemos essa mentirinha perversa que enaltece o todo e vulgariza a parte. Essa metonímia soa incongruente visto que, no seu íntimo, o brasileiro quer o cu, deseja ele, anseia por descobri-lo, prova-lo, rompe-lo, portanto, num ato de “desfuncionalizar” sua atividade primaria.
Você deve estar se perguntando por que nesse texto eu não fui mais eufêmico utilizando a palavra ânus no lugar de cu. Simples, para naturalizar o que já é natural. Às vezes os eufemismos são interessantes porque suavizam coisas que precisam ser levemente ditas para não macular a integridade do outro. Entretanto, quando se trata do cu em questão, os eufemismos são desnecessários, pois não há agressão em dizer algo que já está inserido na nossa rotina e nosso corpo há tanto tempo. Talvez o problema não esteja na palavra, nem no seu bom ou mau uso, mas na entonação dada a ela. É por isso que outros palavrões, derivados do cu como “vai se fuder”, soam mal, porque são ditos bruscamente em situações onde imperam a violência. Em outros contextos, ditos de outras formas, ele soa tão delicado como receber uma rosa. Também não há problema em se pronunciar cu. O perigo reside quando não cuidamos do nosso e queremos dar pitado no dos outros, como se o nosso fosse imune a algo ou tivesse alguma diferença especial.
E não há pecado ou ojeriza que pormenorize tal ato. Quando o homem ainda era primitivo, ao acasalar-se com outros de sua espécie, não verificava se era homem ou mulher, se havia ânus ou vagina. Ele simplesmente se lançava em cima do outro para saciar suas vontades, independente do orifício que iria ser adentrado. É por isso, também, que a aversão aos homossexuais denota incoerência. Muito antes da ideia da homoafetividade, antes mesmo do racionalismo humano criar forma, nossos antepassados cruzavam-se sem o ostracismo em torno dos papeis de gênero masculinos e femininos. Ou seja, se a sociedade atual, repleta de preconceito contra os gays, tivesse mais um pouquinho de conhecimento, saberia que a prática anal não se limita só aos gays.
Ainda sobre essa questão, o ânus é inferiorizado, por vezes demonizado, por compor as práticas sexuais dos homossexuais masculinos. Em meados de 1980, por exemplo, com a eclosão do vírus da AIDS, os gays foram crucificados pela propagação dessa doença, já que se acreditava que ela era transmissível apenas entre eles. Felizmente, esse pensamento foi sendo modificado com os avanços científicos e culturais da sociedade, uma vez que não é só pelo ânus que se contrai tal enfermidade, mas através de qualquer ato sexual desprotegido e promiscuo. Ou seja, mesmo sendo um dos maiores focos de contagio dessa doença, o cu não é o vilão das doenças sexualmente transmissíveis como se imaginava. O problema residia mais num tabu em torno do uso dessa parte do corpo do que na homossexualidade, pois há quem acredite que ser gay necessariamente tem que dar o cu, quando na verdade, as relações homoafetivas não se resumem a isso.
Toda essa discussão ainda acontece porque existe todo um histórico em torno do cu, entre positivismos e mais negativismos, geralmente relacionados a uma indústria pornográfica, a qual lucra horrores com as nossas limitações. Quando falo de indústria, não e refiro apenas à clássica pornô, responsáveis pelos folhetins e filmes do gênero. Me refiro, sobretudo, a mídia televisiva com suas  mulheres turbinadas do pé a cabeça, especialmente na bunda. Nesse sentido, vale pontuar a cultura musical, a qual tem a bunda (leia-se cu) como epicentro de suas rimas, geralmente pobres, impulsionando a sociedade, que se diz “enojada” com o cu, a rebolar até o chão em coreografias que vão da boquinha da garrafa até o quadradinho de oito. Seja como for, nas baladas, esse povo que se diz careta já segurou o “tcham”, talvez dance de cabeça pra baixo nas noitadas ou, em quadro paredes, faz coisas com a bunda que prefiro nem comentar.
Outra, da tantas incoerências vividas pelo cu, ocorreu há pouco tempo por aqui. Diante de uma multidão que assistia ao jogo de abertura da copa do mundo de 2014, a nossa Excelentíssima presidente Dilma foi alvo do berrante verso: “Ei, Dilma, vai tomar no cu!” dito em alto e bom som para o Brasil e o mundo ouvirem. Ora, os torcedores que se acharam espertos ao manda-la tomar no cu, não imaginavam que tal frase saiu pela CUlatra, visto que nessa copa milionária, quem está e vai tomar no cu somos nós, e o pior, sem prazer. Entretanto, guardada as devidas proporções, é importante lembrar que o cu geralmente é utilizado em ambientes esportivos como forma de ferir seu oponente ou porque culturalizou-se que nos campos é palco de pessoas selvagens movidas apenas pela paixão pelo seu time, a qual permite esse tipo de vocabulário. Pode até ser, mas não deixa de ser pejorativo, não por ser um palavrão, mas por guardar em seu íntimo a ignorância de um povo que repudia o cu, mesmo utilizando dele de diversas formas.
Nesse âmbito, ir tomar no cu é ruim pra quem? Isso vai depender de quem está mandando e de quem está recebendo. Há uma relatividade que merece ser pontuada. Baseado nisso, deveria existir um respeito maior para o cu, pois ele representa o único elo que nos une diante de tantas diferenças naturais e impostas que insistem em nos separar. No filme brasileiro Tatuagem, há uma cena que corrobora com a máxima anterior dita, quando em certa parte dos atores cantarolam o seguinte trecho “a única coisa do nos salva, a única coisa que nos une, a única utopia possível é a utopia do cu” e continuatem cu, tem cu, tem cu...”. Nesses versos satíricos há muito mais do que vulgaridade, para os olhos moralistas dos sórdidos puritanos. Há inúmeras verdades a serem reveladas a partir dessa pequena fenda tão estigmatizada e, ao mesmo tempo, tão desejada.
O cu é utópico porque subverte a normalidade e estagna a procriação da espécie. E nisso ele é altamente positivo, pois contem a inchaço social de um país onde a multidão vive na miséria. O cu é também libertário, visto que mesmo vivendo na clandestinidade, é livre nas transações mais comuns da nossa vida levando prazer aos mais necessitados. É constantemente ofertado como relíquia por muitos e recusado por poucos. Ele é, ainda, a deflagração do um prazer, por muitos pecaminoso, mas que é santificado no gozo reverberado entre os casais. Ele é puro, humano, natural e, por isso, necessário. Vive entre o bem e o mal. Na luz ou no apagar delas nos quartos de motel em nas suítes residenciais. Isso na hora do sexo se decide. O cu é controverso, pois mesmo sujo, é cobiçado. Então, antes de ofender alguém, antes de sentenciar quem quer que seja, é bom se lembrar do dito que diz: “pimenta no cu dos outros é refresco!”, pois só assim lembraremos que antes de tudo, temos algo que nos iguala, o cu. E tanto o seu, quanto o da Dilma, o meu e de quem quer que seja, merecem respeito.

Na balada é tudo igual



A música toca freneticamente. As luzes reverberam acompanhando esse frenesi produzido pelo ballet de cores luminosas. Em baixo, como marionetes, as pessoas dançam e se entregam ao feitiço das luzes. Estou na balada, mais precisamente na fila para entrar nela. Resolvi sair de casa na esperança de me divertir.  Queria espairecer as deias, ver gente nova e, de preferência, bonita. Ao mesmo tempo, queria ouvir boa música, dançar, comer, jogar conversa fora e, quem sabe, beijar na boca.
Então, foi o que fiz. Fui à balada. Mesmo diante da inquestionável mesmice que me aguardava, decidi, esperançoso, que essa noite seria diferente, coisa que eu já tinha me dito várias vezes nas quatro outras noites do mês passado. Nessa iria me jogar, beber até o sol raiar ou até o meu fígado suportar. Era sábado, no domingo poderia descansar o máximo para recobrar as forças, já que na segunda feira era dia do trampo.
Me arrumei todo, escolhi aquela roupa que melhor valorizava meu corpo. Me banhei de cremes e perfumes, deixando um rastro de diversos aromas juntos no ar. Sem esquecer, é claro, das joias. Pus as minhas pulseiras mais bonitas, alguns anéis impactantes e o relógio mais pomposo de que tanto gosto. Mais uma olhada no espelho. Uma ajeitadinha daqui, uma arrumadinha dali, e pronto. Estava pronto para me jogar. Antes de sair, porém, pensei em ligar para um amigo que me fizesse boa companhia. Pensei em vários e marquei com um. Nos encontramos na entrada da balada, como combinado.
Perto do clube aonde ia, vi outras pessoas arrumadas e prontas para fazer o mesmo que eu, se divertir. Porém, por um instante, eu fui pego pensando no que levaria tanta gente a buscar o mesmo roteiro que eu. Elaborei algumas hipóteses. Talvez estivessem indo comemorar alguma coisa, ou apenas marcaram com alguém interessante. Que sabe para arriscar e encontrar aquela pessoa especial que há tempo faltava em suas vidas. Nesse instante também me perguntei por que eu estava indo à balada e descobri, assustado, que não sabia dizer o que me levava até lá. Talvez um pouco de cada um dos hipotéticos dilemas que criei sobre aquelas pessoas.
Em meio aos meus pensamentos, fixei meu olhar no rosto dos baladeiros ai presentes. Muitos estavam ansiosos por uma possível diversão. Outros exibiam no olhar a necessidade de que aquela noite deveria mudar suas vidas. Muitos desejavam apenas uma noite causal. Poucos queriam encontrar a pessoa ideal. E, por fim, percebi que quase todos ali presentes estavam vazios por dentro e foram badalar em busca de algo que os preenchesse. Inclusive eu. Eu também estava oco, mas não sabia o certo o que me faltava. Semelhante a todos, eu buscava por um nada, que era tudo o que precisava.
Em baixo daquelas luzes, nossas almas ganham vidas e se perdem no emaranhado  de braços ávidos por abraços e bocas sedentas por um beijo de afeto. Com a música ensurdecedora, não escutamos nossos corações baterem. Em seu lugar, ouvimos a batida da música dar vida a um coração tenta renascer dentro de um corpo que já estava morto há muito tempo. Diante disso, continuei fixado nos rostos daqueles desconhecidos e me vendo refletido neles. Mesmo sem saber seus nomes, algo entre nós mantinha um indissolúvel elo. Intuí que a nossa interação era mantida pela terrível sombra da solidão.
Solidão esta que corrói por dentro quando estamos angustiados. Que nos consome quando a frustração bate em nossas portas. É a mesma que quando não concretizamos um desejo, ou quando um sonho morre à deriva no mar da desesperança. O sentimento que nos domina quando alguém especial se vai antes de hora. Ou quando sentimos que o mundo a nossa volta nos abandonou. Movidos por essa solidão, buscamos nos safar dela em bares, boates, clubes, enfeitiçados por uma alegria efêmera vem e vai tão rápido quando uma dose de gim, ou quando a noite insistem em ceder para o dia.
Sem perceber, eu estava só no meio de tantas outras pessoas na mesma situação. Querendo me encontrar, me deparei com outros indivíduos perdidos e drinks alucinantes e danças cada vez mais provocantes. Semelhante a tantos outros nessa centelha de falsos prazeres, fiquei imóvel vendo a multidão entrar. Senti a presença do meu amigo chegar, mas não reagi. Não estava lá. De repente, como se tivesse acordado de um transe, olhei em todas as direções e vi que na babada é tudo igual. Jogos de luzes, música contagiante, alegria de outdoor e nada mais. Festa de vampiros que se desfazem ao amanhece entre cinzas, silêncio e solidão, como no triste olhar do pierrô.
Com o estridente toque do meu celular, voltei à consciência do transe que estava. Me vi pronto para sair de casa em frente ao espelho com o olhar distante, vago. Entre sonho e realidade, fiquei na dúvida entre sair e vivenciar o que acabara de imaginar, ou em ficar e casa. Sabia que era uma daquelas pessoas solitárias em busca de um autoencontro. O desejo de desistir da noitada aumentava. Não podia fazer o que todos fazem, muito menos consciente disso. Deveria haver um jeito de preencher esse vazio que me consome. Mas, quando o meu telefone tocou mais uma vez, vi que era o número do meu amigo. Atendi pronto para recusar qualquer convite. Ele, mais rápido que eu, foi direto ao ponto. Seu pedido foi claro: vamos babalar? Te espero lá! Falei sem hesitar.